Abril...


E tal como Março, Abril também já lá vai. Sabe bem começar o mês com um feriado, especialmente quando nos é dada a possibilidade de o gozar. Na semana passada, de forma totalmente inesperada, fui contratada para trabalhar em part-time numa empresa que dista pouco de minha casa. Em 15, 20m no máximo estou lá. Levanto-me cedo, arranjo-me, maquilho-me, cumpro horários, planeio refeições, tenho tarefas, responsabilidades, regalias... é todo um mundo novo para mim! Enquanto este doutoramento não termina posso incluir as minhas desgastadas rotinas num esquema novo, coerente e que me ajuda a dar sentido a dias e dias que se arrastavam sem fim, cruzados num longo novelo emaranhado. Sou só eu que me organizo melhor e adio menos quando tenho o tempo contado e apertado em horários?

Passa o cliché - que não é mais do que uma bengala de segurança da nossa língua -, mas é engraçado como a vida muda num instante. O que tínhamos planeado - e ninguém sabe como eu gosto de planear, listar e riscar! - altera-se, as prioridades invertem-se e os planos rabiscados a lápis assumem contornos indeléveis. Porém, só as listas que faz sentido criar faz também sentido riscar e por vezes não vale a pena voltar ao início e fazer outra mais ambiciosa ou completa. Às vezes basta ser realista e cumprir o que necessita mesmo de ser cumprido com calma, determinação e segurança.

A mudança não se deu de um momento para o outro. A mudança já fermentava dentro de mim. A realidade é que se alterou. Acima de tudo comecei a fazer pequenos ajustamentos: mais exercício, mais rigor a cumprir compromissos, uma atitude que se resume à simples constatação de que não posso controlar tudo o que me rodeia e muito menos devo tentar fazê-lo. O que tenho feito, pelo bem da minha saúde mental, é assumir que apenas a minha maneira de reagir ao que me rodeia é a única coisa que depende de mim. E posso chorar. Posso gritar, desesperar, queixar-me, lamentar-me, maldizer os outros. O que não posso é deixar que isso se torne o centro da minha vida e que me oprima e aperte a garganta. E no final posso sempre controlar a minha reacção, mas nunca as acções dos outros, para as quais cada um encontra as justificações que crê ser as mais acertadas.

Foi um mês de casamentos. De despedidas. De pequenas vitórias. De trabalho. De surpresas. De lindos vestidos e de saltos altos desconfortáveis. De alianças e de grandes suspiros de alívio. De me aperceber que não me preocupo mais para além do que se preocupam comigo. De óptimas receitas. De leituras paradas porque o On the Road está a dar-me cabo da média de leituras (e do juízo também, estúpidos avozinhos hipsters...) e eu não quero desistir, que não quero pela minha irmã que mo ofereceu, mas vontade não me falta... Descobri também que procrastino e anseio porque o meu medo de errar é superior à minha capacidade de agir. Mas suspiro porque me apercebo que tal não se deve apenas à tese em si, mas à vida no geral. E como não sou única nem especial, devo planear como os restantes mortais, assumir que o óptimo é inimigo do bom e que não há nada que muito trabalho não mude. Por muito que custe e por muito que me assuste. Porque parar é morrer.


"All things seem possible in May." 
~ Edwin Way Teale ~


Comments

  1. Tudo é possível em Maio (que mês especial!!) e em qualquer outro mês.
    Feliz por ver-te evoluir e aceitar determinados momentos e acontecimentos da vida como naturais...

    **
    Aida

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  2. LEzinha, já vi que estás em em fase de mudança. Acho que é assim o amadurecer. Mudar traz sempre alguma resistência, mas depois vem a fase boa, a que resulta de todo aquele processo.
    Desejo-te mil coisas boas neste mês de maio e nos restantes. ;)

    xo

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    1. obrigada, mj! para lá caminhamos! **

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