Hoje não há receita (2).




Quando há pouca coisa de interessante a acontecer na minha vida, também acabo por desleixar um pouco o blogue. Ao fim e ao cabo, vou escrever sobre o quê? Sobre comida?! Blasfémias! Assim isto tornava-se noutro blogue de culinária e ninguém aqui quer isso, pois não?

Podia continuar a queixar-me da diabetes do gato, mas aí já iam pensar que sou patrocinada pela APDP e que me pagavam em testes de glicémia. Podia continuar a queixar-me da never ending story da minha tese, mas também ninguém já tem paciência para isso - especialmente eu! Em alternativa podia manter-vos a par da minha otite, mas duvido que estejam interessados em infecções e inflamações do canal auditivo. A não ser que peçam com muito jeitinho, aí posso fazer o esforço de vos narrar como tem sido difícil dormir à noite com dores de ouvidos. 

Como tenho passado 99% do meu tempo em casa ocupando-o de maneiras super produtivas - ave Candy Crush! -  e não tenho ido correr visto que a energia não me chega para tudo e eu sem dormir transformo-me num bicho birrento, acumulo as minhas horas a rever uma série de situações do meu passado que me irritam. O ponto alto é conseguir conciliar o mau humor com o estilhaçar de doces virtuais em linha, compondo-se assim um dois em um do top 10 das minhas atividades estivais. O resultado imediato deste meu super poder passa por enervar-me ainda mais quando dou por mim a reviver momentos em que me escapou ter dado "aquela" resposta ou quando me precipitei e falei demais. Adivinhem qual destas situações aconteceu mais vezes?... Pois!! Tenho de começar a praticar uma escuta activa ou, como diziam os antigos, a manter a matraca fechada.

Para alimentar esta nuvem de boas energias estive quase a desenhar o rascunho de uma lista de coisas que me irritam para explorar num post aqui no blogue, com ou sem receita. Começava nas pessoas que dizem "sinósite" em vez de "sinusite" e acabava naquelas que andam de chinelos no verão com os pés por arranjar. Por vezes estas faculdades sobrepõem-se no mesmo indivíduo e é ver-me encetar um revirar dos olhos épico, órbitas quase coladas à parte de trás da nuca ao virar dos 180 graus. Um movimento de rotação perfeito que só rivaliza com aqueles momentos em que me deparo com gente na rua que ziguezagueia em passo lento. Se algum dia dia lerem no jornal "Louca atira transeunte com problemas de equilíbrio para debaixo das rodas do 728", fiquem a saber que finalmente começaram a escrever sobre mim. 

Acho que a única coisa que realmente se aproveita deste verão - sem contar com os casamentos com bar aberto a que fui - foi o facto do meu marido ter deixado de fumar. Fê-lo gradualmente e a seu tempo, sem recurso a medicação ou substitutos. Gosto de pensar que tive uma influência determinante nesta decisão, visto que há 12 anos o chateava para deixar de fumar. Nas relações longas e duradouras há que semear as boas intenções e regá-las regularmente com ameaças, relatórios sobre doenças oncológicas no histórico familiar e planos do que planeamos fazer com as heranças e  com os anos de vida que nos sobram quando nos tornamos viúvas ainda jovens. Agora finalmente acabaram as bombas para a asma ao fim do dia, os broncoespasmos e os conselhos de quem não vive com isto "ah e tal tem de ser ele a querer, não se pode pressionar". Não se pode pressionar é o c#&%$@! Vão vocês com ele ao hospital para receber oxigénio de uma máquina aos 20 anos e depois dêem-me sermões conjugais.

Ufa!! Pronto, já passou... Estamos quase no Outono! :))



Comments

  1. Tenho de continuar a semear a semente do ódio à barriguinha do meu rapaz :') falar-lhe da obesidade e dos problemas associados à falta de atividade fisica. Daqui a 11 anos (12-1) pode ser que ele tenha uns abdominais super definidos! eheheh

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    1. ahahah! isso é que é paciência! olha se achares que vale a pena insistir, porque não? quem não gosta de um homem com uns abdominais definidos que atire a primeira pedra! :p

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  2. Acrescenta aí nas notícias do Correio da manhã "Louca que assusta pessoas à entrada do metro leva com uma couve kale na tola" :P
    Olha só tenho a dizer que o teu marido é o maior e tu mantém-te em cima do acontecimento para a coisa não descambar, já eu ando a tentar o mesmo há anos e ainda não deu frutos, tenho de pensar numa nova estratégia...

    E já agora... Mas toda a gente joga candy crush, menos eu?? 😁

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    1. e aquela louca que assusta as pessoas a caminho da feira do livro?! já ouviste falar nela?! :p

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  3. Li o post de hoje e tive de andar um pouco para trás tentando perceber alguma coisa!
    Já me ri bastante, o que compensou o meu atraso na leitura dos teus posts que me põe sempre bem disposta. Não fico feliz por andares numa fase menos equilibrada mas adoro ler-te.
    Só não percebi isso do blog de culinária!? Tens alguma coisa contra??! :D
    O meu ainda não deixou de fumar, passou para a maquineta e reduziu o consumo... ainda que na maquineta! Não vejo a hora de dar o passo. Não devo andar (há 25 anos) a pressionar o suficiente! :)

    Bjssss

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    1. esses cigarros electrónicos não são a solução. ajudam a reduzir e tal, mas são tão recentes que não consegues ainda avaliar o impacto que têm na saúde de quem os fuma. eu sugiro a minha abordagem para ele deixar de fumar de todo. dão-se workshops! :D

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  4. Muito fixe isso o de teres pressionado o teu marido para parar de fumar. Tenho uma história paralela mas nunca casámos (e não estamos juntos hoje). Há coisas maravilhosas que fazemos uns pelos outros.

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    1. teve de ser, não apenas por ele mas por nós, enquanto família. já começava a ser demasiado tempo (começou a fumar aos 15, deixou aos 32) para ser apenas um capricho. ainda acabava por se tornar no último...

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