Eu tinha de falar das almôndegas.


Se conseguirmos ultrapassar o facto de que estávamos a comprar gato por lebre e assumirmos que a carne de cavalo é "tão saudável mas mais barata do que a de vaca", porque é que as lasanhas, almôndegas e hambúrgueres feitos com a primeira não são aptas para o consumidor "normal", mas poderão vir a ser distribuídas pelos pobres? Percebo que não se queira estragar comida, mas acredito que este princípio valha para todos, não apenas para os destinatários do Banco Alimentar. Ou será que é mais um exemplo do que o Spike falava aqui, em que o que não é suficientemente bom para nós que não somos (ainda) objecto de caridade ou solidariedade é, no entanto, apto para quem não pode adquirir os seus bens alimentares? Porque não reintroduzir esses produtos no mercado, devidamente assinalados, e com desconto, só naquela de compensar qualquer coisinha? Assim todos poderíamos usufruir deles, se é que não o fizemos ainda... Quem me ouve falar assim ainda pode ser levado a pensar que tenho algum gosto especial por bifes de cavalo (eu sou mais de "bifes com ovo a cavalo", não sei se esta piada já foi dita por alguém, mas se não, é minha!); mas não, as únicas coisas que me custam mesmo digerir são a hipocrisia e os falsos moralismos.

Vá, ponha lá a mão no ar aquele que nunca sentiu vontade de relinchar depois de almoçar no IKEA!...



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  1. Acho que não há problema em oferecerem a comida. Assim como também acho que podiam começar a fazer lasanhas e almôndegas de carne de cavalo para comercializar, mas entendo que agora não seja fácil reintroduzir tudo o que foi tirado (quero acreditar que não seja por nojo ou por mania da superioridade mas sim porque teria que se mexer ali numas quantas coisas contabilísticas e devolver dinheiro a fulano e tirar a cicrano e seja mais fácil pegar em tudo e dar). *

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    1. mas se assim for, se derem tudo, não se perde o investimento total? se se concluir que é uma carne que todos podemos comer, porque não venderem-na devidamente identificada e com desconto? sempre se recuperava qualquer coisa e podiam dizer "olhem como combatemos a crise com preços mais em conta". cheira-me que há mais nesta história do que o que transparece.

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  2. Eu concordo, não vejo mal em ser dada para caridade, mas acho mal que seja só porque não serve para nós (que serve, mas pronto) Penso que essa atitude se deva mais a uma questão de ética e respeito para com os consumidores (agora né...e não deixa de ser hipócrita como dizes). Também não via qualquer problema na comercialização identificada como carne de cavalo a preços mais baixos como referes, mas se envolve mais confusões e processos e com isto tudo temos carne a apodercer, mais vale dar a quem precisa e nós quem sabe daqui a uns meses não compramos carne de cavalo de livre vontade :)

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    1. O que li é que nao vao decidir ja o que fazer com a carne embora considerem dá-la para caridade em vez de a destruir pq está congelada. Se têm tempo para decidir, podem decidir para os dois lados, digo eu. Logo, nao está a apodrecer, nao há o perigo de terem de encontrar uma solução urgente.

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  3. A carne de cavalo não tem má qualidade e vai ser retirado tudo que a tinha simplesmente por estar etiquetado como carne de vaca. Quem compra quer ter a certeza que compra vaca e não cavalo porque nem todos acham que o cavalo é animal de consumo. Cavalo para mim é animal para estimar e não para comer. Depois desta polémica, eu que já pouca carne comia, passarei a evitar todos os produtos embalados ou enlatados com carne. Como o interesse monetário é enorme não duvido que passei, até, a embalar gato por lebre ou cão por cabrito. Cavalo para mim é equivalente a cão e gato. Há, no entanto, gente que não sente repugnância comendo carne de cavalo e por isso estão dispostos a come-la. Beijinhos

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    1. Eu também nao me sinto inclinada a comer carne de cavalo, mas há tambem uma forte componente cultural por trás que nos diz que nao a devemos comer à semelhança de cães e gatos. Porém a questão aqui não é essa, mas sim se a carne é apta, então é apta para todos.

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  4. Deitar toda essa carne fora é um crime. Porque não oferecê-la à população em geral? Quem quiser pode ir buscá-la. Não concordo que seja utilizada apenas para caridade. Serão uns melhores que os outros? Poderão uns ter de comer o que a maioria rejeita?

    Comer carne de cavalo por carne de vaca, será talvez um mal menor. Nem quero imaginar as surpresas que se comem para aí. Quando se come fora de casa é preciso ter fé! (E um óptimo sistema imunitário).

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