Tarte de acelgas com cogumelos, sardinhas em óleo e os jantares buffet.


Aos domingos à tarde, quando voltávamos de mais um fim de semana em Leiria, éramos recebidos em Lisboa por uma casa vazia e um frigorífico mal preparado para três jovens estômagos ainda distantes dos complexos da adolescência. Não éramos muito sofisticados em termos culinários. Alimentávamo-nos de pizzas frias ao sábado de manhã. De requeijão com mel quando havia. De fondue de queijo até encher a barriga. De bisnagas de leite condensado que o meu pai adquiria nas suas viagens ao estrangeiro. E de todos os chocolates que a minha mãe nos impedia de comer e que o meu pai - guloso inveterado, viciado e incurável - trazia e com os quais nos comprava fim de semana sim, fim de semana não. 

Chegávamos a Lisboa, muitas vezes, de jantar por comer. Pousávamos as mochilas, preparávamos os livros para as aulas do dia seguinte e atacávamos o frigorífico. Havia um pouco de cada coisa. Um pouco de fiambre. Umas fatias de presunto. Dois ou três ovos prestes a encontrar o seu prazo de validade. Queijos vários na gaveta de baixo do frigorífico. Pão velho para torradas. Tudo o que se encontrava no frigorífico e mais algumas prateleiras da despensa tinha destino marcado - não chegava à semana seguinte. O que era o jantar? Restos. Na minha tentativa de abrilhantar a coisa, chamava-lhe buffet. Cada um servia-se do que havia, misturava, alimentava-se do que não transitava para a semana seguinte. Faziam-se ovos mexidos com o que sobrava no frigorífico. Crianças habituadas a comer de tudo um pouco sem dizer "não gosto" e que se alambanzavam com os petiscos de domingo à noite. [Ok, aqui já estou a dramatizar e a suavizar um pouco a coisa, porque cada um de nós tinha os seus gostos particulares e a minha madrasta, que pouco falava com a minha mãe, chegou a ligar-lhe em desespero a perguntar o que é que dava de comer aos meninos, quando a minha irmã só gostava de massas e o meu irmão comia de tudo um pouco e em quantidades astronómicas, se exceptuarmos salsichas, e eu sempre me recusei a beber leite].

À semelhança das tartes que preparo quase semanalmente, vasculho o conteúdo do frigorífico e da despensa (a minha despensa é ridícula porque, simplesmente, não existe - resume-se a duas ou três prateleiras na minha micro-cozinha que ocupo vorazmente e de de cujo conteúdo me esqueço invariavelmente). O "c'ouver" é o que vai para a tarte. Legumes do cabaz congelados há semanas quando era tempo deles e os havia em demasia e até enjoar. Foram congelados. As prateleiras do frigorífico enchem-se de restos disto e daquilo que saltam para a tarte para compôr uma refeição. Cogumelos, porque os cogumelos são o denominador comum de quase todas as minhas receitas. E siga para bingo! A tarte está pronta e algumas refeições da próxima semana deixaram de ser uma preocupação. É aí que se encontra a magia do buffet. A capacidade de, do pouco, fazer muito, do simples, criar algo mais elaborado. E é por isso que nestas redes sou conhecida pela Maria das Tartes! ;)



Massa:

inspirada na receita do blogue Blackberry Eats

200g de farinha de espelta
2 colheres de sopa de Becel líquida fria
água fria qb
raspa de um limão
tomilho-limão seco

Recheio:

1 fio de azeite
2 dentes de alho picados
1 cebola pequena picada
2 folhas de louro
1 molho de acelgas
1 lata de cogumelos laminados
1 pacote de natas light
2 colheres de sopa de mostarda de Dijon
1 ovo L
mistura de pimentas em grão moídas na altura
queijo da ilha qb


tempo de preparação: 45m
dificuldade: **
vegetariana: não
para crianças:  sim 
ingrediente principal: sardinhas em óleo vegetal Georgette das Conservas Nero

Começar por preparar a massa da tarte. Misturar a farinha de espelta a Becel. Temperar com flor de sal, pimenta e a raspa de limão. Adicionar a água fria até conseguir uma massa mais maleável. Reservar. 

Para o recheio, fazer um refogado com azeite, louro, cebola e alho. Juntar os cogumelos laminados, depois de escorridos e passados por água. Juntar as acelgas (tinha-as congeladas, por isso fervi-as uns minutos antes de as adicionar ao refogado) e a lata de sardinhas em óleo Georgette. Deixar cozinhar depois de temperar com a flor de sal e a pimenta. Numa tigela à parte bater o ovo com as natas e juntar a mostarda de Dijon. Forrar a tarteira com a massa já preparada e ligar o forno nos 180º. Juntar a mistura do ovo com as natas ao recheio e, seguidamente, colocá-lo na massa. Cobrir com o queijo da ilha ralado e levar ao forno até gratinar, cerca de 30m.  

A razão pela qual na fotografia aparece apenas uma fatia é porque eu estou a ficar uma expert nas tartes e esta desapareceu em três tempos... Só sobraram duas fatias, que me apressei a guardar para conseguir tirar uma foto de jeito! O toque da raspa de limão e do tomilho fazem realmente a diferença na massa da tarde, é de repetir!



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Comments

  1. Adoro acelgas. Essa tarte deve ter ficado uma delícia. Não admira só ter sobrado uma fatia para a foto! E aposto que logo a seguir à foto, desapareceu como que por magia ;)
    Boa semana, espero que com muita inspiração, quer para novas receitas quer para a elaboração da tua tese :)

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  2. Acelgas nunca comi mas que a tarte me parece maravilhosa ai isso não duvides.
    Beijinhos
    http://come-bebe-sorri-e-ama.blogspot.pt

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  3. Também adoro tartes, são tão jeitosas! :-)

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  4. Que maravilha!
    Beijinhos
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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