So long 2013.


Se são daquele tipo de pessoas que procuram inspiração e resoluções positivas (e vagamente utópicas) para o início do novo ano, então estão no sítio errado.

Assim em termos muito breves, penso que 2013 foi provavelmente o pior ano. Talvez esteja a ser exagerada, ou mesmo injusta porque estou a diminuir o valor das coisas boas que me aconteceram - quais? Talvez tenha havido anos piores, eu é que não me consigo recordar. Mas posso dizer com toda a franqueza que este foi francamente mau. Em 2012 listei as coisas boas que me aconteceram e escrevi que senti ter vivido um ano bom, porém incompleto - e nem sequer me dignei a apontar a falta de trabalho -, mas este foi claramente péssimo.

Tive o pior aniversário de sempre. E sim, foi o trigésimo. O Natal foi o mesmo.

Em termos de lições aprendidas, até foi um ano bastante rico.

Aprendi que nem tudo o que reluz é ouro. E por "ouro" refiro-me a um pseudo part-time de 6h30 a ganhar 500 euros. Lembro-me de ter dito poucos dias depois de aceitar esse emprego que estava a viver um dos melhores dias da minha vida. Como vim a aprender meses depois, estava redondamente enganada. 

Aprendi que nas entrevistas de emprego não são apenas os candidatos quem tenta fazer boa figura. As empresas também. E como responsável pelos recursos humanos, entrevistei uma série de jovens (outros não tão jovens) inocentes e a quem me apetecia gritar "foge já daqui! nem fazes ideia no que te estás a meter!!", recebi centenas e centenas de currículos que seleccionei ou desprezei, assisti a entrevistas onde a mentira era a moeda de troca. Também fui obrigada a assistir a entrevistas por telefone ao lado do meu querido diretor geral perdido de bêbedo que terminaram com ele a chamar-me 
"ridícula". E pouco depois fui duramente criticada por ter saído da empresa. 

[Eu avisei no primeiro parágrafo.]

Aprendi também que alguns dos momentos mais felizes do último ano foram passados a cozinhar, mas também já sei que nem sempre sou feliz na cozinha. 

Descobri que há pessoas ainda mais idiotas do que pensava e fico feliz por ainda não ter perdido a capacidade de me surpreender com estas pequenas coisas. É assim que se mantém um espírito jovem.

A meio das minhas férias de verão recebi uma mensagem informando-me que a minha mãe tinha sido internada em estado grave. Ontem confirmei as minhas suspeitas e percebi que a doença dela provavelmente não terá cura e que por mais amplos que sejam os meus esforços, por muito que me sacrifique para tomar conta dela, há casos que estão para lá das nossas melhores intenções e desejos.

Para terminar o ano em grande, no mês de Dezembro começaram a estragar-se coisas cá em casa. A torneira da cozinha que não parava de pingar. O aspirador que deixou de aspirar. A máquina da roupa que no passado fim de semana começou a acender uma luz estranha. E agora o Che que me apareceu com um alto no peito... 

Este ano, tal como no anterior, voltei a investir o meu tempo e energias num concurso na minha área que se revelou uma comédia. Daquelas que acabam comigo a não rir, ou melhor dizendo, a chorar. São estas as principais razões pelas quais o meu doutoramento continua em rascunho. Porque não há futuro. A sério que percebo as frustrações dos recém-licenciados que passam meses à procura de trabalho. Agora experimentem não ser recém licenciados (ou mestres de Bolonha, desculpem lá). Experimentem ter 30 anos, um doutoramento quase terminado, tentar a vossa sorte nos concursos PÚBLICOS (que de públicos, imparciais e isentos têm muito pouco), enviar currículos pra todo o lado como se fossem bolas de papel amassadas para o caixote do lixo porque as empresas desconhecem o que é um antropólogo e chegarem a esta altura da vida e receberem menos do que uma empregada doméstica. Quando alguém se digna a dar-vos trabalho, claro.

Como é tudo um grande e patético circo (e eu sei bastante bem que não sou a única palhaça que por cá anda), vou seguir o conselho que o Diogo Morgado (oh yeah, hot Jesus!) deixou na sua página de facebook. Vou pegar nas 12 passas ao mesmo tempo, enfiá-las todas na boca e pedir apenas um desejo. Garante que com ele nunca falhou. Por isso, vou pedir apenas coragem para enfrentar os meus medos. Não vou pedir um emprego digno. Não vou pedir saúde para mim e para os meus. Não vou pedir mais nada. Já tentei ser mais positiva, focar-me nas boas energias e lutar até ao osso pelos meus objectivos. Não resultou. Por isso vou ser honesta e apenas pedir para que a minha atitude mude. Um bocadinho menos de ansiedade em cada dia, um bocadinho mais de paz interior para mim. 

Queria tanto acabar esta publicação com humor negro, mas depois lá se vão os seguidores...

Oh, que se lixe.

Com a sorte que tenho tido, quando meter as passas todas na boca, se calhar deveria era pedir para não me engasgar...





Comments

  1. 2014 há-de ser melhor... E faz-me o favor de não te engasgares, que não vale a pena!!!

    Eu cá vou dispensar as passas, já que não gosto nada e os desejos nunca se realizam... é que nem um para amostra, pelo menos por estas bandas; vou, isso sim, atirar-me ao champanhe (ai desculpa, ao espumante, lol), a ver se me esqueço de 2013, hahahaha!

    Bjos, minha querida :)

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  2. Acabei por me rir no final do post, ainda que não tenhas usado o humor negro.
    Só espero e desejo que os teus medos este ano sejam poucos ou nenhuns, mas ianda assim que nunca te falte a garra e coragem para os enfrentar.
    Um beijinho e um Bom Ano 2014! ;)

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  3. Eu já tinha decidido que ia entrar em 2014 de pés juntos, usar umas cuecas vermelhas, que as azuis não têm dado muito certo e agora também vou aplicar essa das passas que me parece genial!!

    Espero que o teu desejo se realize e que tenhas a maior coragem para enfrentar o novo ano que aí vem. (Eu peço o mesmo para mim...). E que este ano só tenha servido para te fortalecer!

    Beijinhos**
    As melhoras para o Che
    E força com a tua mãe

    Ah, e fizeste-me dar uma grande gargalhada com a última frase!!

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  4. Oh pá! Oh pá! :-( Percebo a tua angústia (e também não sou adepta das resoluções de ano novo e do otimismo estúpido). E não sei o que te dizer. Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, há pessoas com quem sentimos uma empatia através do que escrevem ou de como se apresentam, por isso tocou-me muito este teu post e por isso quero mandar-te um abraço! E que 2014 seja infinitamente melhor do que este que agora termina...

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  5. Para mim, 2013 também não foi um ano fácil. Mas foi de grande crescimento. Com as desilusões, perdi uma boa parte da inocência que me caracterizava. Só espero que 2014 seja mais brando. Estou com aquela melancolia de fim de ano que me caracteriza. Mas fiquei feliz por teres gostado dos scones de alfarroba :)

    Que 2014 seja melhor.

    Um abraço,
    Ilídia

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  6. Com Caraças!!! É por esta honestidade que adoro o teu blog!!! É bom ler-te, pois, também me vejo. (frase profunda... pumba!)
    Força miúda! Desculpa lá a "proximidade" que o termo "miúda" possa ter, mas... força miúda!!!!!!!!!
    Eu também vou estando por aqui a desabafar http://luismpatricio.wordpress.com/.

    Pelo sim pelo não, faz um batido com as passas, a probabilidade de engasgar é menor.

    Um beijinho.

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  7. Ok: respira fundo e vai em frente; depois da tempestade, vem a bonança; as estrelas só brilham no escuro... opha, não me lembro de mais frases motivadoras para te animar! ;) Mas, também, acho que não precisas de ânimo... eu cá (que sou uma otimista das piores) suspeito que o teu humor negro funciona assim quase como uma terapia... e depois do que escreveste, estás pronta para enfrentar o que aí vem! E vai ser melhor, só pode ser melhor... afinal, aprendeste tantas coisas!
    Beijinhos e um excelente 2014!

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  8. Respondendo com humor negro: Não te engasgaste pois não? :P

    Quanto ao resto, bola na frente! O que tiver que ser será e espero que seja bom!
    Bom 2014!!

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  9. Coragem para enfrentar os meus medos, então. Espero que não tenha sido necessária uma manobra de Heimlich. ;)

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  10. Bem vinda ao grupo! Este ano há-de ser melhor. Temos de ter esperança. beijinhos e espero que a tua mãe melhore.

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  11. ainda não tinha tido oportunidade de agradecer os vosso comentários. obrigada pelo tempo que perdem a ler as minhas divagações e a desejar-me tudo de bom. que se multipliique por três e que volte para vocês :) beijinhos

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  12. Sou brasileira e te "encontrei" aqui há pouco tempo, mas tenho que te dizer...estou viciada nas tuas histórias e já comecei a experimentar as receitas...todas tão apetitosas!! Já estamos no fim de fevereiro, mas de qualquer forma, desejo que, ainda que este ano possa ser ainda difícil (pois nada é fácil o tempo todo!), que te divirta muito, que cozinhe bastante, que teus gatos continuem lindos e saudáveis como sempre e que não pare de compartilhar tuas histórias...faz a gente ver que tem gente como a gente por aí...e isso é mais do que bom!! ;)

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    1. olá sarah carolina e bem vinda! obrigada pelo teu comentário, foi responsável por me roubar um sorriso. eu também gosto mais de blogues "reais" do que daqueles que tentam passar a imagem de que a vida é toda cor de rosa. não é com estes que me identifico. ainda bem que gostaste, tanto das histórias, como das receitas. e os meus gatos mandam turrinhas ;) bjs

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