For the love of the game.


A cada campeonato da Europa todo um rio de emoções me atravessa, embora verdade seja dita, o mesmo me acontece a cada Mundial. Lembro-me do ano de mestrado em Inglaterra em que segui atentamente toda a informação sobre a selecção de Portugal, os diários do Europeu apresentados pelo Nuno Luz, as invasões de privacidade nas casas dos futebolistas, a explicação da namorada do Nani em relação às razões que motivavam o seu amor pelo jogador ("Já me viram bem aqueles abdominais!?" - ainda estarão juntos, pergunto-me eu?...) e do Ronaldo a mostrar os Mercedes que guardava em Manchester para as irmãs passearem neles quando o visitavam (não fossem elas riscar o Bentley). E o burro sou eu?... Lembro-me de ter assistido à eliminação de Portugal num pub, depois de entregues todas as provas académicas e de cachecol ao pescoço. Obviamente perdemos, porque já se sabe que no futebol são 11 de cada lado e ganha sempre a Alemanha. Nunca me senti tão portuguesa. 

Mas estas competições trazem à superfície outras emoções que, provavelmente, me fazem gostar ainda mais destes momentos em que Portugal sobe ao relvado. Em 2004, na euforia do Euro e após todo o zunzum e bandeiras à janela, perdemos o primeiro jogo contra a Grécia (e, se bem se lembram, perdemos o último também e esse até é capaz de ter magoado mais o ego). Nesse dia saí de uma consulta, liguei a uns amigos e perguntei-lhes onde estavam. Apanhei o metro e encontrei-me com eles no Picoas Plaza. Trazia vestida uma saia de ganga rodada roubada à minha irmã e um top de alças de algodão com riscas coloridas. Não me lembro o que calçava. Este casal andava há meses para me empandeirar com um dos seus amigos, não interessava qual. Calhou chegar ao café e encontrar aquele que, exactamente 8 anos mais tarde, se tornou o meu marido. Calças de ganga, t-shirt branca com letras azuis e sapatos de vela. "Oh, é giro", pensei eu. "De certeza que é burro". Entretanto ele começou a falar e lembro-me de ter acrescentado à minha perspicaz observação inicial "usa tantas palavras diferentes para se expressar...". E pronto, fez-se clique. Não resisto a um homem inteligente e ainda nem lhe tinha visto os abdominais.

Entretanto nesse dia Portugal disputava o segundo jogo do Europeu, desta vez contra a Rússia. Acho que a moral estava um pouco em baixo e sentia-me um pouco como quase toda a gente: carregava a vergonha de ter organizado um Europeu em casa para nem passar da fase de grupos e rapidamente a minha percepção da selecção tinha passado de bestiais a bestas. Decidimos assistir a este segundo jogo em casa dos meus amigos casamenteiros. E aí é que o tal rapaz-giro-que-afinal-se-calhar-não-é-burro-porque-usa-muitas-palavras teve um vislumbre da minha pessoa no seu pior. É que quando eu assisto a um jogo de futebol, desce em mim Ogun e nem com um exorcismo isto me passa. A possessão dura precisamente 90 minutos com intervalo e nesse espaço de tempo grito, esperneio, praguejo, insulto a família do árbitro até à quarta geração e acabo invariavelmente rouca. Portanto, foi a este espectáculo que o pobre rapaz teve de assistir. Nestes momentos esqueço-me de ser donzela e de ficar corada com palavrões e comportamentos mais errados. Eu sou os comportamentos errados. 

Podemos dizer que foi um teste, assim visto à distância de mais de uma década. Se ele podia ver-me no meu pior, certamente que merecia o meu melhor. Não mais o larguei e, poupo-vos os pormenores, mas a verdade é que poucos dias depois já estávamos juntos. E, como já vos disse acima, exactamente oito anos depois casámos numa cerimónia muito bonita, fez ontem quatro anos. O 16 de Junho será sempre para mim o nosso dia e, curiosamente, não apenas a data que marcou a viragem do percurso de Portugal no Euro2004. Doze anos e tantos, tantos jogos de futebol depois, posso confessar-vos que eu continuo exactamente na mesma: grito, esperneio, insulto. Ele já se habituou, que remédio, e lá me vai aturando as birras e o mau feitio porque, diga-se de passagem, ainda não aprendeu a cozinhar. Como de há uns tempos para cá se tornou no meu provador oficial e comeu dois destes muffins de banana ainda mornos, posso garantir-vos que ficaram deliciosos. Ele não me mentiria... ;)



Muffins integrais de banana


receita adaptada de Saudável com equilíbrio

2 bananas médias bem maduras
1 cup de farinha de trigo integral
2 ovos biológicos M
1/4 de óleo de côco
1 colher de sopa de fermento químico
25g de chocolate preto 85% cacau

No liquidificador bater todos os ingredientes, excepto o chocolate, até formar uma massa homogénea. Ligar o forno nos 180º e dispor a massa em formas de muffins. Por cima colocar pedacinhos do chocolate. Levar ao forno cerca de 25m ou até que estejam dourados.


Comments

  1. Identifiquei-me com cada palavra, estou a assistir ao Europeu longe de casa pela primeira vez e devo confessar que passei a primeira parte a chorar XD para celebrar ou para consolar, como dissemos, a minha irmã e eu, fizemos um jantar especial cheio de calorias e de sabor XD hehe apesar do empate fiquei feliz :D Também me marcou muito o Euro 2004 quando em casa dos meus primos vi o Ricardo tirar as luvas e vencer Inglaterra, momento único ^_^

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    1. lembro-me tão bem desse jogo! pensávamos mesmo que ficávamos por ali, não fosse o postiga e o ricardo. foram realmente momentos carregados de emoção!! força aí nos petiscos. de cada vez que portugal joga eu estoiro com as calorias da semana, se chegarmos à final, estou uma baleia! :p
      beijinho

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  2. Adorei a vossa história, e o teu lado donzela a assistir a um jogo de futebol!
    Parabéns pela vossa data :) há que celebrar com mais um jogo hoje hehe. Força nessa goela mulher!
    Um beijinho e belos muffins.

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    1. olha está cada vez pior e para os dois lados. neste último jogo de portugal éramos os dois aos berros com o ronaldo! :p
      beijinho

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