Dois dedos de conversa...


A maior parte das vezes em que me sento aqui a escrever tenho uma ideia mais ou menos desenhada do que me espera. Só me falta alinhar as frases. Sujeito, predicado e complementos. Escrever não tem muito mais ciência do que uma receita. É articular os ingredientes/as palavras de maneira a que funcionem numa frase/a que combinem num prato. É saber usar as ervas aromáticas com parcimónia, respeitando as populares combinações - tomate com manjericão, morangos com manjericão... - e substituir o sal sempre que possível. Dito de outra maneira, é agrupar e inovar sem estragar. Com as frases acontece o mesmo. Vamos concordando aqui e ali, salpicamos as ideias chave com a magia dos recursos estilísticos, mas sem abusar. Ninguém. Gosta. De. Pausas. Desnecessárias. 

Inconscientemente sei que sigo sempre a mesma fórmula importada d' As Mulherzinhas de Louisa May Alcott: a escrever, que seja sobre o que conhecemos, sobre nós. Também gosto da citação "Write drunk, edit sober" de Hemingway, mas não me vou alongar muito sobre esse capítulo. Portanto, sempre que escrevo aqui, directa ou indirectamente, escrevo sobre mim. Sobre o que como, sobre o que penso, sobre a minha recusa em abraçar o novo Acordo Ortográfico. Muitas vezes escrevo apenas para conseguir ter uma ideia um pouco mais clara do que me vai na cabeça. 

Hoje não tinha muito para dizer quando aqui me sentei, o que em mim é raro. Geralmente tenho pelo menos sempre uma opinião não solicitada para partilhar com o mundo. Aliás, temo que a minha lápide vá ostentar a inscrição "Desnecessariamente Ofensiva". Foram os meus haters que a personalizaram. Mas como não quero escrever por escrever - o que se calhar até podia fazer porque suspeito que haja muito pouca gente a ler os meus disparates - nem gosto muito de abrir um blogue e que me atirem com duas linhas de "Cá em casa gostamos muito de filetes" e pronto segue-se uma receita, cá vão uns factos interessantes sobre mim que muita gente desconhece:

- Não tenho filtro nenhum, por mais que me esforce. Não me esforço grande coisa. E também não sei porquê, mas a minha principal vítima é o meu sogro que leva sempre com umas tiradas geniais que guardo e macero para ele com carinho. 

- O meu marido tem um sentido de humor semelhante ao meu, o que sinceramente ajuda. Não se chega a doze anos de vida em comum se não conseguirmos sincronizar estas coisas. Também suspeito que seja um pouco surdo.  

- Sou um nadinha obsessiva e tento trabalhar esse aspecto para que não se torne contraproducente na minha vida. Por outras palavras, tento usar os meus poderes de organização para o bem e não para o mal, porque já se sabe que o perfeito é inimigo do bom. Por exemplo, o meu armário está organizado por temas e por cores. Vestidos: de cerimónia, de verão, do mais comprido subindo a bainha até ao mais curto. Calças de cores garridas, ganga azul, pretas. Tops brancos, amarelos, vermelhos, azuis, pretos. Casacos beges, verdes, azuis, pretos. Sapatos: sandálias rasas todas juntas, alpergatas, ténis por cima, sapatos de cerimónia ao fundo. Por favor, não mexam nas minhas coisas. 

- Tenho uma grande dificuldade em parar de ver uma série quando estou a gostar e os episódios estão todos disponíveis. Basicamente, sofro de binge watching compulsivo (se não for um pleonasmo) e as minhas últimas fixações foram The Game of Thrones e The Mindy Project. Suponho que ambas sejam um excelente escape e refúgio, embora eu tenda a levar as coisas sempre demasiado a sério, porque acima de tudo sou uma EXAGERADA!! Por exemplo, os gatos estiveram quase a ser renomeados: Drogon, Rhaegal e Viseron soam bem melhor do que Che, Forlán e Carlota. E eu seria a verdadeira Mother of Dragons!

E pronto, por hoje é tudo! Parabéns a quem chegou até aqui! Ah, valentes!! E a seguir segue-se uma das minhas sobremesas favoritas toda ela com vários "sem": sem lactose, sem glúten, sem açúcar, sensacional.

Panna cotta de côco com compota de morangos, mirtilos e chia 


Panna cotta de côco

receita adaptada do livro Natural de Joana Alves, p. 223

1 lata de 400ml de leite de côco light biológico
2 colheres de sopa de geleia de arroz
1 colher de chá de extracto de baunilha
1 pitada de sal marinho
2 colheres de chá mal cheia de ágar-ágar em flocos

Dissolver os flocos de ágar-ágar num pouco de água e deixar repousar por 5m. Entretanto aquecer os restantes ingredientes num tachinho pequeno. Adicionar o ágar-ágar e ferver devagar cerca de 20-30m, mexendo com frequência para não queimar. Distribuir por 4 ramequins, levar ao frigorífico para solidificar e servir com a compota de morangos, mirtilos e chia.


Compota

receita adaptada do livro Natural de Joana Alves, p. 125

100g de morangos
100g de mirtilos
folhas de hortelã limão
2 colheres de sopa de sementes de chia
água de côco qb

Num liquidificador juntas todos os ingredientes, excepto a chia. Triturar bem e depois acrescentar as as sementes. Guardar num frasco no frigorífico pelo menos 60m para gelificar.



Comments

  1. O que eu sei, com certeza, é que sou uma das valentes já não resisto em vir ler os teus posts assim que vejo o alerta de que há um novo... se calhar é o resultado da frase do Hemingway, pois, não sei. Mas keep it up, que 'tá a resultar, pelo menos para mim e sempre dás o que fazer aos teus hatters! :D Já descobri que não gostas do "Cá por casa gostamos..." e eu toquei-me que faço isso imensas vezes! Ups!
    Vamos falar da pannacota? Adooooro! e a tua versão saudável com leite de coco deve ficar TOP!
    Beijinhos e boa semana!

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    1. já viste? sou mesmo a pior, nem para os meus maiores fãs sou simpática. numa frase: "desnecessariamente ofensiva". o que queria dizer é que gosto mais de um enquadramento pessoal, como quando publicaste o bolo de aniversário de casamento dedicado ao teu marido por exemplo. espero que se experimentares esta panna cotta que gostem tanto como nós... em aí em casa! :p
      beijinhos e boa semana também

      ps - e obrigada por seres valente! ;)

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    2. Só para esclarecer, eu não me senti minimamente ofendida. Mas, afinal, eu sou valente! ehehehe.

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    3. eu sei, eu sei! fico feliz, às vezes sinto que sou um pouco mal interpretada devido ao meu sentido de humor... peculiar! mas não seja por isso, arranjava-se já uma hashtag para ti também... :p beijinho

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  2. Olha nem sei por onde começar, lool, para além de surdo ele também não quer saber muito de ti porque deixa qualquer um aproximar-se em plena avenida e sem reacção! A tua sorte é que eu não tenho maus instintos se não estavas tramada! :P quanto ao armário, gosto muito, também sou assim, mas em versão desarrumada (mas queria muito ser como tu!!) E o sem filtro uma pessoa habitua-se, mas eu gosto de ti assim! ;)
    Essa pannacota é a sobremesa que me vais levar amanhã lá ao trabalho ne? Só para confirmar..

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    1. eu primeiro não associei ao que aconteceu quando fomos à feira do livro, mas realmente pregaste-me cá um susto! ele como viste era na boa, podia vir o violador de carnide que não mexia uma palha!... :p
      lamento em relação à proposta de sobremesa take away, mas a panna cotta já marchou toda...
      beijinho

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  3. Adorei este post :)
    Este panna cotta ficou absolutamente fantástico!
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario

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    1. obrigada mary! experimenta a panna cotta, vais gostar certamente! **

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