Meatless Monday ~ Caril vegetariano de lentilhas, batata doce e couve flor.



Não sei se têm guilty pleasures. Devem ter, todos temos. Um dos meus  preferidos são as séries rascas e a que me roubou o coração recentemente foi a Criadas e Malvadas, que passa aos sábados à noite no AXN White. O autor é o mesmo de Donas de Casa Desesperadas, uma série que também me prendeu desde o primeiro episódio, mas que acabou por me desiludir - também estava à espera do quê?...

O enredo é simples. Cinco criadas latinas limpam as mansões de Beverly Hills dos seus patrões, lares esses povoados pelos mais terríveis segredos. A história começa com um mistério, um homicídio de uma das criadas, sendo um dos seus colegas de trabalho injustamente acusado. A partir daí a trama adensa-se, entre casos amorosos com os patrões, fetiches perturbadores, ambições pessoais e solidariedade de classe. Tem, portanto, todos os ingredientes para me cativar, razão pela qual ao sábado à noite deixo sempre a série a gravar e depois lá vou eu toda contente assistir ao último episódio.

Não foi, no entanto, a série em si que me motivou a escrever sobre ela. Foi, isso sim, o tema. Também cá em casa houve algumas "criadas malvadas"...

A Luísa que não se achava fisicamente apta para trabalhar para nós (mas nos outros sítios todos não havia problema) e a sua diarreia verbal que incluia, entre muitas outras coisas, contar-me sempre e ao pormenor todas as pessoas com quem se tinha cruzado no autocarro, incluindo mesmo os que via pelo vidro.

"Sabe, m'na, hoje vi um ciclista a pedalar no meio dos carros."

"A sério, Luísa, um ciclista?............."

A única pessoa que conseguiu cansar o meu gato ao ponto de ele suspirar e enterrar a cabeça nas patas enquanto ela falava non stop. Aquela pessoa que eu ia verificar ao quarto se estava a respirar quando passava muito tempo sem a ouvir falar.

Depois tivemos por cá a Janna, uma russa atrevida, para não dizer pior. Gostava de opinar sobre tudo e mais alguma coisa, passando todos os limites do aceitável, mas cujas ousadias muitas vezes tentei imputar a problemas de comunicação e de tradução. Que perguntava se estava tudo bem com a minha relação em termos sexuais se percebia que o P. tinha dormido no sofá da sala (já agora, ele tem insónias, está tudo bem connosco e recomenda-se...). Que dizia que eu tinha de exigir ao P. que me comprasse coisas porque a minha roupa era maioritariamente da Zara e a dele da Diesel. Que me ralhava para deixar os sacos de plástico arrumados e bem dobrados porque não estava para perder tempo à procura de um saco que servisse as suas necessidades do momento. Que me entrava pelo quarto adentro enquanto eu ainda estava deitada, sem bater à porta e abria o estore porque "tinhá qui trabalhááá".

E depois houve a Sandra. Uma senhora que vivia num bairro social, conduzia um monovolume, tinha um time-share na Vila Galé em Albufeira e era doutorada em subsídios sociais. Uma pérola que entretanto emigrou pouco tempo depois de a despedir. Sinceramente, não sei bem porquê, vivia bem melhor do que muita gente em Portugal...

Já há uns largos meses temos connosco a Isabel, empregada em casa dos pais do P. desde que ele tinha apenas 2 anos e ela 19. A Isabel é o topo de gama das empregadas domésticas. É super bem disposta, honesta e conversa apenas na medida certa. É aquela pessoa em quem confio a 200%, que nunca me faltou ao respeito e que sempre foi como um membro da família desde que a conheci e, é portanto, tratada como tal. A Isabel que passa a roupa toda a ferro e limpa a casa num ápice e que não vem desde o fim de Dezembro porque esteve de férias. A Isabel que entende o meu peculiar sentido de humor e que há dias recebeu uma fotografia minha do molho de roupa que entretanto se acumulou nestas últimas semanas e que seguia com a legenda: "Feliz Ano Novo! Amanhã cá a esperamos! ;) "

Estive mesmo para escrever antes assim: "Volte. Está perdoada."
 


~ Ingredientes ~

receita adaptada do blogue Compassionate Cuisine

um fio de azeite
1/2 cebola roxa média picada
2 dentes de alho laminados
2 malaguetas picadas
1 colher de chá de caril Suldouro
1 colher de paprika Suldouro
1 colher de chá de cominhos em semente
1 colher de chá de gengibre fresco ralado
1 batata doce pequena
200g de couve flor
100g de lentilhas verdes
400ml de leite de côco light
50ml de água a ferver
1/2 chávena de quinoa cozida em água fervente 
hortelã seca Herdade do Gamoal
Sal & Vida (2 borrifadelas por prato)

Descascar a batata doce e lavar bem as cabeças de couve flor. Numa frigideira grande, colocar um fio de azeite e refogar a cebola com o alho e as malaguetas. Ralar o gengibre para dentro da frigideira e cozinhá-lo juntamente com as especiarias. Adicionar a batata doce cortada em cubos e a couve flor. Deixar cozinhar uns minutos e depois adicionar o leite de côco e as lentilhas. Baixar o lume para o mínimo e tapar a frigideira. Cozinhar até que as lentilha estejam cozidas, mas não desfeitas (cerca de 20m). À parte cozer a quinoa (lavar os grãos muito bem e depois cozer com o dobro da quantidade da água). Adicionar a quinoa pronta ao caril, borrifar com Sal & Vida e refrescar com um pouco de hortelã seca.


tempo de preparação: 60m
dificuldade: **
vegetariana: sim
para crianças:  sim 
ingrediente principal: lentilhas

♥ Lovely Sponsor ♥


Comments

  1. Bom dia Maria,
    Eu também adorava as Donas de casa desesperadas e embora não tenha apanhado as séries todas, as que vi adorei e, tal como tu, também fiquei desapontada com o final. Esta nunca vi nem sequer a apresentação...
    Lindo e super apetitoso este caril vegetariano.
    Beijinhos grandes,
    Lia.

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  2. Olá,
    Eu queria tanto ver essa serie mas, infelizmente não consegui acompanhar.
    Lindo pratinho, bjs
    Susana

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  3. também vejo ess aérie, aliás tenho que confessar que estou um bocadinho viciada ;))

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  4. Adoro essa série,....este caril ficou maravilhoso!
    Beijinhos e bom ano 2014!
    Espero por ti em:
    http://strawberrycandymoreira.blogspot.pt/
    https://www.facebook.com/omeurefugioculinario

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  5. Ainda não vi essa série, mas percebo-te bem. Viciei-me de inicio nas donas de casa mas acabei por deixar de ver.
    Agora ando numa onda de breaking bad e vampirinhos parvos lol nada a ver.
    Este caril está fabuloso, assim começas bem a semana!
    Um beijinho.

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  6. Ai como eu te entendo... O meu rol de empregadas é muito mais longo que o teu, mas tem pérolas parecidas... Trata bem a Isabel, porque é uma raridade!
    Gostei muito do teu caril, adoro caril de legumes...
    Beijinhos

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  7. Bem, eu tenho um NOT guilty pleasure ahahah ( tãaaao previsível!! )
    Adoro séries mas essa por acaso não vejo.... o meu guilty pleasure de televisão são os reality shows. Epa andei aí uma altura que passava o dia a ver as kardashian e mais uma data de programas desse género. E adooooro o the biggest loser. Pronto já me confessei! Ainda mereço um bocado desse caril delicioso? ;)

    beijinhoo

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