E depois da tempestade?


O vento levantou-se. Não um vento novo ou fresco, mas o mesmo vento de sempre. O que se levanta sempre ao encontrar no caminho algum obstáculo que não quer ou não sabe ultrapassar. Então o vento enfurece-se, sobe, cresce, explode e empurra para as margens tudo o que jaz à sua frente. As árvores deixam de abanar os seus ramos e abraçam-se receando perder as folhas que juraram proteger. As pedras encolhem-se e retraem-se. Os coelhos escondem-se nas tocas, o mais fundo possível porque a escuridão se instalou cá fora. O ar fica suspenso na violência do vento. Mas o vento não ouve. O vento é surdo, porque na surdez da sua violência apenas a ele se consegue ouvir. O vento corrompe. As árvores ficam mais despedidas, algumas folhas não conseguiram proteger. As pedras erodiram. A luz cegou os coelhos. E o vento continua o seu caminho, sem contar quem ficou para trás, quem magoou ou destruiu.

Comments

  1. Esse vento é cego ou egoísta? ;)
    Beijinhos, e pouca chuva e vento para aí!
    Madalena

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    1. É egoísta e cego, por esta ordem.. Bjs

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