Superalimentos e os Heróis Esquecidos.




Muito ouvimos falar sobre superalimentos. Estes alcançaram o estatuto de estrelas em pouco tempo, ganhando quase tanto protagonismo na internet como as selfies das Kardashian (de qualquer uma das manas, não sejamos tendenciosos). 

Mas o que são mesmo superalimentos? Na página 5 do seu livro Superfood Kitchen, Julie Morris informa-nos que o termo “superfood” apareceu pela primeira vez em 1915 no Oxford English Dictionary referindo-se a qualquer alimento considerado especialmente nutritivo e benéfico para a saúde. A autora, cuja carreira se tem destacado por privilegiar superalimentos na sua culinária, qualifica-os como sendo todos aqueles que se destacam pela sua elevada densidade nutricional, mas também pela prevalência de fitoquímicos e antioxidantes na sua composição. 


Estes superalimentos são ainda funcionais, na medida em que têm algum tipo de utilidade positiva no nosso organismo (ao contrário de outros que mais não são do que recipientes de calorias vazias… sim Coca Cola, estou a falar contigo!!). Os superalimentos conseguem também reequilibrar o pH do nosso organismo - muitas vezes sobrecarregado com alimentos processados, açúcares e gorduras nocivas - contribuindo assim para a sua alcalinização.

Considerando este perfil faz sentido que quem favoreça os superalimentos conte nutrientes e não calorias. Só por si isto já é extremamente benéfico, na medida em que evita que nos transformemos em neuróticos sempre de calculadora na mão contabilizando quantas horas devemos perder no ginásio para “queimar” um bolo de arroz.


Nas prateleiras dos supermercados os superalimentos podem ser identificados facilmente. São aqueles com os nomes mais exóticos e, curiosamente, também os mais caros: chia, goji berry, açaí, kale, maca… Mas por vezes esta nossa fixação com o exotismo leva-nos a esquecer outros alimentos que sempre pudemos encontrar nessas mesmas prateleiras e com elevados benefícios para a nossa saúde, embora os coitados agora se encontrem timidamente escondidos mais lá atrás. O feijão, o grão de bico, o agrião… todos eles esperando a sua vez para ser escolhidos e considerando seriamente investir num rebranding para que se tornem novamente sexy aos olhos de consumidores, nutricionistas e bloggers de culinária.

Não me entendam mal, por favor! A kale continua a ser uma bomba no que diz respeito a benefícios para a nossa saúde e densidade nutricional: um índice glicémico bastante baixo, um arraial de vitaminas, minerais e fibras que nunca mais acaba. Por isso quis nesta receita combiná-la com um dos meus ingredientes favoritos - o grão de bico - não só porque este é extremamente denso em macro e micronutrientes, como é riquíssimo em triptofano, um aminoácido essencial ao nosso organismo responsável pelo nosso bem estar e por um sistema nervoso equilibrado e, no fundo, feliz.

E se há algo que me faz sorrir é comer bem.


Kale Falafel com Molho de Caju


Molho de caju

~ Ingredientes ~

1/2 cup de caju, demolhados durante a noite
1/2 cup de água
1 colher de chá de mostarda de Dijon
1 colher de chá de levedura de cerveja 
sal

Colocar todos os ingredientes num processador potente até que estejam bem triturados e reduzidos a molho. 


Kale falafel 

~ Ingredientes ~

1 cup de grão de bico, cozido
60g de folhas de kale, lavadas
1/2 colher de sopa de tahini branco
2 colheres de sopa de salsa, picada
2 colheres de sopa de coentros, picados
2 colheres de sopa de linhaça moída + 5 colheres de sopa de água
sal
pimenta
raspa de 1 limão
1 colher de café de turmerico
1 colher de café de cominhos, moídos
2 dentes de alho
5 colheres de sopa de sementes de sésamo

Começar por preparar os “ovos” colocando a linhaça moída num recipiente pequeno com a água. Deixar que hidratem cerca de 10 minutos. Colocar todos os ingredientes - excepto as sementes de sésamo - num processador e triturar, mas não totalmente para que os falafel fiquem um pouco crocantes. Ligar o forno nos 180º e colocar uma folha de papel vegetal num tabuleiro grande. Moldar bolinhas e passá-las pelo sésamo. Levar ao forno cerca de 40 minutos, virando os falafel uma ou duas vezes para que assem uniformemente. Servir ainda quentes com o molho de caju.



Tempo de preparação: 60m
Dificuldade: médio

Serve 4

Este artigo surgiu em primeiro lugar no site A Montra, com o qual colaboro.


Comments

  1. Fiquei com vontade de experimentar,...
    Feliz Ano Novo 2017,...
    Beijinhos,
    Espero por ti em:
    strawberrycandymoreira.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/omeurefugioculinario
    https://www.instagram.com/marysolianimoreira/

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  2. Excelente artigo, adoro que frises que nós também estamos bem recheados de super alimentos, tão típicos do nosso país e clima...mas enfim...
    Adorei esse molho de caju, já apontei a receita para fazer esta semana :D
    Desejo-te um ano de 2017 fantástico!
    beijinhos

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    1. sim, as pessoas esquecem-se da riqueza nutricional de alimentos que nos são familiares desde sempre. ainda hoje li uma nutricionista a queixar-se que as pessoas agora comem tapiocas ao desbarato, sendo a goma caríssima e sem cuidado em combinar com os ingredientes certos, fazendo assim mais mal do que bem. acabam por aumentar o peso e o índice glicémico, o oposto do que se quer numa alimentação saudável. está numa foto do instagram e é desprovido de glúten, então vai de comer toda a tapioca que apanham à frente! lol!
      eu gosto muito de kale - então as chips!!! que delícia - mas tanto o grão como o caju são ingredientes que utilizo muito mais na minha cozinha do que os outros, que são usados muito mais pontualmente e era mesmo isso que queria transmitir. ainda bem que gostaste!
      um excelente ano para ti também, querida!
      beijinho

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  3. Gosto muito, aliás já tinha gostado quando li na Montra.
    Está muito bem escrito o artigo, temos tantos super alimentos que sempre estiveram ao pé de nós, mas só nos últimos tempos se houve falar mais neles, principalmente nos exóticos, e nas dietas da moda, e esquecemo-nos daqueles que sempre comemos!
    Eu gosto sempre de provar coisas novas, mas nos super alimentos não vou a correr para aqueles saquinhos com pózinhos mágicos. Prefiro mesmo algo assim, como desta receita, mas ainda me falta encontrar a kale!! hehe.
    Um bom ano, cheio de comida boa e que nos faça sorrir.
    Beijinhos.

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    1. eu também tenho desses pozinhos cá em casa dentro dos meus 1001 fresquinhos que enervam o manel hehehe! mas não acredito que por os tomar sem ter cuidado com outros aspectos me transforme na personificação da fonte da juventude ;)
      kale compro sempre na mesma banca no mercado biológico do campo pequeno. quando cá vieres novamente levo-te lá.
      um bom ano para ti também!
      beijinho

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  4. Já eu funciono ao contrário: se me soa a muito estranho, prefiro não ir por aí. Sim ao agrião, ao grão, ao feijão e a todos os outros que a mãe manda comer desde sempre e aos quais torcíamos o nariz em criança. De vez em quando introduzo um ou outro depois de alguma pesquisa, mas geralmente não invento muito ("eu na cozinha" já é penoso o suficiente, não vale a pena inventar mais) ;)

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    1. ahahah! estou a imaginar-te na cozinha a lutar contra os ingredientes todos, exóticos e não só! ;)

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  5. Adoro falafel, faço imenso, mas uso o grão cru, depois de demolhado, à maneira do médio oriente. Fica ainda mais nutritivo, porque não se perdem nutrientes na água da cozedura!

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    1. excelente ideia, nunca experimentei! eu demolho pelo menos 24h (geralmente 48h) com alga kombu, a qual também utilizo na cozedura. há dias fiz uns falafel do livro da marta varatojo que levavam lentilhas vermelhas cruas depois de demolhadas e millet, mas francamente não gostei. continuaram a saber sempre a cru, se bem que assei os falafel em vez de os fritar. terá sido isso? como fazes os teus falafel com grão cru? fritas ou assas?

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