O Sexo e a Cidade.


Imagem retirada daqui.

Ultimamente a Fox Life tem-nos levado a revisitar uma das minhas séries favoritas. Não sei se é dos sapatos, da roupa, da paisagem nova-iorquina ou dos diálogos, mas facto é que todas as noites adormeço ao som da Carrie e suas amigas. Já vi esta série umas três ou quatro vezes e encontro sempre vários pontos em comum. A infantilidade emocional da Carrie, o sarcasmo da Miranda, o humor picante da Samantha, os cabelos castanhos da Charlotte. Não sei identificar em concreto qual o impacto desta série na vida das mulheres - golpe de marketing extremamente bem sucedido? machismo mal disfarçado? HBO no seu melhor? - mas verdade é que é impossível ficar-lhe indiferente. Se o Sexo e a Cidade não tivesse existido, a Pipoca não seria tão popular. Se o Sexo e a Cidade não tivesse existido, Girls não teria por onde pegar para apresentar a sua antítese. Se o Sexo e a Cidade não tivesse existido, nós não conseguiríamos identificar com tanta facilidade estereótipos femininos com os quais somos obrigadas a lidar na vida.

Esoterismos à parte, da segunda vez que visitei Nova Iorque, teria uns 25 anos, arrastei a minha irmã para o tour do Sexo e a Cidade. Muito em voga na altura, marcámos lugar naquele autocarro temático o mais cedo que conseguimos. Podemos ver a série vezes e vezes sem conta, mas percorrer as ruas onde os dramas se desenrolaram e conhecer os segredos por detrás da produção, faz-nos sentir um pouco mais próximas de uma série que estimula o imaginário feminino há gerações.

Entrámos no autocarro em frente ao Plaza. A animadora era uma aspirante a actriz com algumas incursões no mundo do pequeno ecrã, provavelmente como cadáver no "Lei e Ordem" e algumas noites de stand up, mas as coitadas têm de começar por algum lado. Posso ter estado frente a frente com a futura Tina Fey! A  rapariga era excepcional! Ri-me desde o momento em que subi ao autocarro até quando desci e a minha irmã me perguntou porque não tinha deixado gorjeta.

O autocarro estava cheio de mulheres e alguns homens arrastados. A animadora contou-nos que fora convidada para a premiere do primeiro filme e se cruzara com Chris Noth, aquele que representa todos os homens que não conseguem assumir um compromisso, que são tão maus que nos atraem como moscas à luz, que de uma forma ou de outra se cruzam connosco sem que lhes consigamos fugir. Ele bebia um whisky e uma pequena gota desceu-lhe pelo queixo. Um momento perfeito, nas suas palavras, que por pouco não a levou a esticar a língua desejosa de corrigir o pecado. Mas não. A vida continuou e o Big continuou tão inacessível como sempre. Eu, que sempre fui uma rapariga que torceu pelo Aidan, que casei com o meu Aidan, não percebo este fascínio pelas sobrancelhas arqueadas do eterno amante e o fascínio que exerce sobre as mulheres.

A visita continuou. Parámos em frente à sex shop onde a Charlotte comprou o irresistível e incansável "rabbit" e foram-nos dados 15 minutos para entrar, durante os quais poderíamos usufruir de um desconto em toda a parafernália disponível. Foi vê-las a correr, maridos atrás, atrás da melhor pechincha. Quando entrei na loja, depois de percorrer corredores com mais gomas com formas de genitais dos que as que poderia contar, já se formara uma fila de mulheres empunhando o irresistível coelhinho: não nos rejeita para ver a bola, está sempre disponível e não fica sem bateria sem que o trabalho esteja concluído. Não admira que a fila para aproveitar o desconto fosse enorme...

Continuámos. Parámos no Meatpacking District e só pudemos lamber as montras. Um dia, quem sabe... Descemos do autocarro para comer uns cupcakes na "Magnolia Bakery". Comprei uma caixa cheia deles e como mais ninguém os quis, apanhei um enjoo para a vida. Não os ia deitar fora, não é? E a seguir um cosmopolitan no bar do Steve. Contaram-nos que a actriz que interpreta a Samantha teve desde cedo uma relação tumultuosa com SJP porque esta última assumiu o papel de produtora da série e que por pouco não teriam havido os filmes (oh, que pena!) porque a primeira não aceitava o cachet proposto. Soubemos também que a 5ª temporada tem apenas 8 episódios porque SJP estava grávida e que, como nessa altura cortou o cabelo, sempre que a vemos de cabelo curto, podemos assumir que carregava consigo um rebento, mas que praticamente não engordou. Por outro lado, a única actriz originalmente loura é a "ruiva" Miranda que em miúda era considerada um talento prodigioso e que mal acabava uma peça na Broadway, saltava para a seguinte na mesma noite, isto na mesma altura em que SJP representava para sustentar a sua família. Por seu turno, Kristin Davis (ou Charlotte) lutava contra o alcoolismo e Kim Cattrall dava os primeiros passos como estrela nos States, apesar de ter nascido em Inglaterra, tendo dividido a sua infância entre este país e o Canadá. E por último, SJP por pouco não aceitou o papel da Carrie porque recentemente tinha-se esforçado para deixar de fumar e não queria voltar a fazê-lo por uma personagem. Portanto, todos os "cigarros" que a vemos fumar não são mais do que substitutos cénicos com um cheiro pouco agradável.

E chegámos ao fim do tour em frente à loja da HBO para nos abastecermos de merchandising. Eu saí de lá com uma tshirt ostentando a frase mais divertida do filme: "How often do you color?" Esta não explico. Fica para as verdadeiras experts.


Comments

  1. Já vi todas as temporadas do Sexo e a Cidade umas 6 vezes e agora estou na sétima visita!
    Adoro..... tudo... a cidade, a amizade cúmplice, as falas e as roupas... é viciante!


    beijinhos
    http://fabricocaseiro.blogspot.pt/2013/06/pavlova-de-canela-com-cerejas.html

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    1. e provavelmente também farás uma oitava, nona, décima visita... é realmente viciante! bjs

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  2. Nunca segui a série! Vou vendo quando dá na tv! Mas tenho mesmo que sacar porque há coisas que me escapam ao ver só quando calha :P
    Eu quando estive em Los Angeles passei no Warner Bros! No studio tour passei na zona das casinhas delas, dos jardins, dos carros! Foi mesmo giro :)
    Um beijinho!
    Obviamente que os cupcakes não se podiam deitar fora, nem que isso implique uma dor de barriga no dia a seguir :)

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    1. olá joana! tens de ver a série de uma ponta à outra. aproveita agora que está a ser passada na fox life novamente para conseguires seguir bem a história. acredita que vais adorar!

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  3. Na altura em que mais soltei a franga com as amigas, até cada uma de nós representava uma das personagens:P Ora, eu com o meu cabelo encaracolado e loiro na altura, já tás a ver quem "era", né? Passámos bons momentos à pala desta série, indeed! :)

    Mas não te vou dizer "how often do I color" que não quero que saibam o quão artista sou :P

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  4. Eu estou a ver a série seguida pela primeira vez e realmente não há explicação sobre o impacto que tem sobre uma mulher. Não sei como conseguiram escrever isto de forma a que seja aplicável à nossa vida, há sempre alguma coisa com que nos conseguimos identificar e ficamos a pensar "bolas, comigo também é assim" ou "caramba, sou mesmo uma miranda" e coisas do género que nos agarram ao ecrã episódio após episódio, temporada atrás de temporada e ainda repetimos o mesmo exercício cinco, seis ou sete vezes, mais de uma década passada e continua-se a falar sobre o Sexo e a Cidade.
    Adorei o que descreveste aqui sobre aquilo que viste no tour, nunca fui a Nova Iorque e mesmo assim foi como se tivesse feito um mini tour através do que contaste aqui.
    Gostei mesmo!

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    1. se fores a nova iorque e já que gostas tanto do sexo e cidade, não deixes de fazer este tour porque é mesmo divertido!

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