Estes dias.

As coisas parecem encaminhar-se. Não tudo, é claro, mas procuro encontrar satisfação em padrões antigos, fórmulas por resolver e questões por responder. O caminho é sempre o mesmo, a forma é que muda. É o meu destino, penso eu, e enquanto não der as voltas que tiver de dar, não saio do mesmo carrossel. 

Tenho uma janela de oportunidade. Talvez não uma janela, mas uma nesga, provavelmente aberta à força de tanto a desejar. Serão estes os "silverlinings" de que tanto falava?... Como todos desejos, este traz consigo uma carga de ansiedade capaz de acordar um morto. No meu caso, a dose diária e letal de adrenalina que me faz duvidar a cada esquina, a esconder-me na casa de banho para contar azulejos, a respirar mais fundo quando a situação o exige e, por vezes, a fugir a 7 pés quando não aguento mais. Não sou especial e os meus fantasmas não são mais importantes ou válidos que os dos restantes. Todos os dias me cruzo com pessoas aterrorizadas, inseguras no seu trabalho, projectando as suas dúvidas e defendendo-se ao menor sinal de ataque. Todos tememos e os meus medos não se sobrepõem aos de ninguém. A solução passa por adaptar-me o melhor possível ao que as condições o exigem ou desistir e dar a vez ao seguinte. É uma questão de sobrevivência e a minha vale tanto como a de qualquer outro.

E se agora, depois de meses e meses a dizer que adquiri competências e que um título num diploma (ou em vários) é pouco mais do que isso, tivesse de provar o que essas palavras querem realmente dizer? E se agora tivesse de me sentar frente a frente com as minhas dúvidas, inseguranças, inquietudes e necessitasse de provar o que valho? Isto num mundo que não decorre no palco da minha cabeça, no cenário da minha imaginação onde imagino tudo e controlo idealmente todos os desfechos...

Gostava tanto de voltar aos meus 20 anos, quando faltava à salas, saindo umas estações de metro mais à frente do suposto destino e tomava o pequeno almoço no centro comercial seguido de uma irresponsável manhã de compras. Onde está aquela confiança toda que me impelia a tomar estas decisões, inconsciente das consequências, mas segura das minhas convicções?... E porque procuro sempre gratificações imediatas em vez de me projectar num caminho trabalhoso, útil e proveitoso? E porque nunca mais cresço, apesar de já ter trinta anos?

Comments

  1. Não sei o que dizer. Eu por norma sou muito impulsiva e sigo sempre os meus instintos. Nunca fico muito tempo a pensar os prós e os contras, nem se tenho medos ou receios. Se sinto que devo seguir um determinado caminho, vou em frente e sem olhar para trás. Até hoje, tem resultado. Não tenhas medo de avançar. Mais vale ter remorsos por ter feito algo, do que viver para sempre arrependida por não ter feito. Mas tu tens a resposta dentro de ti, e sabes perfeitamente aquilo que queres. Isso é só um nervoso miudinho que passa logo após teres tomado a tua decisão, que tenho a certeza vai ser a mais acertada ;)

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    1. Espero bem que tenhas razão, gostei muito do teu conselho. Gostava de ser mais assim, impulsiva.

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  2. Se vais seguir o "caminho"vais arrepender-te,ou não.Se não vais seguir vais arrepender-te na mesma?o que mais vale?tentar,não é?
    bjs,violeta

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  3. Ainda bem que não cresces. É isso que te torna especial ;)

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  4. Pensar que se fosse possível voltar atrás, tudo seria diferente é uma doce ilusão. Por muitas lágrimas, sentimentos de profunda tristeza e alguns remorsos, só caminhando chegaremos ao prometido lugar ao Sol.

    Eu também me continuo a sentir infantil todos os dias. Às vezes, antes de sair de casa, penso se será hoje se vou ser desmascarado pela minha ignorância/ impreparação/ irresponsabilidade, etc.

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    1. Adorei especialmente o último parágrafo. Não o teria dito melhor.

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