2. Inveja - Peito de frango recheado com chutney de coentros e risotto de Misto de Cogumelos Santa Gula.


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Quando fui viver sozinha não sabia cozinhar nada. NA-DA. Lembro-me de estar na cozinha a pedir à empregada que me ditasse receitas para repetir quando estivesse na minha casa. Ela ditava-me, eu escrevia. Claro que mal me vi sozinha decidi pôr-me a inventar - um problema criativo que ainda hoje me assiste visto que raramente consigo seguir uma receita até ao fim - e como tal surgiu um pão de alho que ficou para a História. Basicamente peguei numa cabeça de alho - atenção, eu disse cabeça e não dente -, triturei-a com a varinha mágica e barrei no pão. Digamos que durante 1 ano e meio afastei vampiros e não só...  

Passado pouco tempo, por razões de saúde, tive de ficar muito tempo confinada a casa. Foi a altura ideal para praticar as artes culinárias. Fui chegando onde queria através de tentativa e erro. Os resultados eram cada vez melhores e comecei a convidar amigos para jantar em minha casa sem ter medo de envenená-los ou de os afastar para sempre. Orgulho-me de ter conseguido que uma amiga com distúrbios alimentares pedisse uma segunda fatia do bolo de bolacha da minha avó. Pequenas conquistas, portanto.

Uma das minhas melhores amigas da altura costumava visitar-me e foi acompanhando este processo de aprendizagem e evolução. Certo dia disse-me: "irrita-me tanto que agora cozinhes tão bem, não te consegues envolver em nada sem que tentes ser a melhor." Não, não era um elogio. Tal como não era uma amiga. Era uma pessoa invejosa, frustrada, infeliz consigo mesma, que não conseguia encontrar satisfação nas pequenas conquistas dos outros nem tão pouco ser feliz na sua própria pele. Mas o seu pior pecado nem era a inveja, um sentimento de inferioridade latente que a levava a ser amargurada e a destilar azedume. O seu pior pecado era mentir acerca de ser minha amiga. O tempo passou e esta sua faceta foi-se revelando com maior acidez até culminar numa violenta discussão que fechou todas as portas. Do passado ficou pouco que valesse a pena recordar com carinho, até se ter desvanecido na certeza de que eu poderia ter evitado o mal maior se tivesse prestado mais atenção a certos detalhes em vez de tentar desvalorizá-los por um bem que, claramente, não era do interesse de ambas.

Por isso, Teresa, esta receita é a ti que a dedico. Porque ainda bem que há bastante tempo que não fazes parte da minha vida. Não é desse tipo de amigos que preciso, mas daqueles que ficam felizes com as minhas vitórias, daqueles não usam as minhas fraquezas contra mim nem me apontam constantemente os meus inúmeros defeitos para desviar a atenção dos seus. Esta receita é-te dedicada a ti porque não percebes que as conquistas sabem melhor quando partilhadas e todas elas, também, são fruto de muita dedicação e esforço. Não de sorte. Tens, portanto, aqui um risotto de cogumelos, um dos pratos mais trabalhosos e elegantes dos quais me orgulho em saber fazer bem e ter aprendido sozinha, acompanhado de peitos de frango recheados com chutney de coentros. Mas não estás convidada para jantar.



~ Ingredientes ~

3 peitos de frango do campo
1 molho de coentros
1 colher de sopa de hortelã pimenta
 2 dentes de alho grandes
1 cm de gengibre fresco
1 malagueta
1 colher de chá de cominhos
2 colheres de sopa de côco ralado
azeite q.b.
sal

risotto de cogumelos:
1 cup arroz arbóreo
1 dente de alho
3 colheres de sopa de misto de cogumelos
750ml de caldo de legumes
80ml de vinho branco
50g queijo da Ilha

Começar por preparar o chutney de coentros picando no robot de cozinha um molho de coentros, uma colher de sopa de hortelã, 2 dentes de alho grandes, 1cm de gengibre fresco, uma malagueta, uma colher de chá de cominhos, 2 colheres de sopa de côco ralado, azeite e sal. Abrir os peitos de frango e recheá-los com o chutney fechando com palitos. Numa frigideira anti-aderente colocar um fio de azeite e cozinhar a carne. Reservar.
Num tacho deitar um pouco do azeite do frasco misto de cogumelos Santa Gula. Refogar um dente de alho e adicionar 1/3 dos cogumelos. Adicionar o arroz e saltear até dourar. Juntar o vinho branco e deixar absorver, Começar a adicionar lentamente o caldo de legumes. Mexer frequentemente e apenas adicionar mais caldo quando o anterior tiver sido completamente absorvido. Continuar este processo até terminar o líquido. No final envolver o queijo da Ilha ralado e servir imediatamente com os peitos de frango recheados.

NOTA: depois de aberta a embalagem do misto de cogumelos deve-se tapar os cogumelos com azeite - mesmo que de outra qualidade - para manter a qualidade desta conserva.

E não se esqueçam de participar no passatempo Santa Gula x [Limited Edition] até dia 31 de Maio!

Comments

  1. Olá Maria,
    Detesto gentinha invejosa e sonsa e, infelizmente estamos rodeados disso.
    Adorei o teu post e a dedicatória que fizeste a essa Teresa :)
    Quanto à tua receita, podia muito bem ser o meu almoço, pois adorei.
    Kiss, Susana
    Nota: Ver o passatempo a decorrer no meu blog:
    http://tertuliadasusy.blogspot.pt/p/passatempos.html

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    1. a teresa hoje deve andar com as orelhas a arder! ahaha! sim, há muita gente assim, esta infelizmente não foi a única que se cruzou comigo...
      bjs

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  2. Gostei muito do prato, uma forma diferente de cozinhar o frango que todos os dias entra por esta porta adentro!!

    Infelizmente, não gosto da história, nem do pecado que nos trazes hoje, mas claro que não tens responsabilidade alguma por isso. O que acontece é que me causa uma certa angústia pensar em vidas assim, pessoas assim!

    Ainda ando a magicar no passatempo, não é assim tão fácil!! :)

    Um beijinho,

    Aida

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    1. tenho a certeza que nos trarás uma participação capaz de suscitar inveja em todos! ;)
      beijinho

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  3. Teresa, toma! vai buscar!! My god, essa pessoa não devia ser mesmo nada pessoa boa de se andar por perto. Fizeste bem em ver-te livre dela. Houve uma época na minha vida que também fiz uma limpeza nos amigos, e ainda despachei uns quantos, gente mesquinha, invejosa e que não consegue ficar felizes por nós, são pessoas que não interessam nem ao menino jesus ;)
    O frango dispenso, (sou vegetariana), o risotto tem óptimo aspecto, mas o chutney de coentros, esse, tenho de fazer sem falta. Se me pudesse injectar com coentros, juro que o fazia ;)

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    1. já somos duas com essa relação com os coentros! a sério, quantos mais melhor! ainda há dias escrevi uma receita sobre essa minha relação com os coentros, mas penso que está agendada só para daqui a uns dias. depois vês!
      esta teresa saiu da minha vida há dois anos, no ano passado saíram mais uns quantos que certamente não voltarão. não me arrependo, passado o choque inicial sinto-me bem mais leve. pesando o bom e o mau fiquei certamente a ganhar.

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  4. Há sempre pessoas que se perdem pelo caminho, há pessoas das quais nos livramos, há momentos na vida para fazer "limpezas". Belo prato! Espero que também gostes do meu.

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    1. gostei muito da tua participação no passatempo! obrigada!*

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  5. Adorei! As receitas e também o texto dedicado às "amigas" teresinhas que todas nós temos (ou tivemos, que a idade ajuda a identificá-las), infelizmente.
    Excelente participação!
    Beijinhos

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    1. sim, há mais "teresas" destas no mundo, infelizmente... e todos nós temos pelo menos uma! beijinhos

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  6. Risotto! Vai para a lista das conquista para os 29 anos.

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    1. vá lá, tu que és tão enjoada com a comida a quereres experimentar risotto... fico à espera! ;)

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  7. E mais nada....Gente dessa, distância!!!E agora Teresa baba te lá um 'cadinho....
    Belo risotto e belo peito recheado amiga (e eu não sou das falsas ou invejosas lol) e se quiseres podes vir partilhar conquistam comigo que eu mando as canas e vamos as duas apanhá-las ok?
    Bjokas
    Rita

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    1. qualquer dia fazemos uma festa de babette, é só comida por todo o lado! nem vamos ter mãos a medir com as canas! :D
      beijinhos

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  8. Nao precisamos de gente dessa para ser feliz, mas no nosso caminho do dia a dia encontramos sempre pessoas assim...
    Adorei o pratinho esta mesmo divinal...
    Beijinhos

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  9. Adorei a tua receita super deliciosa e de fazer inveja a muita gente! hehe
    Gostei da tua experiência com o pão de alho, é assim que se vai aprendendo!
    E hoje fazes comidinha bem boa :) Um beijinho.

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    1. também gosto de pensar que sim, mas verdade seja dita o pão de alho marcou-nos para sempre! ahahah! beijinho

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  10. Olá :) Infelizmente o mundo está cheio de Teresas! O importante é não deixarmos que nos contaminem com o seu azedume e inveja... A tua, é uma óptima resposta. Claro que, se ela visse, morria de inveja :)
    Beijos

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    1. já não deixo, não! caso contrário poderia nem nunca ter feito um risotto! ;) beijinhos

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  11. Olá Maria!! Infelizmente todos temos "Teresas" na nossa vida, mas com o crescimento pessoal de cada um de nós aprendemos a saber dar um valente chuto nessas pessoas! Também tive muitas "Teresas" ao longo dos meus 29 anos de existência neste mundo mas virei o bico ao prego e livrei-me do lixo! Imagino agora a cara dela se estiver a ler a tua deliciosa dedicatória :)))) deve estar verde de inveja!! loool e o risotto está Perfect!!! (sem inveja e a bater palmas!)

    beijinhos

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    1. Adorava que ela lesse, mas como nao tem nem nunca teve autocrítica nenhuma, provavelmente passava-lhe ao lado. É tao triste quando as pessoas so se sentem bem consigo próprias tentando com que os outros se sintam mal... Obrigada pelos elogios à receita, espero que a experientes e gostes tambe. Bjs Catarina

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  12. Vim cá parar pela receita e fui "esmagada" pela introdução e dedicatória da mesma. Magnifico! Parabéns pelas conquistas e felizmente quis destino que pessoas pequeninas como a Teresa se revelem e naturalmente desapareçam da nossa vida, porque sem duvida somos muito mais felizes sem elas e com um excelente risotto no bucho! :D
    Tudo de bom!

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