Férias 2014.

Definição de "férias" pelo Priberam:
[substantivo feminino plural]
. tempo durante o qual não funcionam aulas, tribunais, etc.
. interrupção relativamente longa de trabalho, destinada ao descanso dos trabalhadores.

Ok, há quem nem sequer as tenha, por isso não me vou queixar. Vou queixar-me só um bocadinho. As minhas férias este ano resumiram-se a uma sucessão de programas turísticos, resolução de problemas felinos e sincronização de agendas. Tive a visita de uma antiga colega de casa de Cambridge e do respectivo irmão gémeo. Ela mora em Paris e chegou a Faro três dias depois de eu assentar arraiais no Algarve com o meu marido e a Carlota, tendo deixado os dois gatos mais velhos em casa sozinhos, mas sob o cuidado de parentes e amigos. Não sou apologista de serviços de cat-sitting desde que pedi um orçamento a uma criatura que me fez o jeitinho simpático de reduzir os 15€/hora que cobrava para 13€ e me entrou pela casa adentro a apontar os problemas que via em minha casa e que punham em risco o bem estar dos meus gatos (nomeadamente, comedouros em plástico). Depois de a pôr na rua, resolvi levar os gatos de férias comigo. Porém, este ano essa possibilidade não se podia colocar, de maneira que ficaram muito bem entregues a eles mesmos, com 5€ cada um para descerem ao restaurante da esquina e pedirem meia dose de sardinhas cada um, caso lhes desse a fome. Recipientes em plástico é que nunca mais! É que se é para ser negligente com os gatos, mais vale sê-lo em toda a linha e juntar a fama ao proveito.

Ora bem, depois de chegada a minha amiga com um mau humor que só as francesas sabem como ostentar, nem as bolas de Berlim na praia a convenceram a esboçar um sorriso. É engraçado como as pessoas mudam (eu também) e deixamos de ter pontos em comum. Sejam eles quais forem. Simplesmente, não temos assunto, interesses ou conversa que faça sentido manter mais do que 10m no skype. É chato descobrir isso quando elas nos visitam por uma semana durante as férias.

Voltámos para Lisboa para apanharmos o seu irmão que, calhou bem, chegou mais cedo de Hong Kong depois de um vôo de quase um dia inteiro. Acelerámos em direcção ao aeroporto da Portela, onde enfiámos bagagem capaz de vestir um exército chinês na parte de trás do Mercedes (que este ano só precisava de ser pintado de bege ou, tradicionalmente, de preto e verde para se chamar táxi, já que foi conduzido por um Manel que a todo lado levou os sempre insatisfeitos turistas). Sentámos um francês em cima do outro e voltámos para casa, onde os coitados dos gatos machos nos aguardavam cheios de saudades depois de uma semana de ausência. A Carlota voltou para a quarentena no quarto (digo-vos já: não há nada como dormir várias semanas com uma caixa de areia de gato a menos de um metro da cama para aprender a dar valor aos aerossóis do Lidl que esburacam o ozono, mas que deixam um cheirinho a toilette de área de serviço da auto-estrada que é uma maravilha!...) e os turistas tiveram de partilhar o sofá da sala e o colchão de ar com os gatos mais velhos. Tenho a certeza que ficariam melhor no Ritz, mas eles estavam numa de "going native", por isso levaram com a experiência portuguesa por inteiro. Por pouco não os mandei para uma roulotte no parque de campismo da Caparica, mas receei que aí já fosse um pouco de mais. Não queria que eles voltassem com os mesmos modos dos emigrantes portugueses em França, que lhes limpam as casas e tomam conta dos prédios, e de quem eles tanto se queixam.

A nossa semana visitando Lisboa teve tantos altos e baixos como as colinas que serpenteiam pela nossa capital. É extremamente gratificante fingirmos ser turistas na nossa cidade. Por outro lado, é incrivelmente estúpido. Há filas intermináveis para subir para o eléctrico 28 no Martim Moniz em Agosto, filas essas que se evaporam com o regresso às aulas. Por outro lado, os moradores de Lisboa não pagam para visitar o Castelo de São Jorge, enquanto que os turistas são obrigados a pagar pelo menos 8€ para passear pelas ameias. Não me lembrava de ter ido ao Palácio da Ajuda num passado próximo (sim, eu fui a única pessoa que não fez fila para ver a exposição da Joana Vasconcelos, uma artista plástica que teve várias obras durante sei lá quanto tempo em exibição no CCB para serem vistas gratuitamente!!!) e gostei bastante de visitá-lo em sossego. Saltei o Palácio da Pena e restantes atracções turísticas em Sintra porque já as visitei tantas vezes que perderam parte do seu encanto, tendo eu e o meu Manel decidido alapar-nos no Café Saudade a comer travesseiros enquanto enviávamos mensagens aos franceseses garantindo que "estávamos quase a chegar!". Aos travesseiros precederam uns percebes e um gin tónico na Praia das Maçãs enquanto eles experimentavam os serviços férreas da linha de Sintra, mas por esta altura já não havia nada a fazer. Eu necessitava de férias! Seguiu-se um ventoso Guincho e a garantia por parte do meu turista francês que, em Hong Kong, aquela ventania seria sinal para recolherem às suas casas porque se aproximava um tufão.

Depois seguiu-se o Convento de Mafra, o que calhou mesmo bem, visitámos no único dia em que estava fechado. Por esta altura já eu suspeitava que os nossos turistas não estavam interessados em conhecer a história nem a cultura dos monumentos que visitavam: fotografavam-nos e publicavam a sua experiência no facebook. É o suficiente, não é? Conheço tanta gente que faz turismo assim, colocando os seus "certinhos" na lista das coisas a ver, para terminar com um "a Europa já está!" que nem me deixo surpreender mais. Calo-me, sorrio e continuo na minha. Não discuto com totós. Então aí deixei de visitar os recantos da minha memória onde guardo as aulas de História do secundário, bem como os panfletos e páginas do wikipedia, e deixei-os partir em direcção ao norte, como estava combinado que fariam sozinhos: Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Guimarães em 4 dias. "Gostaram do Bom Jesus?" "Quoi?" "Ah, não viram, não faz mal, era só O mais giro." 

E assim se passou uma semana. De férias? Isso já não sei. Se por um lado, me falta a paciência para um tipo de turismo com o qual não me identifico e para uma arrogância que já me tinha esquecido que existia, por outro soube bem mostrar este país à beira mar plantado e as suas riquezas que ultrapassam largamente a dívida europeia que os eternos credores gostam de nos lembrar que temos. Ficam as imagens da resistência à quarta invasão francesa.

férias
substantivo feminino plural
5. Tempo durante o qual não funcionam aulas, tribunais, etc.
6. Interrupção relativamente longa de trabalho, destinada ao descanso dos trabalhadores.

"féria", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/f%C3%A9ria [consultado em 24-08-2014].

Loja de produtos brasileiros ao pé da marina com tapioca e água de côco! Vou lá depois provar o açaí na tigela! E eu que nem tive tempo de tirar foto à tosta XXL do almoço acompanhada de uma coca cola fresquinha?!


Good morning, beaches!!! ☀️☀️☀️

Não é caipirinha, mas tem direito a vista da varanda e serve para ir começando...

Não sei quem é o responsável pela água gelada, mas agradeço que lhe junte umas limas e cachaça, caso contrário não se faz nada com isto este ano!!

Bola de Berlim de alfarroba na praia?! Yes, please!!

O melhor sushi que já comi (e já cá vim duas vezes!!) está em Faro no Sushi Pearl. Taoooooo bom!!!

Mais um dia disto and that's all, folks!

Turistas em Lisboa (parte 1). #bairroalto

Marketing...

Today on the red carpet... #palácionacionaldaajuda

"(...) tinham uns quatro ou cinco pratos suculentos e bem temperados que sabiam muito bem, mas faziam muito mal (...)" #paláciodaajuda

Eu, o fantasma do Palácio da Ajuda. Buuuuuhhh!!!!...

Já há algum tempo que não via uma bandeira vermelha!! #praiadasmaçãs

Sintra, é sempre fixe.

Estive quase para colocar uma selfie do meu look pós-Guincho, mas a paisagem é mais bonita.

Mostrar uma parte de Portugal com este tempo em Agosto a dois estrangeiros é, no mínimo, peculiar. Porém, a paisagem nunca desilude. #conventodemafra

Presuntos na Caparica. Os franciús foram para o norte e nós viemos descansar das actividades turísticas. 'Tá assim um cadinho para o ventoso, mas fora isso é tal e qual as Maldivas.

Aqui não!

Há tanta coisa gira escrita nas ruas de Lisboa. ❤️ #castelodesãojorge

A vista do castelo de S. Jorge parece um postal (sim, estou de volta ao turismo lisboeta).

Santo António psicadélico. ⚡️⚡️⚡️


Comments

  1. Parecem ter sido umas férias bastante agradáveis! Aliás, basta sentirmos que estamos de férias que tudo parece ficar mais leve!
    um grande beijinho e bom fim de semana

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  2. Parece-me que ficaste com os franceses pelos cabelos! Mas olha ao menos tiveste uns dias de praia e passeaste ;)

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  3. Gostei das fotos (em especial onde aparece o fantasma... hehehe)
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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  4. Eheeheh adorei o relato. Foi uma semana de ferias bem preenchida. Eu por acaso lembro.me de ver as tuas publicacoes no IG quando estiveste aqui em Sintra.
    Eu nao sou muito fan de gatos e nao sabia que nao se deve usar de plastico.
    Quanto a tapioca .. bem, a verdade e que nunca mais fui a loja comprar. Tenho me contentado c o polvilho azedo e doce.

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  5. Pareceram me umas óptimas férias, às vezes não é preciso ir para muito longe para ver paisagens lindas e descansar do trabalho. Relativamente ao facto do tempo fazer distanciar amigos é perfeitamente normal mas dá pena, tanto em comum e depois temos que fazer conversa de circunstância...

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  6. Até fiquei com pena a imaginar o frete mas vê pelo lado positivo: Portugal é lindo e vale sempre a pena, se não fossem eles provavelmente não tinhas revisitado metade dos sítios. De resto, estou a ler o mesmo :) Beijinhos

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