Jesus é Goês.


A minha experiência com a comida goesa resume-se a dois restaurantes, um localizado no Martim Moniz, escondido atrás de uma escadaria; o outro visitei-o recentemente na R. de São José em Lisboa. O que têm em comum: o cozinheiro. Ao inquirir a funcionária de serviço se se tratava do mesmo restaurante numa morada diferente, ela respondeu-me a correr "sim, sim, o Jesus era cozinheiro lá". E fim da conversa. 

Apesar de ter tido apenas esta incursão na comida goesa, tentativas não me faltaram. Por mais de uma vez tentei voltar ao restaurante no Martim Moniz, mas ora estava cheio, ora tinha hora marcada para começar a jantar e outra para vagar a mesa. Algo que não aprecio e com o qual fui também brindada no Jesus é Goês. Sim, é este o nome do restaurante, do dono, do cozinheiro. No entanto, desta vez decidimos arriscar: sentámo-nos às oito da noite com a promessa de libertar a mesa até às 22h. "Não se preocupe que eu como rápido!", disse à funcionária. Entre as mesas apenas ela e Jesus se debruçavam a servir os clientes. O espaço é pequeno, estreito, colorido. Questionam-nos se está tudo do nosso agrado, as travessas fluem da cozinha com rapidez. A culinária goesa, ou indo-portuguesa, consegue fundir elementos das duas culturas gastronómicas e aqui ainda nos brindaram com uma das melhores caipirinhas que já bebi e uns mini-burguers de entrada. Cozinha de fusão, que é isso senão um nome pomposo?

Começámos por questionar a funcionária: que nos recomenda? E eu acrescentei: nada demasiado picante. A noção de picante varia de pessoa para pessoa e entrar num restaurante goês já a pedir que moderem as malaguetas é meio caminho andado para não nos levarem muito a sério, mas as nossas exigências foram satisfeitas. Começámos com uns boges com chutney de coentros. Como nos descreveram, uma espécie de sonhos à base de grão de bico. Picantes, sim, mas aceitáveis e saborosos. Trouxeram-nos ainda uns pickles de manga verde e estes sim faziam arder a boca! Esperámos pelas caipirinhas para refrescar. "São boas as caipirinhas goesas!", meti-me hereticamente com Jesus. "Caipirinhas feitas por um goês!", corrigiu-me ele com um sorriso. Seguimos para os mini-burguer. Uma mistura de especiarias e carne de vaca picada sob a forma de hamburguer. Deliciosos.

Seguiram-se os pratos principais. Para mim um cafreal de frango, ou frango com coentros frescos e especiarias. Para ele, xacuti de cabrito. Acompanhámos com arroz branco e chapati, um pão estilo crepe que embebemos no molho. Para finalizar, uma bebinca que partilhámos e que me recordou os doces conventuais. A cozinha goesa - e foi esta a razão que me fez tentar voltar ao restaurante que me iniciou nesta gastronomia -, servindo-se das especiarias que atraíram os portugueses à Índia, desperta-nos os sentidos. Primeiro, um sabor, depois outro é estimulado. É uma experiência que não se esgota na primeira garfada, que nos faz voltar a humedecer o chapati no molho apesar da nossa inicial aversão ao picante. Fosse eu crítica de culinária e teria mais adjectivos para caracterizar esta experiência gastronómica. Como não me aventuro a tanto, deixo-vos com estas fotografias e os contactos do Jesus. 


Jesus é Goês
aproximadamente 23€/pax
R. de São José, 23
1150-321 Lisboa
924401894
Página de facebook do restaurante
* não tem multibanco

Comments

  1. Obrigada pela partilha! Gostei...
    beijinhos e bom fim de semana

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  2. Miam, miam, adoro comida goesa.
    E dá sempre jeito ter o contacto de Jesus ;)

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  3. Obrigada pela partilha. Nunca comi comida de Goa mas quando for a Pt e visitar Lx terei em conta este restaurante.

    Beijinhos e obrigada

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  4. Partilhando sabores e receitas, Doyle e Catarina Sá: se forem ao "Jesus é Goês" depois partilhem comigo a vossa experiência! Beijinhos

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  5. Amo comida goesa! Costumo ir muitas vezes à casa de Goa, sem duvida uma comida fabulosa...

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    1. Eu à casa de Goa nunca fui, so a estes dois que menciono aqui e a outro em Belém que jugo ja ter fechado. Fica para uma próxima ocasião, obrigada!

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