Super Abelha!!


Quanto a vocês não sei, mas o calor dá cabo de mim. Se tivesse de identificar o meu inimigo número um, a minha némesis, a minha kriptonite, provavelmente apontava as temperaturas elevadas como  as grandes responsáveis. Também não gosto de abelhas porque suspeito que seja alérgica visto que uma vez tive uma reacção curiosa a uma picada. Porém, para confirmar a teoria, julgo que teria de ser mordida novamente, mas não vou dispor o meu corpo a isso em nome da ciência. Terás de esperar mais uns anos, Instituto de Medicina Legal! Basicamente o que aconteceu foi o seguinte: o dedo picado pelo bicho inchou, inchou-me a mão e quando o volume do braço já estava a começar a aumentar também, a minha madrasta enfiou-me um anti-inflamatório pela goela abaixo, porque ela é uma mulher que tudo cura com ibuprofeno. Na altura funcionou e a situação melhorou: parou o inchaço e este foi retrocedendo até desaparecer passados poucos dias. O pior aconteceu dois meses mais tarde: o dedo voltou a inchar do nada e aí eu comecei a ver a coisa mal parada. Pensei, "Que raio se passa comigo? Será psicossomático? Será sinal de algo mais grave? Mas isto já não tinha ficado curado?! A minha lápide vai dizer: Morte por insecto?!"

Fui ao médico que me recomendou anti-alérgicos durante algum tempo e, o melhor, Guronsan durante um mês para limpar o organismo. Segundo a sua opinião clínica, provavelmente a abelha mordeu-me num tendão e, sendo um tecido fibroso, o veneno espalhava-se lentamente. Não faço ideia se esta descrição se aproxima de alguma verdade científica, mas a verdade é que novamente resultou, tanto o ibuprofeno familiar, como a terapêutica receitada pelo médico. O dedo lá desinchou e eu deixei de ser meio mulher-meio apídeo. Apesar de na altura não ter achado grande graça, hoje pensando bem posso dizer que por um curtíssimo período da minha vida ascendi à categoria de super-heroína. O tom amarelado de pele mantive-o e o meu super-poder - o sarcasmo - também. Deixo-vos uma fotografia minha desses tempos gloriosos:


Esta foi uma das várias desgraças que me ocorreram no decorrer de apenas trinta e três anos de vida e que incluem: uma intoxicação por monóxido de carbono, um exuberante acidente de carro e aquela vez em que fui projectada de um carrossel na Feira Popular que depois caiu em cima de mim. Infelizmente, houve outros episódios dignos de uma tragicomédia, mas fiquem só com os piores para terem pena de mim.

Ah sim, voltemos ao calor. Não podem deixar que me disperse desta maneira... Dizia eu que odeio o calor e odeio as abelhas. Então quando um começa, o outro vem atrás que é só mesmo para me relembrar como esta vida é frágil e injusta. Começam a elevar-se as temperaturas e eu fico irritadiça (ainda mais do que o habitual), cheia de sono (ainda mais do que o habitual), perco o apetite (isso é mesmo só no verão) e só me apetecem alimentos frescos. Assim a minha estratégia passa por, ao preparar as minhas refeições ao domingo com antecedência para não andar a semana toda a correr atrás do prejuízo (aka comer porcarias) deixar cereais integrais cozidos, leguminosas de molho e depois cozidas também num tupperware, legumes lavados e arranjados para a salada, condimentos como vinagretes e maioneses para ir variando, fruta arranjada e sobremesas fresquinhas. Assim no próprio dia misturo o que me apetece e sai sempre uma refeição diferente. Desta vez andei à procura de receitas com o tofu sedoso que depois utilizei noutra receita (a qual brevemente aparecerá por aqui também) e saiu esta salada de caril.

O que é que isto tem a ver com abelhas, perguntam vocês?

Nada.



Maionese de tofu e caril

receita adaptada de Presunto Vegetariano

200g de tofu suave
1 colher de sopa de caril (fiz uma versão parecida com este da Patrícia)
sumo de 1 limão
1 pitada de sal
1 colher de chá de mostarda
1 colher de sopa de azeite

Começar por preparar a maionese de tofu e caril, a qual pode ser guardada no frigorífico durante alguns dias sem estragar dentro de um frasco. Na liquidificadora bater todos os ingredientes, ajustando os condimentos a gosto.

Salada 


1 cup de grão de bico cozido
100g de rebentos de feijão mungo lavados e escorridos
100g de feijão verde cozido
100g de brócolos cozidos
1 colher de sopa de sementes de girassol
1 tomate cortado às rodelas

Demolhar o grão de bico depois de bem lavado durante 48h com uma folha de algo kombu de maneira a ajudar à digestão da leguminosa, trocando a água algumas vezes. Cozer em panela de pressão por 40m juntamente com a alga. Escorrer, deitar a alga fora e reservar. 
Cozer o feijão verde arranjado e cortado em pedaços. Cozer os brócolos e reservar. Convém que os legumes fiquem "al dente". Cortar o tomate, misturar com os outros ingredientes depois de arrefecidos, os rebentos e salpicar com as sementes de girassol. Servir com a maionese de caril.




Comments

  1. Gosto muito dessa maionese! Ao contrário de ti, eu adoro o calor, quando vêm aqueles dias de 38 - 39 graus, eu deliro! :-) Mas também gosto do inverno, acho que cada estação tem a sua graça. Já a alergia a abelhas é que não é nada fixe...

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    1. tu adoras as minhas maioneses todas, admite lá! :p
      não sei como aguentas este calor, ainda por cima sendo tu loira e tão branquinha... este fim‑de‑semana deves ter delirado! já eu, andei a arrastar-me. como se não bastasse, estive no montijo onde o termómetro marcava 37,5º!!!

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  2. Essa maionese, tenho mesmo de arranjar o sedoso, deve ser uma maravilha.
    Eu gosto de dias quentes, por aqui nunca sobe muito acima dos 24-28 graus (o verão figueirense é ventoso e nunca com muito calor), por isso talvez se vivesse no Alentejo ou outra zona acima dos 30 graus, mudava a minha opinião.
    Quero fazer essa maionese!

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    1. gosto do teu empenho tanto na maionese como no sedoso! :p pois, aí é fresquinho, já em lisboa com a poluição e ar mais seco, eu detesto! na praia, só se estiver sempre na água é que suporto temperaturas mais elevadas...

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