Se uma árvore cai na floresta e ninguém está por perto para ouvi-la, será que faz barulho?

Às vezes penso se estarás sempre sozinha e como será não ter ninguém. De como deve ser solitário ter sempre razão. Talvez fosse melhor estar errado, dar um passo atrás e encontrar aí alguém. É essa a minha sugestão. Qual é a tua? Negação. Até que a vista fique toldada, os pensamentos colados e os lábios entrelameados. Colocar um pé à frente do outro, tombar para o lado e não haver uma mão que se estenda. Ficar deitada no chão, a chorar, a noite toda. Ninguém te ouve. Ninguém te ouve porque afastaste com gritos todos aqueles que ainda te queriam escutar. Deixaste-nos a todos surdos. E o silêncio da distância e da incerteza é, de todos, o mais ensurdecedor.

O que pensas que vais encontrar no fundo? A confirmação de que nunca erraste dura apenas algumas horas. Não és invencível ou magnífica; és humana e, como todos nós, no dia seguinte lutas com a desidratação de todas as lágrimas.

Consigo contar os meses, os anos desde a última vez que tentei. É muito tempo. Só é suposto cortar este cordão uma vez na vida. Tu puxaste-o, torceste-o, mordeste-o, cuspiste-o, mastigaste-o, voltaste a puxá-lo e torturaste-me.

Só há mais uma coisa a esperar. E eu continuo a aguardar ansiosamente na antecâmera do Inferno.


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