Ensaio sobre a dádiva.


Damos o melhor de nós. Quando não temos o que dar, damo-nos a nós. Por inteiro, às partes, quem dá o máximo não é obrigado a dar mais. Damos porque é recíproco, porque a dádiva circula. Porque isso define uma sociedade, as relações, o nosso ego. Porque não há início nem fim na dádiva, porque nos obriga a retribuir, a relacionarmo-nos com os outros. Porque se não déssemos, a vida parava e isolávamo-nos como ilhas que não somos. Porque nos reflectimos nos outros e queremos ser presenteados com uma imagem agradável. Porque não somos altruístas puros, mas egoístas no fundo.


Comments

  1. A dádiva tem que ser mesmo reciproca porque senão acabaremos por nos sentir lesados. Há quem dê tudo, quem vá dando e quem nunca dê nada e eu penso que a virtude está mesmo no meio porque os outros, como não são perfeitos, podem acabar por abusar. Há também quem não goste de receber e se sinta melhor a dar. Beijinhos

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    1. Sim, é uma maneira de ver as coisas :)

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  2. Curto, objetivo e cheio de significado. Não acrescento nada :)

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    1. eu sou assim: 1,55m de pura sabedoria ;)

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  3. Gostei... não saberia nunca pôr as coisas nessa ordem de palavras, e ainda assim concordo com cada frase que escreveste. E eu também acho que não existe altruísmo puro, e que a natureza do ser humano é ser realmente egoísta. Até os religiosos profundos dedicam a sua vida às orações porque... acreditam que aquilo os salvará no fim.

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    1. por muito abnegados que sejamos, no fundo queremos sempre alcançar algo mais.

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  4. Estamos sempre a querer algo com as nossas acções, quer seja algo absolutamente premeditado ou um simples querer-agradar-o-outro-porque-ele-é-importante-e-o-quero-por-perto.

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    1. Acho que no fundo todas as acções são motivadas pelo simples facto de que queremos que gostem de nós.

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