The Middle.


 
Se me pedissem para descrever esta família numa palavra apenas, diria patética. The Middle conta a história dos Heck que vivem no meio do nada (Orson, Indiana), da classe média, protagonizada por um casal de meia idade que, claramente, não chegou longe na vida. Eu diria algo diferente: a única diferença entre estes coitados e o vulgo white trash é não fazerem da sua residência uma roulote num parque. De resto, dividem-se em vários trabalhos para pagar coisas que não têm posses para adquirir. Frankie, a mãe, tenta vender carros quando nesta economia a indústria automóvel já deu o que tinha a dar. Mike, o pai, conduz uma carrinha de distribuição de bolos à noite enquanto durante o dia dirige uma pedreira. O filho mais velho, Axl, passa metade do tempo de boxers em frente à televisão. A filha, Sue, é praticamente invisível para toda a escola, excepto quando passa pelas experiências mais humilhantes. Brick, o mais novo, segreda a última palavra de cada frase que diz, enquanto que o resto do tempo passa-o com o nariz enfiado num livro [curiosamente, o actor é consideravelmente mais velho do que a personagem que interpreta, mas devido a uma doença genética dos ossos de que sofre, tem o seu desenvolvimento comprometido]. Alimentam-se diariamente de fast-food numa casa onde o maior luxo é a visita à loja das carpetes no 17º aniversário de casamento de Frankie e Mike.

As angústias vividas por esta família, embora levadas ao extremo, são as de todos nós. Contas que não se conseguem pagar, demasiado tempo passado em frente à televisão, expectativas reduzidas. No entanto, Frankie contrapõe o pessimismo (ou será realismo?) de Mike com a sua máxima "devemos fazer tudo pela família". A sua dedicação só é ultrapassada por Sue, uma adolescente que combate as suas incapacidades com uma espírito demasiado optimista, vendo uma oportunidade nas contrariedades, roçando sempre o ridículo. Axl não é aluno para entrar na faculdade, mas como atleta poderá vir a fazê-lo com a ajuda de uma bolsa. E Brick, um pequeno génio, contrapõe a iliteracia de toda esta família lendo obsessivamente tudo o que lhe passa pelas mãos: dos clássicos, passando por livros sobre como melhor viver a sua menopausa a manuais de instruções.

É uma série que entretém em 20 minutos, mas que conta mais histórias do que as que vêm nas entrelinhas. Pelo menos para mim. 

Estreia dia 26 de Setembro nos EUA.

Comments

  1. Esta é uma daquelas séries que eu não consigo ver, até porque me parece uma versão triste da série Malcom in the middle.

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    1. Eu gosto taaaanto deles! São tão fofinhos e patéticos! Do Malcolm fui fã durante algum tempo e depois cansei-me, quando a fox se lembrou de passar todas as temporadas de seguida ao sábado de manhã. E Modern Family gostas?

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