Meatless Monday ~ Penne verde e encarnado.


Podem não acreditar, mas eu sou uma adepta ferrenha do Futebol Clube do Porto. O meu amor pelo FCP e pelo Pinto da Costa (a personificação em carne viva do meu clube e, muito resumidamente, o "máior") é proporcional ao meu desprezo pelos clubes da 2ª Circular, com destaque para o encarnado. Sofro bastante com os jogos e depois tenho de defender o meu adorado Porto com unhas e dentes face a lampiões e lagartos no Facebook, o que por um lado corre bem (se o Porto ganha) ou por outro, corre pessimamente. Seja como for, tenho sempre de defender o meu clube porque se ganhamos foi a roubar, se perdemos, foi desígnio divino. Ou então tenho de os ouvir gozar com as asneiras que o ex-treinador do Porto disse em directo, apesar do Jesus falar um dialecto da Reboleira que só ele e mais 3 pedras da calçada entendem. O nosso engana-se uma vez, o deles não acerta uma e nós é que somos gozados...

Isto de falar de futebol, quando se percebe pouco de táctica ou não se consegue memorizar o nome dos jogadores, tem muito que se lhe diga. Resume-se a trocar meia dúzia de insultos e a gozar com as tiradas do Jorge Jesus (que nas últimas temporadas me tem dado mais alegrias do que qualquer treinador do FCP, especialmente no final da última). Foi graças a ele que o meu número da sorte passou a ser o 92.

Há duas razões pelas quais sou do Porto. A primeira e a mais importante de todas é porque o meu pai é ferrenho dos verdes e a minha mãe dos encarnados e tanto um como o outro ficam cegos com os seus clubes. Como não queria chatear e, especialmente, agradar a nenhum dos dois, acabei por escolher o Porto. Durante uns anos a minha Avó convenceu-me a ser do neutro Belenenses, mas eu não tenho feitio para ficar a ver os outros a jogar e a ganhar, de maneira que por minha iniciativa decidi mudar de clube.

Em segundo lugar, a minha decisão de me tornar uma orgulhosa dragoa foi simultânea às vitórias do penta e à contratação do meu jogador favorito: António José dos Santos Folha. Este senhor do norte era tão parecido com o Richard Gere, que em caso de dúvida clubística, acabei por seguir o coração e este levou-me às Antas. O Folha apagou-se, apesar dos seus incríveis cruzamentos do lado esquerdo, mas eu nunca o esqueci. Provavelmente serei a última e a única.

Como se não bastasse toda esta dinâmica familiar disfuncional, casei-me com um homem que é sócio desde que nasceu e tem um passaroco de diamante a comprovar os 25 anos de ligação oficial ao clube de Carnide. Antes de ser registado como indivíduo, foi registado como sócio, o que diz muito acerca dos valores que lhe foram transmitidos e que pretende incutir aos nossos rebentos. Ele já disse que não perfilha ninguém se não puder fazer o mesmo que lhe fizeram, que é tradição de família e pardais ao ninho, mas eu não vou passar por dores do parto para parir um lampião. Por isso as opções são duas: ou me deixa registar a criança também no FCP (acho abominável que os pais escolham o clube pelos filhos, mas na dúvida parte de uma base de igualdade) ou vai ser o primeiro a inscrever um Jorge Nuno na Luz. A escolha é dele. Se sair à mãe e à sua mania de ser do contra, será um orgulhoso lagarto e eu com isso posso viver: ao meu irmão também o queriam pintar de verde e acabou mais encarnado do que o sangue que lhe corre nas veias (o meu é azul). Relembro-vos que nem sequer estou grávida, mas este é um assunto que amiúde debatemos cá por casa, por vezes aos gritos. Já o informei que arranjei dois amigos sócios do Porto que se encarregarão de inscrever o meu filho por mim enquanto estiver na maternidade. A resposta dele a esta minha decisão foi: "Boa sorte para as segundas núpcias."

Infelizmente este ano o meu querido clube está em fase de transicção: contratou um urso para treinador (no momento em que escrevo este foi despedido e encontramo-nos num hiato onde sobram as dúvidas e se fazem apostas sobre o nome do sucessor) e a equipa não é a mesma que nos garantiu os resultados dos anos anteriores. Como tal, tenho de lidar com as bocas de alguns palermas que usam o discurso de sempre para criticar o Porto (nem vale a pena repetir, basta que vos diga que o meu pai foi vice-presidente do seu clube e, acreditem no que vos digo, não há NENHUM isento). Mas como eu não sou facciosa (ouvi barulho aí atrás? não, pois bem me parecia que tinha sido só impressão minha...) e até tenho fairplay, hoje trago-vos uma refeição vegetariana inspirada nos tais clubes da 2ª Circular.

O ingrediente secreto? Arsénico.


~ Ingredientes ~

1 colher de chá de azeite (usei o do frasco do tomate seco)
2 pedaços de tomate seco e conservado em azeite cortado em pedaços pequenos
1 folha de louro
2 malaguetas conservadas picadas
3 dentes de alho laminados
1/2 cebola média cortada em meias luas
8 tomates cherry cortados ao meio
100g de cogumelos Paris frescos cortados ao meio
100g de pimento vermelho em cubos
1 molho de espinafres com folhas e talos (não sei o nome da variedade, mas são dos mais carnudos)
1 colher de chá de levedura ede cerveja
3 borrifadelas de Sal & Vida 
penne integral

Refogar as malaguetas, a cebola, o alho e o louro cerca de 5m. Acrescentar o tomate cherry e o seco ao sol, bem como os cogumelos. Saltear mais 5m. Juntar o espinafre, baixar o lume para o mínimo, tapar a frigideira e cozinhar cerca de 20m. Entretanto cozinhar o penne integral de acordo com as indicações da embalagem (cerca de 11m). Juntar a massa aos legumes, polvilhar com a levedura de cerveja e borrifar com Sal & Vida. Misturar bem e servir.

tempo de preparação: 30m
dificuldade: *
vegetariana: sim
para crianças:  sim 
ingredientes principais: penne integral

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Comments

  1. Olá Maria,
    Que belas gargalhadas já me fizeste soltar. Isto não há nada melhor para um fantástico início de semana que começar as visitas pelo teu blogue, pois é certo que vai haver boa disposição o resto da semana e olha que eu sou lagarto, portanto, podia estar aqui furibunda e a rogar-te pragas, mas não... estou aqui a rir que nem uma perdida e a pensar o quanto adoro ler-te.
    Bom "clubismos" à parte, porque discutir religião e futebol, acaba sempre à chapada, só um pequeno aparte...
    cá em casa aconteceu mais ou menos o mesmo, mas a coisa aqui foi pior, pois o meu rebento, sendo eu e o pai lagartos e estando nós sempre a dizer mal dos peúgas brancas da Luz, decidiu ser do Porto ainda com tenra idade, mas a inclinação e amor pelos bimbos vermelhos já lá estava a crescer que nem uma árvore venenosa a criar raízes...
    tanto assim que, quando atingiu a maioridade (leia-se 7 anos), assumiu a bimbice e vestiu a camisola vermelha que ostenta com orgulho pela casa. Claro que já o deserdei e não lhe compro nem um único par de peúgas brancas, mas nem isso o demoveu e então, que remédio tenho eu senão conviver com uma águia empertigada cá em casa.
    A tua massa, adoro, embora venha carregada de arsénico, replicarei a receita sem o dito...
    Beijinhos e boa semana,
    Lia.

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    1. essa dos peúgas brancas não conhecia. já tenho mais um insulto para acrescentar ao rol que atiro contra os benfiquistas hehehe!! tens razão, entre religião, futebol e política, venha o diabo e escolha... mas com bom humor já dá para conversar sobre tudo... desde que todos os intervenientes o tenham, claro! há alguns que até prefiro nem ouvir... bjs

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  2. é verdade...
    Muitos parabéns Maria!
    Votos de um dia muito feliz e mimado e, de preferência, com mais um anel lindo...??
    Beijinhos grandes,
    Lia.

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  3. Arsénico? Espero que não tenhas comida essa massa (que tem muito bom aspeto, por sinal!) ;-)

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    1. estive quase para adicionar cicuta, mas o arsénico é mais potente ;)

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  4. Eu já tinha dito que adoro o teu sentido de humor mais de uma vez, certo?! O que me ri contigo, fizeste-me lembrar uma reunião que tive na semana passada com 4 portistas ferrenhos e anti-benfiquistas assumidos, que foi hilariante!
    Sendo eu portista e o meu marido benfiquista, posso te dizer que não tivemos grande sorte em converter os nossos filhotes. O mais velho, embora tenha recebido uma camisola vermelha na primeira semana em que nasceu, é agora bracarense, e o mais novo, que apenas à uns meses começou a interessar-se por futebol, salta de clube em clube, estando no entanto, o Guimarães no topo das preferências, seguido pelo Gil Vicente. Dá para entender, estes miúdos?!?!
    Quanto à tua massa, adoro! As minhas refeições vegetarianas passam muito por massas, que são as que agradam mais aos esquisitos da casa.
    Beijinhos

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    1. é por isso que acho que não vale a pena os pais insistirem em escolher o clube pelos filhos: o resultado sai sempre ao contrário! nas massas o melhor é escolher sempre das integrais para que a refeição seja mais equilibrada e na alimentação vegetariana não caiamos na tentação de substituir a proteína por hidratos de carbono simples. por isso, venham as massas com legumeS!! bjs

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  5. (epa, eu nem vou comentar esse texto que até tive de tomar um kompensan depois de o ler, portanto passemos já à receita sim??)

    Adoro estas massas cheias de coisas saborosas, isto até aprece um dos meus almoços!
    E continuas rendida à levedura han? :P Combinada com o tomate seco e os espinafres, yummmi! É das minhas massas favoritas!! (E eu às vezes também junto um bocadinho de pasta miso, fica deliciosa!!)

    beijinhos
    (E saudações benfiquistas!! eheh)

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    1. eh pá, não tinha ideia que irias precisar de kompensan para ler o que escrevi... achava que eras tão boa pessoa, mas afinal parece que ninguém é perfeito! :p
      ando à procura de pasta de miso, tenho muitas receitas guardadas onde prevejo usá-la. basta encontrá-la!
      bjs e bibó portoooooo!!! :p

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