"If I have any beliefs about immortality it is that certain dogs I know will go to heaven, and very very few people." ~ James Thurber


O meu cão, o Doodle, morreu. Fui avisada apenas duas semanas depois da sua morte, tal como não soube que se encontrava bastante doente. Antes de haver gatos, havia o Doodle. Antes de haver outros cães, havia o Doodle. Quando o fomos buscar à loja levei-o eu ao colo na parte de trás do carro. Porque eu sou aquela que gosta de animais, tal como há aquela que gosta de bebés, a que gosta de livros e a que gosta de música. O Doodle era minúsculo, irrequieto, perfeito como qualquer cão de raça apurada. Cresceu e manteve a mesma personalidade nervosa, carente e afeiçoada. Deitava-se dias inteiros à porta da cozinha à espera que saíssemos. Saltava para cima de nós. Atirava-se para a frente dos carros quando nos via chegar e ladrava-nos quando nos íamos embora. Arranhava a porta riscando a pintura até sairmos. Bebia água da piscina. Corria pela relva e rebolava de barriga para cima apenas porque estava feliz. Da última vez que o vi pressenti que seria a última. Ele já tinha 12 anos, tremia e ninguém achou que fosse necessário levá-lo ao veterinário. "É da idade." Gostava de ter feito mais ou, caso fosse (im)possível, de ter estado presente. Mas não. E ficou um vazio, a certeza de que nunca mais o vou ver deitado à porta da cozinha, a ladrar quando chegava e quando partia, a arranhar-me a porta do carro, deitado nos cantos da piscina a beber água, a rosnar aos outros cães de ciúme. Vou sentir a sua falta porque nos últimos anos o Doodle foi uma constante de felicidade, um membro da minha família de quem não me despedi. E embora há 12 anos atrás ele tenha sido a prenda do 6º aniversário para uma das minhas irmãs, não consigo deixar de pensar que perdi o meu cão.

Comments

  1. Eu também sou uma dessas pessoas que considera os animais como sendo membros da família. Sei o que é ter essa tristeza, sempre tive animais e cada vez que um parte é sempre muito difícil, e choro que nem uma madalena arrependida. Mas é a vida, infelizmente eles não vivem tanto como nós gostaríamos, e tens de pensar que ele foi feliz durante toda a sua vida e que vocês partilharam bons momentos. Beijos grandes, ele está lá em cima a olhar por ti.

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    1. Provavelmente está lá em cima a fazer tropelias, como fez sempre. É assim que quero recordá-lo :) Beijinho e muito obrigada

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  2. Olá,
    Lamento a tua perda. Nós tb tinhamos o nosso Farrusco que partiu há 3 anos e foi uma perda para sempre. Custa muito e pensamos que a dor não vai passar mas, acaba por passar... Nunca o esquecemos, o nosso Farrusco era uma parte da família. Agora temos a nossa Lady, que chegou lá a casa abandonada e, ao olhar para mim com aqueles olhos lindos eu não consegui resistir. A Lady não ocupa o espaço do Farrusco, são partes diferentes da família. O nosso Farrusco foi o 1º e esteve connosco 15 anos e 25 dias.
    Big kiss e força :)

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    1. Nota-se que foi um animal muito amado, o Farrusco. No final é tudo isso que importa - tratarmos bem deles em vida e ficarmos com as recordações. A Lady certamente que é uma sortuda também. Beijinho e muito obrigada

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  3. Eu acho mesmo que os animais domésticos são membros da família porque estão sempre connosco, fazem-nos companhia e nós a eles :) e vamos sempre associar os nossos animais a momentos das nossas vidas! Por isso percebo bem aquilo que estás a passar :)

    Beijinhos e força*

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    1. sim, sem dúvida que são... beijinho

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  4. Como te compreendo! Também tenho um cão e nem posso pensar nisso. Já tive outros e quando partem choro imenso e fica um vazio.
    Mas, não consigo passar muito tempo sem um animal de estimação e vou buscar outro.
    Beijinhos grandes

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    1. isso é bom, há quem não consiga sequer conceber arranjar outro animal quando um parte. e há tantos por aí a precisar de um lar... beijinho

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  5. Nem me fales no que é perder um destes amiguinhos de 4 patas, no espaço de 1 ano perdi quatro :-( não é nada facil, mas a vida é assim e fica-nos a lembrança da felicidade que eles nos deram

    Bjokas grande

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    1. quatro? eu imagino quando for com os meus gatos... volta e meia tento preparar-me mas não há maneira de antecipar-me. basta aproveitar o tempo disponível com eles. beijinho

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  6. Nunca tive nenhum cão. Sei o que são mortes de animais como peixes ou tartarugas, e embora considere que todos os animais são iguais, acho que um cão ou uma gato são companhias diferentes, exactamente iguais a pessoas.
    Força neste momento.

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    1. não são iguais a pessoas, é um amor diferente mas igualmente preenchedor. obrigada*

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  7. Prova que num amor incondicional, as palavras são totalmente opcionais.

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  8. Não sei o que dizer... Eu sou aquela que não gosta de animais, e que nunca os teve, e que portanto não sabe, não percebe, não faz a mínima ideia do que possas estar a sentir. Não sei ter palavras para esta altura, só desejo que a paz te volte em breve **

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    1. Mas certamente sabes o que é perder alguém de quem gostas, por isso deves fazer uma ideia do que sinto. Beijinho

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  9. Ohh:(( eu sei mesmo o que isso é...é mesmo um grande sofrimento...força querida!

    Http://styleloveandsushi.blogspot.com

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  10. Fica sempre um vazio, sei bem o que isso é :( Ele era tão giro. Lamento a tua perda.

    Bjokas.

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  11. Olha, também sou aquela que gosta de animais. E também tenho uma cadelinha com 12 anos (faz 13 em breve), que trouxe também ao colo na parte detrás do carro. Ela era ainda bebé, estava cheia de carraças por ter sido tratada com negligência pelos "donos", e eu enfiei-a dentro do meu casaco para a aquecer. Eu tinha 12 anos e ganhei uma irmãzinha mais nova nesse dia. Eu sei que um dia a irei perder mas apenas pensar nisso deixa-me cheia de lágrimas nos olhos.

    Adorei a homenagem que fizeste ao Doodle. Não sou religiosa mas espero que o Doodle esteja num paraíso só para cães, onde possa brincar à vontade, longe da idade e da doença.

    Lamento muito a tua perda.

    Beijinhos

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    1. Obrigada pelo teu comentário, Joana. Por muito que escreva não há maneira de descrever o vazio que sinto. Curiosamente ou não, porque ele vivia nas Caldas da Rainha e eu em Lisboa, senti imenso esta perda. Beijinhos

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