Adeus 2016, olá 2017 e uns muffins de banana.


Estava à procura de uma maneira de me despedir de 2016 e de dar as boas vindas a 2017, salientando os prós e os contras do que passou e convidando à chegada do novo ano, quando reencontrei esta receita nos rascunhos do blogue. Não deixa de ser um encontro afortunado, ou não tivessem tido estes muffins uma passagem fugaz na minha vida, mas simultaneamente difícil de esquecer.

Será complicado encontrar muitas pessoas que se lembrarão de 2016 com saudades. Sem falar na quantidade de celebridades que esticou o pernil, à inesperada eleição de Trump e a uma série de infortúnios pessoais pelos quais cada um de nós passou, chegamos a 2017 com a sensação de "ufa, finalmente terminou!" com um misto de "oh deus, mas o que será que vem para aí agora?...". Eu digo-vos sinceramente, estou com algum receio. O mundo que as notícias nos apresentam desenha-se como um palco cada vez mais inseguro, instável, precário e triste.

No final de 2015 tomei uma decisão muito importante que pensei me daria o controlo do que perdi: dedicar-me a tempo inteiro à finalização do doutoramento. Como sempre a vida acontece no meio dos planos que tomamos e este ano trouxe mais imprevistos do que certezas. Prefiro concentrar-me no que fui construindo e nas bases sólidas que criei do que no que ainda não concluí. Gosto de pensar que finalmente estou perto da recta final e que fiz tudo com a consciência de que dei o meu melhor face às circunstâncias. Gosto de pensar que me afastei deliberadamente de quem nada me acrescenta, que me valorizei e que formei uma consciência do que quero e do que sou que ultrapassa qualquer opinião ou juízo de valor que terceiros possam ter sobre mim.

Também prefiro não pensar na qualidade de vida que fomos perdendo aqui em casa e nos planos sucessivamente adiados para garantir que a nossa família se mantivesse num rácio de 2 humanos para 3 gatos. Há poucos dias perguntei ao meu marido "Qual a pior coisa de 2016?" e ele respondeu imediatamente "A diabetes do Che." Se as coisas vão funcionando por aqui e continuamos a ter alguma normalidade e liberdade nos intervalos de medições de glicémia, injecções de insulina e horas certas para o alimentar na quantidade adequada, foi porque fizemos um grande esforço como família para nos ajustarmos. Mas admito que é difícil não poder ausentar-me de casa muitas horas, quanto mais um dia ou na loucura um fim‑de‑semana inteiro. Para quem gosta de mandar bocas idiotas e acha que somos maluquinhos por prescindirmos de tanto em função de um gato, lembro-vos que é uma vida que está à nossa responsabilidade e se não sabem lidar com isso, então das duas uma: ou vos desejo igual ou mantenham-se no silêncio e na certeza de quem para burro só lhe falta as penas.

Imagino que face a vários acontecimentos negativos na vossa vida a diabetes felina não vos afecte por aí além. Mas sabem, não foi só a diabetes que atravessou o meu ano. Foram menos dois avós e muitas horas sozinha a pensar no que é que realmente vale a pena guardar e manter junto de mim todos os dias. Foi o sentimento de estar a trabalhar em vão, a correr numa passadeira que não me leva a lado nenhum. Canso-me, suo, estou sozinha. No outro dia tenho de me arrastar da cama e repetir tudo de novo. E se não o fizer com o mínimo de um sorriso na cara, então nem vale a pena fazê-lo de todo.

Estes muffins representam uma lição que gostaria de deixar a mim mesma em 2017: não vale a pena tentar planear tudo. Não vale antecipar, tentar controlar chuvas e ventos, que se alguma coisa nos define é única e exclusivamente a nossa capacidade de aprendermos e nos ajustarmos à tempestade. Estes muffins correspondem a uma receita que desenvolvi para um evento no qual estava ansiosa de participar e que me deixou com borboletas na barriga durante semanas. Infelizmente a vida - ou a morte - aconteceu e os muffins ficaram nos rascunhos. São deliciosos, não merecem este fim. Não merecem ser relembrados como aquilo que poderiam ter sido e que nunca chegaram a ser porque as contingências os empurraram para um vazio de más recordações. Porém aqui estão eles, a prova de que devemos viver no presente e, com o tempo, recuperar aquilo que nos define e faz de nós únicos.

Estes muffins que vos trago hoje são saudáveis e resilientes. Estes muffins são como eu.




Muffins de banana

1 cup de farinha de espelta integral
2 1/2 bananas maduras
1/4 cup de óleo de côco
1 ovo 
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
2 colheres de sopa de leite de soja
avelãs torradas picadas qb

Esmagar as bananas com um garfo. Adicionar o óleo e o ovo, misturando bem. Adicionar os ingredientes secos e no final o leite vegetal para que a massa não fique muito compacta. Pode acrescentar-se mais um pouco até conseguir uma massa fofa. Colocar a massa em 7 formas individuais de muffin e salpicar com as avelãs. Levar a forno pré-aquecido a 180º cerca de 30m.

Tempo de preparação: 45m
Dificuldade: médio
Serve 4



Comments

  1. Gosto muito de ler o que escreves :) boa sorte para 2017!

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    1. olá joana! desculpa ter deixado passar o teu comentário e só responder agora. obrigada pelas tuas palavras, és muito bem vinda por aqui! bom 2017 para ti também!
      beijinho

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