2012

[Estou a escrever isto dia 20 de Dezembro. Por isso, se o estão a ler, é porque o mundo não acabou e o texto faz sentido.]

Entrámos naquela semana do limbo entre o Natal e o fim de ano, em que se acumulam os "o que vais fazer no dia 31?". Não sei ainda, detesto o fim de ano, a necessidade imperativa de sairmos para nos divertirmos, como se fosse uma noite muito diferente das outras. Aliás, o que se finda mesmo e quando? Já viram há quantas horas o sol nasceu e se pôs na Austrália? O tempo é o que fazemos dele e a dias do fim do ano ainda não sei o que fazer no réveillon. Passas, champanhe, se à meia noite ainda me lembrar como, conto de 10 para trás, e depois volto para casa porque o preço desta noite está inflacionado e eu quero é fugir das multidões.

Esta semana é de ninguém. No telejornal passam o ano em revista e a mim dá-me para revisitar também o que fiz e o que deixei por fazer em 2012. Vejamos então:

Fui a Inglaterra: passei o meu 29º aniversário em Cambridge porque já estava com saudades e passeei por Londres onde, entre provas de vestidos de alta costura e uma crise de ciática de me atirar para o chão, fomos muito felizes
 
Casei-me: tendo em conta que o meu sonho nunca foi casar e ser mãe de penalty, o único valor que dou a este facto foi mesmo ter organizado uma festa para os que me são próximos onde todos puderam testemunhar o quanto gosto dele, ao ponto de me comprometer para a vida.

Aprendi a separar o trigo do joio: no enquadramento deste grande dia, consegui perceber quem é realmente meu amigo ou quem por cá anda só para a festa e quando não custa (como se não bastasse viver há anos sob a máxima "mais vale só do que mal acompanhada", ainda sou apanhada despercebida...).

Voltei a Nova Iorque: desta vez, em lua de mel. Foi espectacular - como sempre - e mais espectacular ainda - como seria de esperar. Para além disso, assisti a uma peça com o meu actor favorito na Broadway!

Experimentei uns Louboutin pela primeira vez: com muita pena minha, ficaram na loja porque não eram apropriados para o casamento e os que seriam não me serviam.

Inaugurei o [Limited Edition]: depois de vários anos a ler blogues, iniciei este de onde vos escrevo e, como consequência, percebi como a máquina funciona; consequentemente, deixei de ler 90% dos blogues que seguia e recuperei o gosto por escrever.

Os meus gatos não foram ao veterinário: para além da consulta anual para a vacina e check up, este ano foi o oposto de 2011, onde fomos ao veterinário em média uma vez a cada duas semanas e íamos ficando sem o Forlán em diversas ocasiões...

Não acabei a tese and I am the only one to blame for: nunca quis "casar-me antes dos 30 ou ser mãe antes dos 30", queria apenas acabar o doutoramento antes dos 30. Mas a vida pôs-se no meio e como não sou gaja de apontar o dedo aos outros antes de o apontar a mim primeiro, vou só ali castigar-me porque mereço umas palmadas ao género das que levava no colégio das freiras, com direito a reguadas e tudo. Porém, para o fim caminho! De todas as maneiras possíveis e imaginárias...

A crise (palavra mágica do ano transacto): caiu sobre as nossas cabeças como um bloco de cimento e tivemos todos de reajustar as expectativas e fazer um "downsizing do lifestyle" como diz a outra burra; e mesmo no que não fizemos, tivemos de respeitar quem o fez e ser insultados por não participarmos ou apoiarmos manifestações, sem que as pessoas nos tivessem sequer perguntado porque não o fizemos.

Pronto, foi isto. O tempo é realmente o que fazemos dele... Ao menos este ano houve saúde, algo que faltou no ano passado. A minha e a dos outros. Foi um bom ano, portanto. Mas incompleto. 



Comments

  1. Eu que estou de fora acho que foi um ano espetacular. Em cheio mesmo!

    ReplyDelete
  2. Parece que foi um bom ano não? Beijinhos*

    ReplyDelete
  3. É nestas coisas que vejo como sou pessimista e vejo sempre o copo meio vazio em vez de meio cheio. Tenho mesmo de começar a valorizar mais o que de bom me acontece do que lamentar o mau... Seja como for, e em minha defesa que se calhar não me expliquei bem, dedicar um ano a escrever uma tese que não ficou terminada ainda e sem bolsa, é o suficiente para concluir com a sensação de que "foi um bom ano, mas incompleto".

    ReplyDelete
  4. É daquelas coisas, problemas ou pedras no caminho todos nós vamos tendo, o importante é dar valor ao que temos e às coisas boas que vão surgindo.
    Identifiquei-me contigo, nunca sonhei casar nem ter filhos (o primeiro acabei por fazer, o segundo logo se vê, mas dúvido que seja antes dos 30, ainda não senti o clique para ser mãe); também entreguei a minha tese um ano depois do previsto e fiquei sem bolsa porque a PORRA da tese vale muitos créditos e isso para eles é como tivesse chumbado várias cadeiras! Enfim. AH ... também aprendi a separar o trigo do joio e foi na altura do casamento que abri os olhos para os verdadeiros amigos!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Somos tão parecidas, realmente. ;) Sim, o casamento foi tipo prova de fogo em vários aspectos (só comparável ao doutoramento em termos de exaustão) e percebi que andava a desperdiçar o meu tempo com gente que não interessava.
      Pensava que me tinhas dito que tinhas feito aqui no ISCTE o mestrado, não sabia que também tinhas avançado para o doutoramento com bolsa, ou sem ela a determinada altura. Eu não perdi a bolsa da FCT, simplesmente esgotaram-se os 4 anos porque usei o primeiro para o mestrado e fiquei apenas com 3 para o doutoramento, o que é contraproducente (ou não tivesse entregue só um colega meu até à data). E sim, ser identificada como "repetente" nos serviços académicos porque demorei 4 e não 3 anos (tendo em conta que aqui já aplicaram Bolonha e os doutoramentos perderam um ano curricular) é do mais fixe que há. Parece que chumbei na 4ª classe e fiquei na mesa dos que não aprenderam as contas de dividir...

      Delete
    2. Não, não avancei para doutoramente. Fiquei demasiado traumatizada com a tese de mestrado para isso! LOL. A bolsa que estava a falar era dos serviços sociais, fiz confusão. Bolsa da FCT só tive enquanto trabalhei.
      Eu fiquei mais um ano a terminar a tese porque a minha orientadora era uma pessoa muito ocupada, só marcava reuniões passado um mês e durante essa altura não podia avançar com nada porque não sabia se podia ou não!

      Delete
    3. Como eu adoro orientadores assim... a minha tem fases e tem as suas coisas más, mas não chega a tanto. No doutoramento também temos de ser mais independentes (leia-se, salve-se quem puder). Eu gostaria de continuar na investigação, vida académica, mas não sei se estou para isto. Cada vez mais me arrependo. Não temos direitos, não temos futuro, andamos sempre a apalpar terreno. Supostamente deveríamos ser tratados de outro modo tendo em conta onde conseguimos chegar, mas se ainda hoje oiço alguns palermas dizer "mas porque queres direitos, tu ainda estás só a estudar!?", o que se pode esperar da maioria que não percebe as condições de trabalho de quem se profissionalizou como investigador social? Só me resta a mim acabar isto e mudar, é do que me ando a tentar convencer ultimamente.

      Delete
  5. Parece-me que tiveste um bom ano, esquece os copos.

    Aprende-se muito mais nos maus momentos, que nos bons. Os verdadeiros amigos estarão presentes quando estiveres nesses maus momentos. (Ficarás ou já ficaste, bastante surpreendida com quem irá aparecer). Eu também não fiz a faculdade nos 6 anos regulamentares, demorei bem mais. (Problemas de saúde, quase me custaram o curso). No mundo real, os 20 da faculdade são meramente indicativos, raramente são uma confirmação.

    A tua coluna vai agradecer a impossibilidade dos sapatos e leva os bichanos ao veterinário. Quando os vires partir, vais achar que nem todos os euros que te fizeram gastar, vão apaziguar as saudades.

    Acredita, eu sei do que estou a falar, feliz ou infelizmente.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Eu também acho que entre quantidade e qualidade, que me deixem fazer a tese no meu tempo (que nem sequer extrapolou ainda o que seria de esperar). Também houve alguns problemas de saúde pelo meio, mas acredito que nada tão grave como o que te terá acontecido.
      Os gatos não precisaram de ir ao veterinário, o que foi uma óptima notícia. No ano passado tivemos de lidar com hemoparasitas, edemas pulmonares, otites, gastrites, injecções semanais de interferão...
      Em relação aos sapatos, em minha defesa, odeio vestidos de casamento e não tive um. Assim, já que era para gastar dinheiro em algo (bastante mais barato do que o vestido, embora sempre caro) que fosse neste meu fetiche com potencialidade para usar mais vezes durante a vida. Porém, calçando o 34, a coisa complica-se... Só desisti completamente quando uma amiga minha se virou e disse "mas porque queres tanto esses sapatos? vais gastar imenso dinheiro e vão magoar-te o dia todo". Comprei outros que me fizeram tanto mal como esses Louboutin fariam à coluna, mas bem mais baratos! Foi só um dia... ;)

      Delete

Post a Comment

Popular Posts