Das certezas inabaláveis.


Tendo eu uma constante (e caso vocês soubessem da história toda, credível) incapacidade em aceitar o bem, a ajuda e o altruísmo, fico sempre espantada quando estes entram pela minha vida dentro, abalando a minha estrutura, reorganizando os meus objectivos e nivelando as minhas prioridades. 

Posso ter uma série de mágoas a registar, lamentos que ninguém me tira, queixas justificadas e dores várias, mas não posso negar que, pelo menos num aspecto, sou a mulher mais sortuda do mundo. E, para alguns, queixinhas. Pudera toda a gente ter esta fortuna e sabendo dar-lhe o respectivo valor, seríamos todos bem mais felizes. Ainda sou incapaz de acreditar que o peso que carreguei comigo nos últimos meses foi levantado hoje. Aquele peso que me prostava, curvada, petrificada, assustada e imóvel. E embora tenha lutado para me libertar dele sozinha (sem pedir ajuda a ninguém, o habitual...) foi apenas falando sobre ele, expondo os meus medos e inseguranças que o resolvi. Continuo a não conseguir acreditar na sorte que tenho, talvez porque estou apenas habituada a presentes envenenados. 

Sei que tenho muitos defeitos. Sou orgulhosa, conflituosa, picuinhas, controladora, desconfiada, desagradável, sarcástica, e para alguns, irascível. Não caibo no bolso de todos. Não fui feita para agradar às multidões e as multidões assustam-me. Mas, por favor, não mo tirem. Não mo tirem como me tiraram a minha avó, a segurança da infância, a possibilidade de sonhar e de ter um futuro, a capacidade de acreditar em mim mesma.

Será que ainda vou a tempo de provar que não fui a aposta errada?


Comments

  1. Precisas prová-lo a ti própria?

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    1. Não me referia a provar a mim neste caso, mas a tua pergunta fez-me pensar e sim, actualmente preciso de prová-lo a mim antes de poder prová-lo aos outros.

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    2. Era precisamente nisso que te queria fazer reflectir...

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    3. Era precisamente nisso que te queria fazer reflectir...

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    4. acho que essa ideia para mim esteve sempre presente inconscientemente enquanto escrevi o texto, mas só depois de me questionares é que conclui que sim, isto é acima de tudo um caminho que devo percorrer primeiro e só em segundo lugar fará sentido provar seja o que for aos outros. penso mesmo que isso será um desenlace natural que poderá acontecer ou não, quando a acção directa não é exercida sobre os outros, mas sobre mim. acho que essa segunda leitura do texto foi muito produtiva, obrigada. embora não fosse esse o tema central do meu texto, a verdade é que acima de tudo tenho de provar a mim própria e não aos outros, mesmo àqueles que - seja porque razão for - acreditam em mim mais do que eu.

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  2. Algo me faz pensar que falas sobre a tua cara metade. Sabes, tiro-te o chapéu por admitires os teus defeitos num lugar tão público como um blog, por mais que seja anónimo. Eu não consigo fazê-lo, e sei que partilho de mais de metade dos defeitos que aí colocaste, e mais uma mão cheia de outros. Houve, uma vez, uma pessoa que apostou em mim. E por mais que eu tentasse afastá-la, que tentei, porque nem confiava a 100% nem me considerava digna de alguém tão bom, não consegui. Uma vez perguntei-lhe directamente porque é que ele não desistia de mim de uma vez por todas. E ele disse-me que não desistiu porque via em mim algo, e que se tantas outras vezes simplesmente desligou-se das pessoas porque percebia que não valia a pena, ele disse que comigo valia. Eu valia a pena, eu era uma aposta certa.
    E esta escolha diz tudo. Vamos sempre a tempo de provar que somos a aposta certa, principalmente quando quem apostou é a pessoa certa também!

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    1. havia de ser bonito vir só para aqui queixar-me dos outros e esquecer-me de apontar o dedo a mim também... ;) claro que não sou perfeita nem para lá devo caminhar, mas faço muitas vezes exames de consciência. até porque sendo mt exigente com os outros, não sei como não poderia sê-lo comigo também.
      o que aconteceu à tua pessoa?
      (a tua última frase diz tudo, não mudo uma vírgula)

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    2. Eu fui-me embora para o Brasil... Deu para aguentar os primeiros seis meses, mas depois quando eu decidi que ia ficar por mais um ano já não foi possível. Ainda voltei para Portugal a pensar que agora sim ia resultar mas agora foi ele para Espanha. Uma relação marcada por desencontros, quem sabe um dia mais tarde! Se tiver de ser, será :)

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    3. Acredito que estão muitos "encontros" marcados pelo destino para as duas...

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    4. @mary: eu sei que é cliché, mas se tiver mesmo de ser, vocês vão arranjar maneira de o fazer acontecer.

      @doces em casa: acho que o meu encontro mais importante está bem reflectido neste post :)

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  3. Oh minha querida, sabes quantas vezes tive que ler o post?? Umas quantas acredita, porque no meio de tanta coisa, acabava de me identificar contigo em alguns pontos que frisastes!!
    A tua historia eu nao sei, da mesma maneira que tu nao sabes a minha, mas numa coisa estou de acordo contigo, às vezes é dificil acreditar nas coisas devido aos presentes envenenados!!
    Mas olha sabes que mais, tens que acreditar!! Que um dia a tua sorte muda, e que tu tb mereces receber!!!
    Beijinhos

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    1. Obrigada, Mena. O que aprendi é que não às vezes é preciso saber pedir ajuda porque nem todos os presentes estão envenenados nem consigo resolver tudo sozinha. Beijinho

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  4. Replies
    1. as mj's torcem sempre umas pelas outras! vem no contrato base! :))

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