“To eat is a necessity, but to eat intelligently is an art.” ― François de La Rochefoucauld


Existem mil e uma tendências alimentares nos dias de hoje. As que nos retiram os hidratos de carbono. As que nos mandam comer hidratos até nos sentirmos saciados. Sou capaz de, no mesmo dia, encontrar artigos completamente distintos sobre o mesmo assunto, ambos suportados por fidedignos estudos científicos. Depois as crenças, as questões éticas, as pressões sociais (que o meu corrector automático inicialmente corrigiu para "prisões sociais" porque é mais astuto do que eu...). E, na intersecção de todos aqueles que afirmam saber o que é melhor para nós, encontram-se as especificidades próprias de cada organismo.

Com base neste rol de informação fico um pouco baralhada, desorientada. Não sei bem para onde me virar e como dizer, sem sombra de dúvida, o que é o mais correcto e o mais acertado. Como alimentar melhor a minha família? E que panelas usar? Posso congelar as sobras sem comprometer o valor nutricional dos alimentos? Quantos quilómetros viajou aquele alimento antes de chegar ao meu prato, quantas horas de trabalho - e foram pagas justamente? - foram necessárias para me saciar? E o micro-ondas, está livre de perigo?

Assim, opto por me informar selectivamente e por ouvir o meu corpo. Se lhe der X e Y ao almoço, como me sentirei ao longo do dia? Qual o nível de saciedade, de bem estar geral? A barriga inchou, houve desarranjo intestinal? Tive energia suficiente para completar as tarefas a que me propus? Quanto tempo depois do almoço comecei a sentir fome? Que alimento desejei a meio do dia e porquê? Vou diariamente fazendo este registo e adaptando a minha alimentação às exigências da minha realidade. Não acredito em fórmulas universais, mas acredito que devemos alimentar-nos com consciência.

Habitualmente a meio da tarde sinto a minha energia a diminuir gradualmente. Bom, eu e toda a gente. Não é por acaso que muitas vezes damos por nós a desejar um doce a esta hora, o que se deve à diminuição na produção de serotonina. Nestes casos, e já antecipando o que o vosso corpo vai pedir, sugiro que recheiem o vosso frigorífico com estas trufas. Assim, quando vos der a fome a meio da tarde, não precisam de se atirar ao mil folhas da pastelaria. Quer dizer, se quiserem, não é da minha parte que vão ouvir um sermão. Mas será que posso sugerir uma alternativa? Experimentem estas trufas, como eu, durante uns dias. Se se sentirem felizes, enérgicos e saciados, repitam na semana seguinte. E na seguinte.


Trufas de Caju


~ Ingredientes ~

resíduo do leite de caju (1 cup de caju demolhado batido com 3 cups de água: receita aqui)
3 tâmaras medjool demolhadas em água quente e escorridas
2 colheres de sopa de flocos de aveia
uma pitada de canela em pó
côco ralado

Fazer o leite de caju (ou de outro fruto seco) e espremer muito bem o resíduo para retirar o excesso de água. Em água bem quente demolhar as tâmaras descaroçadas. Escorrê-las bem e triturá-las no processador de alimentos. Juntar os flocos de aveia e a canela. Triturar um pouco mais, mas não desfazendo completamente a aveia. Moldar as trufas, passá-las por côco ralado e levá-las ao forno a 180º cerca de meia hora, virando a meio. 



Comments

  1. Essas trufas ficaram lindas, apetece mesmo dar uma dentada...

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  2. Estou como tu... mas que raio que tudo agora tem estudos científicos a comprovar, mas que ao mesmo tempo se contradiz! N entendo nada disto...
    Este é o tipo de trufas que tenho sempre em casa, mas sobretudo no trabalho. Foram a melhor solução que encontrei para comer entre consultas sem perder muito tempo :)
    beijinhos
    sara

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    1. são realmente práticas - e acredito que cruas também devam ficar óptimas -, deliciosas e ajudam a resolver a eterna questão: que fazer com o resíduo do leite vegetal? :p
      beijinho

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  3. É mesmo, até assusta ver tanto livro, tanta informação sobre cada dieta mais milagrosa que a outra. Eu pouco mudei a minha alimentação, mas claro, houve coisas que experimentei e gostei e mantenho.
    O melhor mesmo é manter um equilíbrio e nada de exageros, saber ouvir o nosso corpo.
    E o meu pede bastante destas coisas, principalmente em dias de cirurgia com risco de cair no chão ao fim de 4horas.
    Quando fizer leite de amêndoa, vou experimentar e por um "cadinho" de cacau, sou uma gulosa. Um beijinho.

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    1. olha cacau, bem bom! gosto de adicionar nas papas de aveia também e na granola, torna a vida mais achocolatada e isso é sempre bom! :D
      sim, cair para o lado não é nada sexy. a não ser que tenhas o príncipe encantado pronto a acordar-te com um beijo no momento seguinte, arriscas-te a fazer um lenho na testa. na dúvida, mune-te de trufas antes das cirurgias! :p
      beijinho

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