Reduzir. Reutilizar. Reciclar.

Isto da crise tem as suas vantagens. Vá lá, oiçam-me primeiro e não comecem já a atirar pedras... Depois de anos de crescimento utópico, sustentado em pés de barro e com diversas consequências sociais, hoje vemo-nos obrigados a pôr um travão em comportamentos que para nós eram automáticos. Somos obrigados a refrear o consumo, reajustámos as nossas expectativas em relação ao que procuramos quando adquirimos um produto e tornámo-nos mais exigentes. O que é bom! E o mercado ajusta-se às nossas necessidades, não temos de ser nós a vergar-nos a ele.

Por outro lado, tudo aquilo que já tínhamos ganhou novo interesse. Já não importa renovar o armário semestralmente com peças de algodão duvidoso ou aquelas arrancadas ao fundo do molho dos saldos que não sabemos bem como aterraram no nosso armário. Analisemos o caso do top com o panda cor de rosa que só custou 5€. Pois, animal print e colour block, estava apenas a tentar ser fashionista... Mas esses tempos acabaram. Estes 5€ fazem agora a diferença e olho para muitas peças que tais, abandonadas nos cabides e ainda com a etiqueta tristemente pendurada. Anteriormente teria pegado em muitos deles, enfiado para dentro de um saco e ligado às minhas irmãs. Não sou adepta de que nos devemos agarrar a peças que pouco ou nada nos dizem, há demasiada gente a necessitar de roupa. Nem sou capaz de reter no meu armário uma camisola que sei que fará a alegria de uma das minhas três irmãs.

Porém, apercebi-me recentemente de um comportamento - lá está, automático - que repetia a cada estação: dava parte da minha roupa para ganhar espaço no armário e adquirir mais. Pois, minhas amigas, esses tempos acabaram. Agora não desprezo uma camisa porque não gosto da maneira como me cai no corpo. Pesquiso looks online que me inspirem a usá-la de outra maneira. As sweats antigas perdem as golas e deixo o ombro espreitar no recorte. Écharpes foram tingidas com lixívia quando o tie dye voltou a estar na moda. Tintas acrílicas foram usadas no galaxy print que devolveu o brilho a velhas t-shirts pretas. Fitas invisíveis foram acrescentadas a vestidos, à semelhança do que a minha avó fazia, para que as alças do soutien à vista (coisa mais feia!) não estragassem o conjunto. Para além de poupar, a minha próxima compra será bem mais consciente e as peças recicladas ganham em originalidade.

As possibilidades são ilimitadas. Basta ter imaginação, um pouco de jeito e muita vontade de aprender. Deixo-vos aqui algumas ideias para os vossos projectos, retiradas do meu Pinterest. Nestas coisas ninguém nasce ensinado, mas somos sempre capazes de nos reinventar. Como a roupa, portanto.

Renda para reaproveitar vestidos com alças finas.
T-shirt reciclada.


Sandálias.

Tie dye.

Galaxy print.

T-Shirt larga reaproveitada.

Comments

  1. Ando tentada a reciclar alguma da minha roupa. Já aventurei-me com móveis e adorei, o próximo passo será com a roupa.

    Bjokas.

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    1. No meu caso, é ao contrário: o meu próximo passo serão os móveis!*

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  2. Também comecei a repensar a compra de roupa e este ano, com muito menos compras, estou bem mais satisfeita com o meu guarda-roupa graças a essa reciclagem de que falas e ao facto de repensar e analisar muito bem todas as lojas e colecções antes de decidir! *

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    1. Pois, realmente precisamos assim de tanta coisa ou andaremos a preencher um vazio da maneira errada?

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