Maria.

Gostos não se discutem, eu sei. Não há melhores, não há piores e muitas vezes nem sequer vale a pena educar seja o que for. São como a fé, estão para além de explicação possível e entram em nós como dogmas. No entanto, há outros gostos que conseguimos traçar até à sua origem, entrelaçá-los com experiências de vida e destacar até que ponto nos mudaram.

Para mim só há uma banda portuguesa de culto, os GNR. Enquanto milhões de portugueses entoam os hinos dos Xutos & Pontapés, outros atiçam a rivalidade desta banda com os nortenhos GNR comparando-a à eterna luta Sagres versus Super Bock. Não tenho nada contra os Xutos, simplesmente esta não é a MINHA banda portuguesa. 

A minha paixão - sim, paixão, já vão entender porquê - começou bem cedo, deveria eu ter uns 8 anos e ainda morava em Leiria. Sabem aquelas pancadas pré-adolescentes e que nos levam a suspirar pelo primeiro amor platónico e a recortar as primeiras fotografias das revistas? Pronto, o meu foi o Rui Reininho, vocalista dos GNR. Outro dos álbuns que ouvia de uma ponta à outra e cujas letras de todas as músicas decorei foi o "Rock in Rio Douro". Na altura, toda a gente se metia comigo porque também não fiz por esconder a minha paixoneta. Pelo contrário. Devo ter sido a única fã que foi ao concerto dos GNR em Alvalade (onde adormeci no colo do meu pai porque nos deixaram horas à espera pelo início) e dias depois ao seu outro concerto no pavilhão desportivo em Leiria. Estava vidrada a olhar para o Rui Reininho e achei de muito mau gosto quando as adolescentes ao meu lado se puseram a fazer circular papel higiénico pela sala, passando os rolos de mão em mão. Estava ali por razões sérias, queria ouvir a música, não brincar!

Rui Reininho foi responsável por mais do que consolidar o meu gosto por esta banda do norte. Com ele, vi desenhar e ganhar forma o meu tipo de homem: alto, moreno, angular. Os meus namorados e, claro está, o meu marido, seguiram este modelo. Bom, excepto um que tinha o cabelo louro e comprido, mas eu também tinha 16 anos na altura e vestia-me toda de preto... Do Rui Reininho passei para o jogador Folha, do FCP, numa altura em que, liderada por Bobby Robson, a equipa das Antas começou a consolidar a liderança no futebol nacional [nem dou 2 minutos para o lampião do meu irmão fechar o blogue...]. FOI O PENTA!!!! E com ele, o meu desinteresse por futebol que me levava a torcer apaticamente pelo sempre desinspirado Belenenses numa família dividida entre o encarnado e o verde, aproximou-me ainda mais do norte. Daqui foi um passo até me afirmar como portista, mais porque gosto de ser do contra e suspirava pelo Folha, não tanto porque adore o desporto em causa. Os traços deste jogador levavam-me a crer que fora separado à nascença de Richard Gere - o actor favorito da minha mãe. As suas apagadas prestações (excepto quando do lado esquerdo, fazia cruzamentos inesquecíveis para o golo, mas só eu me lembro destas coisas e sou suspeita...) foram motivo de chacota familiar durante anos. A única coisa boa que me ficou desta odisseia foram as inúmeras vitórias do meu clube e como gosto de esfregá-las na cara de lampiões e lagartos.

Por isso é sempre com imenso prazer quando revisito algumas músicas dos GNR, que têm quase todas a minha idade. Cresceram comigo e eu cresci com elas. E esta até tem o meu nome.





Comments

  1. Fantástico!!!! Realmente, há coisas e pessoas que nos marcam para a vida!!!

    Tenho sorteio no meu blog!!!
    Bjos e boa semana!!!

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    xoxo

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  2. Não sou portista mas sou do norte e gosto muito de GNR! Beijinhos*

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    1. e eu não sou do norte e gosto muito de GNR e do FCP! :p

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    2. Regionalismos à parte, o que é do norte tem outro charme! ;) tu, porque tens bom gosto musical e clubístico, gozas de estatuto honorário! :)

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    3. O charme vem da pronúncia do norte, outra música dos GNR!
      Muito obrigada! Gosto muito do Porto cidade, tenho lá metade da minha família e o clube do meu coração, mas sou alfacinha! Sou trans-regionalismos! ;)

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  3. Humm...estava aqui a tentar adivinhar se será Maria à frente ou atrás...humm...é que à frente fica muito mais sui generis:P

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