Mais uma semana.

Sim, por cá fico mais uma semana no campo. Tem as suas desvantagens, não haja dúvida. Até porque a determinada altura vou ficar efectivamente sozinha e isso multiplica por 10 a minha tendência natural para a loucura. Nos últimos dias a minha irmã esteve por cá a estudar comigo, preparando-se para os exames do sexto ano de medicina. Como podem ver no desenho abaixo, a determinada altura a coisa descambou. Muitas horas fechada numa cave ocupada com o mesmo trabalho repetitivo poderão ter este efeito no organismo, pelo que no meu caso o mais aconselhado é que a toma seja realizada em doses moderadas. Senāo o resultado não será outro que não este.

Já há uns dias também que não estou com o meu excelentíssimo marido. Ao fim de 48 horas considero aceitável um assomo de saudades. Antes disso, é derrota. Poderão achar estranho, mas eu já aqui afirmei o meu gosto pelo isolamento e como valorizo o meu tempo sozinha. Por isso, julgo que me custa menos do que a maioria a suportar a solidão e as saudades. Também não sou "chimpa" para andar sempre pendurada no pescoço do meu homem, não tenho feitio para isso. Sou também amiga de procurar sempre o melhor nas piores situações, de maneira que vos deixo aqui uma série de vantagens em passar uns tempos distanciada do meu querido P.

1. Posso esticar-me na cama de casal, ocupando com o meu metro e meio de gente não um, mas dois lugares deitada. Curiosamente, deito-me sempre obedientemente do lado direito, o meu, e mal desfaço o esquerdo.

2. Posso deixar crescer os bigodes, um acto verdadeiro antropológico no âmbito do método da observação participante e que me permite misturar e passar despercebida entre os autóctones. Também afasta potenciais investidas amorosas de outros machos.

3. Posso ler à noite sem ter que aturar o P. a mandar-me apagar a luz a cada 30 segundos. Ele, que nem se digna a desligar a televisão antes de adormecer ou mesmo a activar o timer, obriga-me a estupidificar com episódios sem fim de sitcoms que já vi em vez de ler umas páginas.

4. Posso comer polvo se me apetecer! O meu marido nem sequer suporta o cheiro do dito porque - vejam bem só! - quando a mãe estava grávida dele, teve uma indigestão com o referido molusco e ele nunca sequer o provou na vida. Se calhar deveria aprofundar a explicação começando por referir que durante anos ele não comeu nada que a mãe não pré-aprovasse como adequado para o seu paladar, sem que ele sequer se desse ao trabalho de provar por si próprio e escolher. Juro.

5. Também posso fazer sopa sem ter de a passar até à última couve porque o menino não tolera "coisas a boiar no caldo". Alguém para além de mim identifica aqui um padrão? Cheira-me que há determinadas manias dele que só lá vão com um exorcismo.

Pronto, é isto. Claro que esta lista pode ser actualizada a qualquer momento, mas pelo sim, pelo não, ele vem cá este fim‑de‑semana porque as 48h de tolerância já se esgotaram ao tempo e uma mulher não é de ferro.

Comments

  1. Nisso do isolamento, estou contigo. Adoro pessoas mas às vezes sabe-me mesmo bem ter uns momentos só comigo - sendo que ultrapassando um limite de horas a coisa descamba (e muito). Bom trabalho! *

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