“The truth is, everyone is going to hurt you. You just got to find the ones worth suffering for.” ― Bob Marley



Nos últimos tempos tenho visto amigos partir. Não morreram, apenas morreram para mim. Como qualquer morte, obriga a um período de luto: Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação. Consoante o amigo em questão, também me encontro num período diferente deste processo. 

Não acredito que devemos perdoar tudo aos nossos "amigos". Se são verdadeiramente nossos amigos, há determinadas coisas que simplesmente não o farão. Porque se são nossos amigos, não nos querem ver sofrer, não nos querem mal, não nos invejam, não nos boicotam, não nos atiram ao chão para depois nos saltar em cima. Não me parece difícil de perceber uma regra básica como esta.

No entanto, acredito no perdão. Toda a gente tem o direito de errar, de fazer asneira, de voltar atrás, de assumir o erro, de pedir desculpa. Nesses casos, cabe-nos a nós deixar ou não a pessoa voltar a entrar na nossa vida. Fazer tábua rasa? Duvido. Perdoar sim, esquecer não.

A lição mais importante que retiro destas experiências recentes: não vale a pena chorar porque a porta se fechou. Lamentar o fim de amizades que já estavam moribundas. Na maior parte dos casos - ok, em todos - o comportamento mantinha-se há anos, a minha paciência é que se esgotou. Apenas lamento o tempo perdido com pessoas que não valiam a pena. O que detesto são pessoas que na cara apresentam sempre um sorriso e nas costas dizem as maiores barbaridades. Porque é feio acabar com amizades, porque se conhecem há tanto tempo, porque aos amigos tudo se perdoa. Hipocrisia. Prefiro maus amigos do que amigos falsos, por isso opto por ser honesta nestes casos e não me andar a enganar nem a mim nem aos outros. E que tal assumirmos todos que por vezes cada um cresce para o seu lado, que a amizade deixa de fazer sentido e que mais vale deixar as coisas por ali, em vez de nos andarmos a magoar mutuamente? 

Depois da negação porque um amigo não faria tal coisa; da raiva por ter sido feita de parva; de tentar negociar novos termos, mesmo que unilateralmente; de deprimir e de sentir saudades do pouco que ainda fazia valer a pena continuar com aquela amizade, finalmente chega a aceitação. Chega a altura de perceber que já me andava espremer para me enfiar em relações sem sentido, moldando-me a formas que não são as minhas. Tudo o que de mau aquela amizade me trazia, partiu também. E ficou espaço para novas amizades que tanto me têm preenchido os dias, em vez de os tornarem ainda mais cinzentos. 


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