Jantamos?

Tendo ficado sozinha para jantar e continuando a saga de "experiências culinárias que provavelmente só me agradarão a mim", fui pesquisar novos usos para o seitan que sobrou. Tenho uma grande dívida de gratidão pela internet, no que a cozinhar diz respeito. Quando saí de casa, sozinha, aos 21 anos, nem um ovo sabia fritar. Também não sabia limpar a casa ou passar a ferro, mas isso são outros quinhentos... Ficou para a história a minha primeira experiência na cozinha: pão de alho com uma cabeça de alho inteiro. Cortei as fatias de pão, barrei-as com todo o alho triturado. Conclusão, durante meses nem um vampiro se aproximou de mim. Depois percebi que se ia começar do zero, tinha de me servir de algum tipo de guia... ou receita! Como não tinha dinheiro para comprar livros de culinária, pesquisava na internet e experimentava as receitas com o que tinha em casa. Saíram tantas asneiras, mas pelo caminho fui aperfeiçoando a técnica. Das memórias mais ricas que tenho da infância contam-se as horas que passei na cozinha com a minha Avó. Anos depois, numa altura em que mais precisei dela ao meu lado, acredito que cozinhar tendo só a sua memória como companhia, me ajudou a dissipar alguns nevoeiros. E a tentar ser melhor, para que ela se orgulhasse de mim. Se é para fazer alguma coisa, que seja bem feita.

Como quando saí de casa não levei comigo o seu livro de receitas da Idalita cheio de anotações ao lado - "este bolo fica melhor com mais 50 gramas de açúcar..." - e nódoas de toda a espécie, nem tão pouco as receitas escritas à mão, partilhadas por amigas ou pedidas a donos de restaurantes, enfiadas dentro das Teleculinárias e que infelizmente ninguém se deu ao trabalho de guardar num ficheiro word, tive de criar o meu próprio espólio. Fui guardando as receitas que ia encontrando, organizei-as por ingrediente e tipo de refeição, e foi assim que sites e blogues de culinária me ensinaram a cozinhar. De entre os meus preferidos encontram-se estes, que tenho muito gosto em partilhar: As Minhas Receitas, Vaqueiro, No Soup For you, Kitchenet... Há muitos mais e terão oportunidade de aparecer também aqui noutras ocasiões.

Porém, quando ando desinspirada, recorro à solução que me salvou há 8 anos atrás. A minha táctica é simples: abro uma nova tab no firefox, escrevo os ingredientes que tenho disponíveis para cozinhar e carrego enter. Desta vez: cogumelos, seitan. Das várias sugestões que me foram dadas pelo google, bifinhos de seitan com cogumelos foi a que me despertou mais interesse. Na minha ignorância, sempre pensei que bifes de seitan era algo que se vendia já preparado (e se calhar até é verdade) e regra geral cortava os pedaços de glúten em cubos e salteava com legumes. Este prato já enjoava e penso que o que fez realmente diferença no sabor do meu jantar de ontem foi a variação no corte. 

Desta vez, ao contrário do que faço 99% das vezes, não adaptei a receita, nem me pus a inventar. Segui-a tal e qual como aparece no blog da Fátima (que apenas conheci ontem, mas do qual fiquei fã e cujo nome é hilariante) e por isso mesmo, cá vai para quem não se quer dar ao trabalho de abrir o link:

"Cortar o seitan em fatias muito fininhas. Numa frigideira deitar manteiga e alho. Deixar alourar. Acrescentar o seitan. Temperar com molho de soja e louro. Deitar os cogumelos laminados e envolver. Como gosto muito de pimenta, não pude deixar de acrescentar. Deitam-se as natas, e cozem um pouco."


 

                       
Em termos de quantidades, usei meia embalagem de seitan, meia embalagem de natas, um dente de alho, molho de soja q.b. e duas folhas de louro. Chegou para o jantar de ontem e sobrou para o almoço de hoje.  

Também acompanhei com arroz branco e salada e comecei a refeição com o fantástico gaspacho do Pingo Doce. Já tentei fazer esta receita em casa e não ficou nem de longe nem de perto tão delicioso, pelo que em termos de qualidade e preço, agora opto sempre por trazer os pacotes de 1,50€ de gaspacho do "sítio do costume"...

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