“You don't know how to live. You live.” ― Marty Rubin

Somos a geração dos que adiam. Dos que não podem senão adiar. Dos que cresceram à rasca, dos salários de 1000€ e dos que agora se indignam. 
Tínhamos planos para os 20, esses foram adiados para os 30. Acabar a faculdade, comprar carro, comprar casa, ter filhos. Acabar a faculdade, trabalhar num callcenter, pedir o carro emprestado, sair da casa dos pais ou ter alguma qualidade de vida? A casa, a casa maior; o carro, o carro maior. Essa progressão que para os nossos pais fez todo o sentido, para nós já não é sinónimo da vida burguesa que queríamos combater. Já nem isso está ao nosso dispor.
Não queríamos trabalhar fechados num escritório, atrás de uma secretária, das 9 às 5, a poupar para as férias no Algarve e o carro novo. Queríamos um mundo à nossa medida, romper com as rotinas anteriores, valorizar cada dia e não repetir os erros dos nossos pais. Essa herança foi gasta e já não nos calhou. Agora protestamos contra quê? Contra o que não queríamos para nós. Perdemos aquilo contra lutávamos, sabendo, no entanto, que se tudo o resto falhasse, ao menos essa rede estaria lá à nossa espera. Agora o que nos resta é contarmos com o apoio dos que não têm outra opção senão continuar a trabalhar por nós, já que a nós não nos dão trabalho. Vestiram-nos, alimentaram-nos, investiram na nossa educação e agora ajudam na mercearia.
Outro ano passa. Os dias tornam-se semanas, as semanas meses, passam-se anos, décadas. O que se adia, nunca mais chega. E agora parece cada vez mais distante.



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