sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Sopa de beterraba à Bulhão Pato.


A Mercearia Bio convidou-me a criar uma receita com ingredientes presentes na sua loja online e não quis deixar fugir a oportunidade de vos trazer esta versão de sopa de beterraba fria. Apesar do calor que se tem feito sentir nos últimos meses e que me tira bastante o apetite, esta é uma estação rica em cores e sabores que merecem ser celebrados. Assim adaptei algumas refeições cá em casa, investi nas saladas fartas com cereais e leguminosas (que alface e tomate não puxam carroça...) e nas sopas frias. E como tudo fica melhor com coentros, cá fica esta sopa fria "à Bulhão Pato" que podem também visitar no site da Mercearia Bio.



Sopa de beterraba e coentros

~ Ingredientes ~

receita adaptada de Bimby Vegetariana

1/2 cebola
1 dente de alho
azeite
1 curgete pequena
1 beterraba
2 cenouras
sal e pimenta preta qb
sumo de limão
coentros

Refogar a cebola e o alho no azeite. Juntar a curgete (com casca), a beterraba e as cenouras. Cozer em água quente por 25m, adicionar os temperos, o limão e os coentros e triturar. Deixar arrefecer totalmente e servir fria.


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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Verão!


Esta época traz o que de melhor a terra nos oferece. Os pratos enchem-se até acima de cor e sabor. A qualquer hora do dia apetece uma fruta fresca e o seu odor percorre a casa, convidando-nos a provar ameixas, nectarinas e meloas maduras até ficarmos de barriga cheia. As saladas são generosas, com tantos ingredientes que nos esquecemos de os contar: beldroegas, alface, espinafres, tomate, pepino, beterraba, aipo... As sopas comem-se frias, as sobremesas são leves e os lanches compõem-se de sumos ou gelados de banana e morango salpicados com sésamo. De tudo o que o verão nos traz - a sandália no pé, os raios do sol a bater nas costas ao fim da tarde, a pele bronzeada, os vestidos leves, o cheiro a maresia... -, sem dúvida que a comida ocupa um lugar de destaque e deixa saudades para o resto do ano.

No entanto, e por mais que tente evitar, há aquelas alturas em que inevitavelmente me apetece algo mais reconfortante e lá vou eu ligar o forno. Embora esteja a guardar o meu plafond da electricidade para os consumos do ar condicionado, há aquelas receitas irresistíveis que não podemos deixar para mais tarde, até porque o que valoriza esta tarte são precisamente os legumes coloridos de verão. E por 20 minutos no forno, acho que fiz muito bem em roubar esta receita à Maria João...



Tarte de chèvre e legumes

~ Ingredientes ~

receita adaptada do blogue Ponto de Rebuçado

1 embalagem de massa folhada retangular 
1 cebola
1 curgete
1 beringela
1 tomate
1 chèvre
azeitonas pretas
sal e pimenta qb
sementes de sésamo
azeite

Ligar o forno nos 180º. Com a ajuda de uma mandolina, cortar todos os legumes em fatias finas, excepto o tomate. Cortar também o chèvre em rodelas e desencaroçar as azeitonas, partindo-as em pedaços pequenos. Estender a massa sobre papel vegetal num tabuleiro de ir ao forno  Com uma faca, marcar uma moldura nas margens ao redor, sem cortar até ao final. Picar o centro da massa com um garfo. Colocar os legumes intercalados por cima da massa folhada, regar com um fio de azeite, temperar com sal e pimenta e salpicar com sementes de sésamo recheio. Levar ao forno cerca de 20m ou até que esteja dourada. 






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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Hoje não há receita (1).


Como ainda não consegui perceber bem o que procuram as pessoas que por aqui passam e como também nem sempre me apetece escrever sobre comida, porque eu sou mais do que isso e é exactamente o que pretendo transmitir, decidi tomar esta decisão de nem sempre publicar uma receita com o meu texto. Não apenas porque a comida estes dias não tem sido o centro da minha vida, mas também porque experimentar receitas novas não está no topo das minhas prioridades, em parte porque tenho pouco apetite devido ao calor, mas também porque diversos compromissos me têm afastado da cozinha e de uma culinária a que estava habituada, tendo como consequência inevitável algumas dores de barriga incómodas... Mas digamos que a principal razão pela qual "Hoje não há receita" passará a ser uma rubrica constante neste espaço é porque me apetece. 

Tenho tido umas semanas atípicas que me obrigam a apontar as minhas obrigações numa agenda e a segui-la ao pormenor. A fazer as compras pela app do Continente enquanto me desloco no 728 para Belém, e depois a perceber que o que mais precisava está esgotado. A comer gelados depois das onze da noite porque estive alguns dias a trabalhar num festival de arte que apenas me deixava abandonar as minhas funções a estas horas inglórias. A dormir três horas, seguidas de uma pausa de cinco minutos em que abria a pestana o mais que conseguia enquanto injectava o meu gato com insulina às 7h30 da manhã. A ler uma etnografia que se confunde com jornalismo de investigação de qualidade mil vezes superior à que me encontro a escrever, na ténue esperança que me inspire a ser melhor antropóloga. Ou antropóloga, ponto. A organizar uma despedida de solteira numa lógica completamente oposta a tudo o que eu sou, a tentar imprimir algum nexo a quem se está nas tintas para quem tem mais o que fazer do que enviar mensagens diariamente perguntando "leste o email?". A tentar acalmar os corações de quem sofre porque existem outros que se esquecem que há mais no mundo, muito mais, do que o seu próprio umbigo, mas claramente a falhar o objectivo porque também o meu coração está magoado e prefere juntar-se aos lamentos a prosseguir com cautela. Sempre, em toda a minha vida, fui castigada pelo adágio "pela boca morre o peixe". Às vezes o peixe deste milénio morre também pelas teclas, mas que culpa tenho eu que toda a gente ache que o que acontece no mundo tem a ver consigo?! Mas para quem como eu viveu alguns meses na expectativa de ter uma despedida de solteira e acabou sem madrinha e sem despedida, estico-me para todos os lados se possível for para evitar que outras passem pelo mesmo. As conversas sérias virão depois, ou de todo, que a distância também se constrói e nem toda vale a pena palmilhar de volta.

Mas estas semanas também têm servido para aguardar a chegada do meu segundo sobrinho que nasce daqui a pouco numa cesariana pré-agendada para evitar complicações. E nas poucas horas que passo em casa divirto-me a derreter com este calor insuportável, raios parta o calor e as férias que não vou ter!! Acho que este ano os meus pés não vão provar água salgada, por isso amaldiçoo o verão de todos vós! Que chova, muito, de preferência! 

Porra, lá se vão mais 30 seguidores. 


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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sopa fria para dias quentes.


Aiiiii este calor mata-me. Pedaço a pedaço arranca-me a alma. Nesta altura do ano troco as sopas pelas saladas para manter a quantidade de legumes ingeridos nos píncaros a que estou habituada sem suar em bica enquanto me alimento. Por norma quando como fria no verão opto sempre pelo gaspacho, especialmente o do Pingo Doce que adoro. Nunca consegui fazer nenhum tão bom e gosto da ausência de conservantes e outras merdas que a informação nutricional destes pacotes revela. Desta vez quis experimentar uma receita de sopa fria e caseira que, ainda por cima, me ajudasse a aproveitar as ervas aromáticas da mini-horta e acertei nesta que contrasta a doçura da curgete com a frescura do pepino.

E por falar em transpirar, porventura o verbo que mais emprego nesta altura do ano... Lembro-me de uma "amiga" que certa vez me atirou, em frente a uma plateia recheada, que quando era gorda também transpirava muito. Eu na altura ouvi aquilo e senti-me tão deslocada, qual balofa prestes a rebentar como uma bóia de praia. Sempre pensei que isto de suar fosse reflexo do calor, mas pelos vistos era a gordura a chorar por estar agarrada às minhas ancas. 

Seria uma dica para perder peso? Certamente que sim. Seria necessária? Garantidamente que não. Que necessidade é esta das mulheres se lançarem contra as jugulares umas das outras, abocanhando com prazer? Mesmo no ginásio vejo os homens ajudarem-se mutuamente e as mulheres constantemente olhando de lado umas para as outras. "Olha-me aquela, deve pensar que lá porque levanta metade do seu peso com as pernas, vai perder aquela celulite toda." ou o clássico "O que está aquela gorda a fazer no ginásio?" A sério? Então uma pessoa a fazer por se mexer, sentindo-se melhor por cumprir com os objectivos a que se propôs, deve ser vítima gratuita de bullying por parte de uma mão cheia de desconhecidas em licra?! 

Não há paciência, minhas amigas. Façam lá as pazes com os vossos corpos, deixem-se de merdas como o gaspacho do Pingo Doce e, já que não conseguem ser felizes, não atrapalhem o percurso das outras. Mandar os outros abaixo nunca levantou ninguém. 



Sopa fria de pepino e curgete

~ Ingredientes ~

receita adaptada do site Vaqueiro

azeite
2 curgetes médias
1 alho francês
1 cebola pequena
1/2 pepino médio
1 dente de alho fresco
hortelã-limão
manjericão-limão
sal e pimenta


Refogar o alho francês com a cebola até esta ficar translúcida. Juntar os restantes legumes (excepto o pepino), saltear uns minutos para que apurem e adicionar a água quente. Deixar cozinhar cerca de 25 minutos até que estejam tenros. Temperar com sal e pimenta. Deixar arrefecer totalmente, adicionar o pepino e as ervas aromáticas nas quantidades desejadas. Passar tudo com a varinha mágica, levar ao frigorífico e servir a sopa fresca.



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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Arbeit macht frei.


Nesta fase da vida em que me encontro actualmente e em que de certa maneira optei por não trabalhar, trabalho não me falta. Entre "empregos" mal pagos, precários, desvalorizantes, desmotivantes e desgastantes para os quais o mercado nos empurra, em que um bom currículo vale tanto como um rolo da Renova, em que nos oferecem uns trocos para investirmos nos projectos de terceiros e se não aceitarmos "deves pensar que és muita boa, não precisas de trabalhar é o que é"... Em que o valor do trabalho, a dedicação e o esforço raramente são recompensados, em que a moeda de troca são promessas vazias e a certeza de que há sempre alguém lá fora que não tem possibilidade de recusar propostas humilhantes... Em que as pessoas com quem me cruzo que gozam de alguma "estabilidade" são as mais desprovidas de vida própria, de uma falta de auto-estima radical manipulada para alimentar os sonhos dos outros, que carregam em si projectos continuamente adiados e um rol de dívidas... Em que se assume que é normal, numa entrevista de trabalho, atirar com um "só faço contrato ao fim de seis meses, ou precisa mesmo?", "mas você não tem contas para pagar?", "eu só conto com pessoas a 100%"... Há sempre resposta para estas questões: "sim, preciso mesmo e isso é ilegal: já ouviu falar em período experimental?", "sim, tenho contas para pagar, mas o que me oferece não chega nem para o bilhete de volta a casa", "então se quer pessoas a 100%, porque paga apenas 20% do que elas merecem?". 

Cansei-me. Ao contrário de tanta gente que eu gostaria que pudesse fazer o mesmo, prefiro investir em mim, valorizar-me a mim, escolho-me a mim. E isso implicou investir na minha família quando ela precisou, na minha tese que é o degrau de uma escada que passou por entrar na faculdade com média de 18, acabar a faculdade com direito a uma bolsa de mérito, a um mestrado em Cambridge e a uma pós-graduação em horário pós-laboral enquanto fazia investigação para o doutoramento em full time. Lá porque o mercado não reconhece e se aproveita da fragilidade em que este país se encontra, não quer dizer que eu tenha feito todo este investimento em vão. Já questionei tantas vezes as minhas escolhas, já me desviei do meu caminho tantas vezes, já duvidei tanto de mim. Mas não vou deixar que mais ninguém alimente este monstro: nem os sonhos dos outros, nem as minhas incertezas. É pôr um ponto final nas hesitações e dar o passo em frente, subir o último degrau para do topo poder, finalmente, ter uma visão do que o futuro me pode reservar.

Mas precisei de ajuda. Preciso sempre de construir as minhas próprias bases, os meus alicerces e de os edificar com cuidado para que não se desmoronem e se tornem inquebráveis. Afastar-me do que e de quem não me valoriza, cortar com dependências, perceber que é caminhando, um pé em frente ao outro, que chego lá. Que mesmo não vendo o final, não devo perder a esperança. É educar a mente e o corpo para que eles respondam como quero e quando quero. 

Partilho convosco três dos meus maiores aliados nestes longos dias sozinha em que me sento em frente ao computador, escavando por entre as minhas dúvidas, na companhia de três gatos, procurando trazer ao mundo algo que ainda não existe, evitando comparar-me com terceiros mas apenas com a pessoa que era ontem. 

Meditação. Tive a sorte de encontrar um site chamado Headspace da autoria de Andy Puddicombe (Inês, o nosso guru!), especialista em mindfulness, um conceito na moda que merece a nossa atenção. A prática diária da meditação ajuda-me a estar mais presente, atenta, a aceitar, a abdicar do controlo e a cortar os nós em que às vezes a minha mente se enrola. E quando conseguir meditar sem me deixar afectar por uma gata a caçar moscas à minha volta, então ascenderei finalmente ao nirvana.

Exercício físico. No ano passado comecei a correr e só isso merece um post que ando a adiar há algum tempo. Durante anos nunca gostei de fazer exercício, nunca encontrei nenhum com que me identificasse e cedo desistia. Ainda hoje não aprecio ginásios e o seu ambiente estéril e simultaneamente demasiado populado. O culto do corpo, as imagens reflectidas nos espelhos, o mito de Narciso... Correr, alcançar objetivos por metas, sair de casa por uma hora para respirar o ar puro e encontrar toda uma comunidade que se mantém fiel a este compromisso, sincronizar pernas com mente... Não há nada melhor e mudou radicalmente a minha vida! Para além de correr, gosto muito dos exercícios da Sophie Gray que podem encontrar no site Way of Gray. Recomendo vivamente, são fáceis, não nos tiram mais do que 30-45m por dia e altamente eficazes. Nos dias a seguir aos treinos ando sempre dorida e tenho visto nascer em mim músculos que nem sabia que existiam. Além disso o pack inicial é baratíssimo e vem com uma série de receitas vegan, por isso digam que vão da minha parte. Nota: não há qualquer parceria ou desconto, era só uma opinião sincera acompanhada de uma piada inocente.

Ler. Ler, ler muito, ler todos os dias obras diferentes, ler em português, em inglês, dois livros ao mesmo tempo. Estar a meio de uma obra e já a pensar no que vou ler a seguir. Alimentar a parte criativa do meu cérebro que me permite viajar nestes dias em que passo tantas horas sem descruzar as pernas em frente à secretária. 

Comer também é bom, cozinhar ainda melhor, encher o caderno de receitas a experimentar, procurar ingredientes novos e usá-los em receitas como esta, então é capaz de ser a cereja no topo do bolo que ando a construir, camada a camada. 


Mousse de morango e mirtilo


receita adaptada do livro Nem acredito que é saudável, p. 140

200g morangos
200g de mirtilos
3 colheres de sopa de geleia de arroz
2 colheres de chá de flocos de ágar-ágar
200g de tofu suave

Lavar e arranjar os morangos, bem como os mirtilos. Colocá-los num tacho pequenino com a geleia de arroz e reduzir em lume baixo até que a fruta se desfaça. Adicionar os flocos de ágar-ágar mexendo bem mais uns minutos. Seguidamente colocar esta mistura num robot de cozinha com o tofu. Misturar bem e depois colocar em três pequenos ramequins. Levar ao frigorífico até que fiquem bem firmes.


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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Mais e melhor.



Hoje vou aproveitar para celebrar como é entusiasmante o mercado da comida em Portugal nos dias que correm. Refiro-me à proliferação de blogues de culinária, workshops, livros, restaurantes novos, supermercados biológicos e interesse em abraçar novos estilos de vida. Já não precisamos de encomendar na Amazon a última obra do Jamie Oliver ou da Nigella. Não só os chefs não se reduzem às mesmas caras de sempre, como abundam e surgem em cada esquina, além de que muitos deles já não são importados, são produto nacional. E embora haja sempre aquela necessidade de separar o trigo do joio, como em tudo na vida, tenho tido a sorte de poder adquirir alguns dos últimos livros de culinária que têm surgido nos escaparates nacionais. Já por aqui publiquei uma das minhas receitas da Marta Horta Varatojo - a sopa de miso - , mas também a original granola de lentilhas da Sara e a panna cotta de côco da Miss Vite.
Hoje, tal como tem acontecido recentemente, irei publicar uma receita retirada e adaptada de uma  obra recentemente editada e cuja autora, a Gabriela Oliveira, também é portuguesa e de cujas receitas sou fã, como podem confirmar por estes muffins de alfarroba. Espero que as receitas que publico baseadas nestes livros vos ajude a conhecer um pouco melhor o que selecciono como material de qualidade. 



Hambúrgueres de aveia e beringela

receita adaptada do livro Cozinha Vegetariana para Bebés e Crianças de Gabriela Oliveira, p. 139

1 cup de flocos de aveia integrais
1 cebola
2 dentes de alho
1 beringela pequena
4 tiras de pimento verde
1 tomate pequeno maduro
1 c. café de pimentão doce
1 c. café de açafrão das índias
1 c. café de sementes de coentros moídos
1 c. café de tomilho seco
sal e pimenta preta qb
2 colheres de sopa de cenoura ralada
1 c. sopa de linhaça moída
1 colher de sopa de levedura de cerveja
salsa picada
azeite

Demolhar a aveia com o dobro de água a ferver. Deixar repousar enquanto se preparam os outros ingredientes. Picar a cebola e o alho. Cortar em cubos a beringela, o pimento e o tomate. Refogar os primeiros no azeite e, quando  estiverem dourados, adicionar a beringela, o pimento e o tomate. Temperar e adicionar a aveia demolhada, bem como a cenoura ralada. Envolver bem e cozinhar cerca de 5m. Desligar o lume e misturar a linhaça, a levedura e a salsa. Triturar com a varinha mágica, formar hambúrgueres e levar a fritar num fio de azeite, virando dos dois lados para que fique bem cozinhado.


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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Super Abelha!!


Quanto a vocês não sei, mas o calor dá cabo de mim. Se tivesse de identificar o meu inimigo número um, a minha némesis, a minha kriptonite, provavelmente apontava as temperaturas elevadas como  as grandes responsáveis. Também não gosto de abelhas porque suspeito que seja alérgica visto que uma vez tive uma reacção curiosa a uma picada. Porém, para confirmar a teoria, julgo que teria de ser mordida novamente, mas não vou dispor o meu corpo a isso em nome da ciência. Terás de esperar mais uns anos, Instituto de Medicina Legal! Basicamente o que aconteceu foi o seguinte: o dedo picado pelo bicho inchou, inchou-me a mão e quando o volume do braço já estava a começar a aumentar também, a minha madrasta enfiou-me um anti-inflamatório pela goela abaixo, porque ela é uma mulher que tudo cura com ibuprofeno. Na altura funcionou e a situação melhorou: parou o inchaço e este foi retrocedendo até desaparecer passados poucos dias. O pior aconteceu dois meses mais tarde: o dedo voltou a inchar do nada e aí eu comecei a ver a coisa mal parada. Pensei, "Que raio se passa comigo? Será psicossomático? Será sinal de algo mais grave? Mas isto já não tinha ficado curado?! A minha lápide vai dizer: Morte por insecto?!"

Fui ao médico que me recomendou anti-alérgicos durante algum tempo e, o melhor, Guronsan durante um mês para limpar o organismo. Segundo a sua opinião clínica, provavelmente a abelha mordeu-me num tendão e, sendo um tecido fibroso, o veneno espalhava-se lentamente. Não faço ideia se esta descrição se aproxima de alguma verdade científica, mas a verdade é que novamente resultou, tanto o ibuprofeno familiar, como a terapêutica receitada pelo médico. O dedo lá desinchou e eu deixei de ser meio mulher-meio apídeo. Apesar de na altura não ter achado grande graça, hoje pensando bem posso dizer que por um curtíssimo período da minha vida ascendi à categoria de super-heroína. O tom amarelado de pele mantive-o e o meu super-poder - o sarcasmo - também. Deixo-vos uma fotografia minha desses tempos gloriosos:


Esta foi uma das várias desgraças que me ocorreram no decorrer de apenas trinta e três anos de vida e que incluem: uma intoxicação por monóxido de carbono, um exuberante acidente de carro e aquela vez em que fui projectada de um carrossel na Feira Popular que depois caiu em cima de mim. Infelizmente, houve outros episódios dignos de uma tragicomédia, mas fiquem só com os piores para terem pena de mim.

Ah sim, voltemos ao calor. Não podem deixar que me disperse desta maneira... Dizia eu que odeio o calor e odeio as abelhas. Então quando um começa, o outro vem atrás que é só mesmo para me relembrar como esta vida é frágil e injusta. Começam a elevar-se as temperaturas e eu fico irritadiça (ainda mais do que o habitual), cheia de sono (ainda mais do que o habitual), perco o apetite (isso é mesmo só no verão) e só me apetecem alimentos frescos. Assim a minha estratégia passa por, ao preparar as minhas refeições ao domingo com antecedência para não andar a semana toda a correr atrás do prejuízo (aka comer porcarias) deixar cereais integrais cozidos, leguminosas de molho e depois cozidas também num tupperware, legumes lavados e arranjados para a salada, condimentos como vinagretes e maioneses para ir variando, fruta arranjada e sobremesas fresquinhas. Assim no próprio dia misturo o que me apetece e sai sempre uma refeição diferente. Desta vez andei à procura de receitas com o tofu sedoso que depois utilizei noutra receita (a qual brevemente aparecerá por aqui também) e saiu esta salada de caril.

O que é que isto tem a ver com abelhas, perguntam vocês?

Nada.



Maionese de tofu e caril

receita adaptada de Presunto Vegetariano

200g de tofu suave
1 colher de sopa de caril (fiz uma versão parecida com este da Patrícia)
sumo de 1 limão
1 pitada de sal
1 colher de chá de mostarda
1 colher de sopa de azeite

Começar por preparar a maionese de tofu e caril, a qual pode ser guardada no frigorífico durante alguns dias sem estragar dentro de um frasco. Na liquidificadora bater todos os ingredientes, ajustando os condimentos a gosto.

Salada 


1 cup de grão de bico cozido
100g de rebentos de feijão mungo lavados e escorridos
100g de feijão verde cozido
100g de brócolos cozidos
1 colher de sopa de sementes de girassol
1 tomate cortado às rodelas

Demolhar o grão de bico depois de bem lavado durante 48h com uma folha de algo kombu de maneira a ajudar à digestão da leguminosa, trocando a água algumas vezes. Cozer em panela de pressão por 40m juntamente com a alga. Escorrer, deitar a alga fora e reservar. 
Cozer o feijão verde arranjado e cortado em pedaços. Cozer os brócolos e reservar. Convém que os legumes fiquem "al dente". Cortar o tomate, misturar com os outros ingredientes depois de arrefecidos, os rebentos e salpicar com as sementes de girassol. Servir com a maionese de caril.




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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Dois dedos de conversa...


A maior parte das vezes em que me sento aqui a escrever tenho uma ideia mais ou menos desenhada do que me espera. Só me falta alinhar as frases. Sujeito, predicado e complementos. Escrever não tem muito mais ciência do que uma receita. É articular os ingredientes/as palavras de maneira a que funcionem numa frase/a que combinem num prato. É saber usar as ervas aromáticas com parcimónia, respeitando as populares combinações - tomate com manjericão, morangos com manjericão... - e substituir o sal sempre que possível. Dito de outra maneira, é agrupar e inovar sem estragar. Com as frases acontece o mesmo. Vamos concordando aqui e ali, salpicamos as ideias chave com a magia dos recursos estilísticos, mas sem abusar. Ninguém. Gosta. De. Pausas. Desnecessárias. 

Inconscientemente sei que sigo sempre a mesma fórmula importada d' As Mulherzinhas de Louisa May Alcott: a escrever, que seja sobre o que conhecemos, sobre nós. Também gosto da citação "Write drunk, edit sober" de Hemingway, mas não me vou alongar muito sobre esse capítulo. Portanto, sempre que escrevo aqui, directa ou indirectamente, escrevo sobre mim. Sobre o que como, sobre o que penso, sobre a minha recusa em abraçar o novo Acordo Ortográfico. Muitas vezes escrevo apenas para conseguir ter uma ideia um pouco mais clara do que me vai na cabeça. 

Hoje não tinha muito para dizer quando aqui me sentei, o que em mim é raro. Geralmente tenho pelo menos sempre uma opinião não solicitada para partilhar com o mundo. Aliás, temo que a minha lápide vá ostentar a inscrição "Desnecessariamente Ofensiva". Foram os meus haters que a personalizaram. Mas como não quero escrever por escrever - o que se calhar até podia fazer porque suspeito que haja muito pouca gente a ler os meus disparates - nem gosto muito de abrir um blogue e que me atirem com duas linhas de "Cá em casa gostamos muito de filetes" e pronto segue-se uma receita, cá vão uns factos interessantes sobre mim que muita gente desconhece:

- Não tenho filtro nenhum, por mais que me esforce. Não me esforço grande coisa. E também não sei porquê, mas a minha principal vítima é o meu sogro que leva sempre com umas tiradas geniais que guardo e macero para ele com carinho. 

- O meu marido tem um sentido de humor semelhante ao meu, o que sinceramente ajuda. Não se chega a doze anos de vida em comum se não conseguirmos sincronizar estas coisas. Também suspeito que seja um pouco surdo.  

- Sou um nadinha obsessiva e tento trabalhar esse aspecto para que não se torne contraproducente na minha vida. Por outras palavras, tento usar os meus poderes de organização para o bem e não para o mal, porque já se sabe que o perfeito é inimigo do bom. Por exemplo, o meu armário está organizado por temas e por cores. Vestidos: de cerimónia, de verão, do mais comprido subindo a bainha até ao mais curto. Calças de cores garridas, ganga azul, pretas. Tops brancos, amarelos, vermelhos, azuis, pretos. Casacos beges, verdes, azuis, pretos. Sapatos: sandálias rasas todas juntas, alpergatas, ténis por cima, sapatos de cerimónia ao fundo. Por favor, não mexam nas minhas coisas. 

- Tenho uma grande dificuldade em parar de ver uma série quando estou a gostar e os episódios estão todos disponíveis. Basicamente, sofro de binge watching compulsivo (se não for um pleonasmo) e as minhas últimas fixações foram The Game of Thrones e The Mindy Project. Suponho que ambas sejam um excelente escape e refúgio, embora eu tenda a levar as coisas sempre demasiado a sério, porque acima de tudo sou uma EXAGERADA!! Por exemplo, os gatos estiveram quase a ser renomeados: Drogon, Rhaegal e Viseron soam bem melhor do que Che, Forlán e Carlota. E eu seria a verdadeira Mother of Dragons!

E pronto, por hoje é tudo! Parabéns a quem chegou até aqui! Ah, valentes!! E a seguir segue-se uma das minhas sobremesas favoritas toda ela com vários "sem": sem lactose, sem glúten, sem açúcar, sensacional.

Panna cotta de côco com compota de morangos, mirtilos e chia 


Panna cotta de côco

receita adaptada do livro Natural de Joana Alves, p. 223

1 lata de 400ml de leite de côco light biológico
2 colheres de sopa de geleia de arroz
1 colher de chá de extracto de baunilha
1 pitada de sal marinho
2 colheres de chá mal cheia de ágar-ágar em flocos

Dissolver os flocos de ágar-ágar num pouco de água e deixar repousar por 5m. Entretanto aquecer os restantes ingredientes num tachinho pequeno. Adicionar o ágar-ágar e ferver devagar cerca de 20-30m, mexendo com frequência para não queimar. Distribuir por 4 ramequins, levar ao frigorífico para solidificar e servir com a compota de morangos, mirtilos e chia.


Compota

receita adaptada do livro Natural de Joana Alves, p. 125

100g de morangos
100g de mirtilos
folhas de hortelã limão
2 colheres de sopa de sementes de chia
água de côco qb

Num liquidificador juntas todos os ingredientes, excepto a chia. Triturar bem e depois acrescentar as as sementes. Guardar num frasco no frigorífico pelo menos 60m para gelificar.



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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eu, tu e o tofu.


Recentemente fomos almoçar a um dos meus restaurantes favoritos, o vegetariano Psi junto ao Campo Mártires da Pátria. Este é um daqueles sítios a que voltamos mesmo sem fome. O espaço é lindíssimo, num ambiente com decoração indiana, imensa luz, localizado num jardim ao estilo oásis em pleno coração de Lisboa. Há anos atrás quis levar o meu actual marido a jantar ao romântico Psi e enquanto aguardávamos que nos encaminhassem à mesa, ele espreitou a ementa. Em pânico, atirou-me com um "mas aqui não há carne?!". Ao que eu respondi, "é um restaurante vegetariano, urso" (não sei se respondi mesmo assim, mas se não o fiz, devia). "Mas eu não gosto de nada disto...", continuou ele, aterrado. "Qual é o teu legume favorito?", perguntei eu. E eis que ele remata com: "Esparregado...". Tenho quase a certeza que já aqui partilhei esta história, mas vale sempre a pena recordar. O meu marido tem outras tiradas engraçadas, mas vou guardá-las para as usar em meu proveito, como quando ele disse que eu parecia uma linda zebra no meu vestido de casamento branco e preto... Digamos que ele se destaca por conseguir conciliar um sentido de humor muito particular com uma enorme capacidade para aguentar sem respirar debaixo de água. 

Continuando... Há dias fomos almoçar ao Psi e, apesar do Manel já estar habituado à alimentação vegetariana, que é cerca de 80% do que comemos cá em casa, aconselhei-o a pedir os cogumelos recheados de entre os três pratos do dia disponíveis. Pareceu-me o mais aproximado possível do que cozinho cá em casa e com ingredientes que facilmente identificava como "amigáveis". Eu optei por uma korean tofu bowl, picante. Há anos atrás ele seria o primeiro a torcer o nariz a ir sequer almoçar num vegetariano, como aliás o exemplo ilustrativo acima assim o demonstra. Por isso tentamos encontrar-nos a meio caminho: bem cozinhado, ele prova tudo. Quando nos sentámos e me vi frente a este delicioso prato...

Directamente do meu instagram (@mary.jane.1983) para o mundo.
... e provei o tofu, assumi que ele ia gostar. Ainda se desviou do meu garfo, espetado em direcção à sua boca ao estilo aviaozinho em queda livre, mas mal provou o tofu, ele adorou-o. Não só o adorou, como comeu metade do que me puseram à frente. E no dia seguinte perguntou-me: "já pesquisaste como fazer aquele tofu?..." Nunca nos meus sonhos mais loucos alguma vez esperei este tipo de reacção daquele que há doze anos atrás não sabia distinguir esparregado de espinafres. Mas pronto, as pessoas evoluem. Qualquer dia está a colocar a máquina da roupa a lavar sem eu ter de lhe pedir  repetidamente e explicar pela enésima vez como separar os claros dos escuros. Baby steps.

Abaixo segue a minha tentativa de recrear o prato que me serviram no Psi. Procurei acertar na receita da marinada do tofu e ficou parecida. Tudo o resto é invenção minha. Da próxima vez vou dobrar o molho para poder envolvê-lo também nos noodles e logo vos conto como fica...



Tofu asiático

para a marinada

receita adaptada de Vegan Miam

400g de tofu firme cortado em cubos
3 dentes de alho esmagados
1 colher de chá de gengibre ralado
1 colher de sopa de tamari
1 colher de sopa de mirin
1 colher de sopa de xarope de ácer
1 colher de café de piri piri moído

50g de glass noodles
250g de feijão verde 
sal
óleo de côco
coentros frescos picados
sementes de sésamo

Deixar o tofu envolvido na marinada durante 24h no frigorífico.
No dia seguinte começar por arranjar o feijão verde, lavando-o com cuidado, aparando as pontas e cortando ao meio. Cozer o feijão ao vapor até que fique al dente. Entretanto ferver água e deixar os glass noodles de molho 5m. Escorrer bem, acrescentar uma pitada de sal e misturar com o feijão verde quando este estiver pronto. Aquecer o óleo de côco numa frigideira. Aí fritar os cubos de tofu de todos os lados. Juntar à massa e servir imediatamente com coentros picados e polvilhado com sementes de sésamo.

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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Nem acredito que a Sara editou um livro!


Há publicações que me dão tanto prazer de escrever! No passado dia 12 fui ao showcooking da Sara Oliveira na Feira do Livro. A Sara, talvez a reconheçam destas andanças: é a autora do blogue, agora livro, Nem acredito que é saudável. Combinei com a Patrícia do Not Guilty Pleasure e à hora marcada lá estávamos, sentadas na plateia e debaixo dos aspersores da Leya. Assistimos à Sara preparar umas trufas bem doces no palco onde há dias atrás os mesmos autores de um dos blogues de culinária vegetariana mais famosos nos presenteava com as suas criações culinárias. Há anos que sigo o  Nem acredito que é saudável, já fiz várias das suas receitas, li atentamente toda  informação nutricional com que a Sara nos presenteia e troquei comentários quase numa base diária com a autora do blogue. Não fiquei surpreendida que a Sara fosse tão doce como a pessoa que já idealizara na minha cabeça e desejo-lhe todo o sucesso, que este showcooking tenha sido o primeiro de muitos e que os próximos livros tragam ainda mais receitas deliciosas e saudáveis, como todos nós queremos. 

Como não podia deixar de ser, trago-vos uma receita retirada do seu livro, aquela que me despertou mais à atenção: granola de lentilhas! WHAT?!! Quando passeava pelo índice ainda sentada na plateia soube logo que tinha de experimentar esta receita. E porquê? Adoro lentilhas + adoro granola + adoro o blogue. Fiz umas pequenas alterações motivadas pela ausência na minha despensa dos ingredientes originais indicados (nomeadamente margarina vegetal por óleo de côco e xarope de ácer por mel), mas de resto acho que fui bastante fiel à receita.

Agora o livro da Sara, devidamente autografado, repousa na minha já populada estante, entre o Jamie Oliver, a Gabriela Oliveira e muitos mais autores que admiro, à espera da próxima oportunidade para brilhar na minha cozinha. Para já ficam com esta granola, mas eu já ando de olho no bolo de quinoa e cacau que a Sara nos deu a provar no dia 12...


Granola de lentilhas


receita adaptada do livro Nem acredito que é saudável de Sara Oliveira, p. 50


180g de lentilhas vermelhas sem casca
100g de flocos de aveia integrais
70g de óleo de côco
80g de mel
1 cup de frutos secos (usei caju e castanha do pará partidos grosseiramente)
1 cup de sementes (usei sementes de girassol)
1 colher de chá de canela em pó
um colher de chá de extracto de baunilha

Colocar as lentilhas de molho no dobro da água durante 20m. Entretanto, numa taça grande, misturar os outros ingredientes. Escorrer bem a água das lentilhas e envolvê-las no preparado anterior. Levar ao forno a 160º cerca de 30m, mexendo frequentemente para evitar que a granola queime. Deixar arrefecer, guardar em frascos e servir com iogurte ou leite vegetal.


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