"Experience is simply the name we give to our mistakes." - Oscar Wilde

Depois de um fim de semana em terras longínquas de Lisboa - para ser franca, longe do que muitos consideram civilização - vim de lá com a certeza que para se ser sacana, basta aprender com os nossos erros. Vejamos. Quando levamos não uma, mas duas ou três patadas e continuamos a voltar aos mesmos sítios, às mesmas pessoas, aos mesmos comportamentos, temos que parar e perguntar-nos a nós próprios: até que ponto é que isto já não é culpa dos outros mas começa a ser culpa minha também?
 
Todos temos ângulos mais fracos. Aquele flanco que mais facilmente desaba ao mais pequeno toque. Aquele que dói não interessa porquê nem sabemos bem onde ou como começou a magoar; mas sabemos que está lá e que mais do que qualquer outro, tem de ser protegido, porque é como a parede mestra que desmorona. Quando esta cai, as outras caem todas com ela.

Talvez por andar constantemente à procura do que me fugiu, procuro noutras o que sempre me faltará. Aquela sensação de que, se cair, há sempre uma rede que me agarre. Não a tendo, procuro alternativas. Mas não há. Não há nada que substitua aquele calor.

Regra geral, face a determinadas pessoas, tive a tendência de perdoar. Ou tentar passar por cima do assunto. Porém, cheguei à conclusão que não vale a pena. Há pessoas que pura e simplesmente não merecem que percamos tempo a dar-lhes segundas e terceiras chances. Não merecem que se passe um pano em cima do assunto e que se tente esquecer. Não vale a pena remoer rancores, ressentimentos ou outros dissabores. A culpa é minha pela minha incapacidade de reconhecer a incapacidade dos outros em mudar. Eu também pensava que não mudava. Até que mudei. Virei as costas depois de mostrar o meu maior e mais gélido sorriso. Não esperei demais, não olhei sequer na cara mais do que o socialmente convencionado. E levei a minha alegria para outro lado. Os outros não viram a minha cara tensa, conheceram o melhor de mim. Isso bastará para que as pessoas formem a sua opinião e ignorem o que se diz de mim nas costas. Porque factos pesam mais do que opiniões e eu sei formar opiniões. Tentei aprender com os erros passados e não abrir caminho a novas oportunidades de apanhar os pedacinhos do meu coração do chão. Tentei aproveitar o melhor que dali poderia retirar, junto a outras pessoas que não me têm ao seu alcance. Pensei que não conseguiria, mas sorri, cantei, dancei. Até que me puseram o braço por cima. E eu ignorei-o.

Não existia antes em mim esta capacidade para nem sequer olhar e foi isso que me surpreendeu. Posso eu não ter mudado e ser sempre a mesma miúda patética e carente de atenção, mas agora pelo menos sei que posso acrescentar mais um adjectivo a essa descrição: gélida.


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