Bolachas de polvilho doce com côco.

As que sobraram quando tirei a fotografia no dia seguinte! :))

Apesar da minha capacidade para memorizar tudo, a qual por vezes é assustadora (imaginem a quantidade de informação que tenho guardada, completamente desnecessária e por vezes dolorosa, que se acumula nas diferentes áreas do meu cérebro, ocupando espaço que deveria ser libertado para informação realmente importante), nunca consegui decorar uma receita. A única que sei de cor é a do bolo de bolacha da minha Avó, o que se explica pelo seu agudo grau de complexidade...  Por outro lado, é-me impossível esquecer aniversários de namoro de amigos do meu marido, bem como conversas que tive em 1900 e troca o passo. Sei os diálogos de cor, onde as vírgulas entram e o que todos vestiam e comeram nesse dia. Podem pôr-me à prova, eu dificilmente falharei.

Acho que deve haver uma explicação médica, anatómica ou bioquímica muito simples para que este fenómeno que me permite lembrar-me-de-tudo versus não-ser-capaz-de-memorizar-listas-de-ingredientes me aconteça. Por outro lado, já tive dois acidentes que levaram a encontros imediatos entre a minha cabeça e o chão, de maneira que se calhar a resposta também poderá ser encontrada aí. Onde quer que ela esteja, a verdade é que levo sempre a receita que pretendo confeccionar para a cozinha, seja em livro, telemóvel ou ipad, os quais invariavelmente saem de lá enfarinhados (e não sei ainda como não se deu um desastre maior, mas admito que deve estar para breve, porque eu sou muito desastrada...). Sigo a receita passo a passo até chegar ao final, voltando várias vezes ao enunciado. 

"2 ovos e 350g de farinha..."

"OK, 4 ovos e... o que era mesmo? 250g de fermento?..."

Mas actualmente esta realidade mudou. Não quero com isto dizer que consiga decorar uma receita em três tempos, não. Simplesmente troco ingredientes por recortes da minha imaginação e dou largas à criatividade. Se não tenho 50g de margarina para uma receita, não é isso que me fará deter: troco-a por um pouco menos de azeite. Raspas de limão e laranja são sempre bem vindas e há sempre espaço para um ou outro ovo para dar consistência à massa. Se esta ficar muito seca, então leite com ela!

Apesar da minha tendência para ser fiel às receitas que experimento, penso que a semente de rebeldia já estava implantada em mim. Por vezes pediam uma pitada de canela e eu acrescentava duas. A medo e com receio de ser desmascarada, é um facto, mas sempre dei um pequeno cunho pessoal às receitas. Actualmente já me aventuro muito mais, já recrio combinações de ingredientes que sei que funcionam. No caso destas bolachas, queria aproveitar o polvilho doce que tinha na despensa mas numa receita doce. Encontrei esta quase à primeira e a partir daí fui fazendo as alterações que me pareceram mais pertinentes. E mesmo não sendo grande fã de côco, acreditem que estas bolachas entraram directamente no top 10. Da próxima vez, quem sabe, ou sigo a receita à risca, ou fecho os olhos e seja o que deus quiser.

Para quem liga a estas coisas, as bolachas não têm glúten... mas têm lactose!


~ Ingredientes ~

receita adaptada do blogue Pão e Cerveja

300g de polvilho doce
40g de açúcar amarelo 
40g de açucar mascavado
60 gramas de Maizena
100 gramas de côco ralado
60g de Becel
1 ovo biológico M
100ml de leite magro

Bater o ovo com os açucares e a margarina. Adicionar o leite e continuar a bater até obter uma massa homogénea. Seguidamente, juntar o côco, a maisena e o polvilho doce. Embrulhar em película aderente e levar ao frigorifico cerca de uma hora para que a massa fique mais consistente e fácil de moldar. Ligar o forno nos 180º. Com a ajuda de uma colher, retirar pedaços de massa para um tabuleiro coberto com papel vegetal. Pressionar com um garfo e levar as bolachas ao forno cerca de 20m. Não convém mesmo deixá-las cozer demasiado, senão ficam duras por dentro. O ideal é não ultrapassar os 15-20m para que fiquem estaladiças por fora e cremosas por dentro (tipo pão de queijo!).

tempo de preparação: 40mdificuldade: *
vegetariana: sim
para crianças: sim 
ingredientes principais: polvilho doce

Comments

  1. Tenho péssima memória para aniversários, telefones e recados, às vezes esqueço-me das coisas no minuto seguinte! Nunca fui de cabeça ao chão mas já levei com a sanefa do cortinado em cima, será que também fui afectada? :P seja à risca ou alterada tens esta receita deve ser bem boa, adoro côco! E que piada tem seguir tudo certinho? Há que arriscar na vida, coisas fantásticas podem surgir, nem que sejam óptimas receitas :) beijinho*

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  2. Olá! Já algum tempo que não passava a visitar-te, mas ao ver estas bolachas no face tive que vir espreitar.
    Nunca utilizei polvilho numa receita. Fiquei mesmo curiosa em relação ao sabor desta bolachinhas que parecem ter ficado perfeitas.
    beijinhos

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  3. Eu em questões de memória,sou e sempre fui uma nódoa, e com o passar dos anos e as noites mal dormidas, só está cada vez pior :( ...Quanto às receitas estou mesmo como tu, também era assim, mas a rebeldia também me atacou e agora volta e meia, ponho-me a inventar, e por vezes o resultado surpreende-me pela positiva :)
    Nunca experimentei fazer nada com polvilho doce, mas deixaste-me com curiosidade com estas bolachinhas que parecem uma delícia.
    Tu com o polvilho doce e a Patrícia com o polvilho azedo, lá terei de comprar ingredientes novos para a despensa :) ...é estranho que comprar ingredientes novos me ponha um sorriso na cara?!?!
    Beijinhos

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  4. Devem ser tão boas, adorei e um pouco de lactose (a mim) não me faz mal.
    Bjs

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  5. Olá Maria,
    Pois se encontrares essa explicação médica avisa, porque eu também preciso dela.
    É incrível a capacidade de memória que tenho para me lembrar de acontecimentos e conversas e momentos (especialmente os mais negros e que devia esquecer) e para decorar receitas, está quieto e olha que te dou um exemplo que até a mim me faz confusão. Faço sempre o mesmo molho para temperar saladas, pois adoro e é fácil e pões num frasco no frigorífico e depois é só ir deitando sobre a salada. Já o fiz um milhão de vezes e acreditas que tenho sempre que ir buscar o livro para ver a receita? Bem e máquina fotográfica, livros, ipad e afins enfarinhados e até com nódoas de polpa de tomate, é a imagem de marca cá da casa, eheheh!!
    Adorei estas tuas bolachinhas e eu sim, sou louca por côco, mas infelizmente sou a única cá em casa e não posso abusas das receitas com ele, senão habilito-me a colocar mais uns quilos em cima, pois terei de comer tudo sozinha...
    Beijinhos,
    Lia.

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