Introdução à ciência da germinação.


Lembro-me há uns anos atrás quando recebi uns amigos cá em casa de um deles ter olhado para a quantidade de frascos e diferentes condimentos que decoram as prateleiras da minha diminuta cozinha e ter exclamado precisamente isto: “This is not a kitchen, this is a lab!”. Mal ele sabia da missa a metade.

Na minha busca por uma alimentação mais equilibrada procuro também torná-la mais eficaz. Seguindo a fórmula do Dr. Joel Furhman, a qual encontrei numa das minhas imersões a fundo no No Meat Athlete, a saúde equivale ao total de nutrientes dividido pelas calorias:

“Por outras palavras, quanto mais (micro) nutrientes conseguirmos retirar do menor número de calorias, numa dieta livre de processados, o mais saudáveis seremos.” 

Este é o tipo de argumento que posso utilizar com o meu marido, que passa mais tempo a olhar para uma folha de excel do que para a sua querida esposa. A fórmula já a possuo, o desafio passava por conseguir transformar H=N/C em receitas saborosas e isso requer engenho. Foi aí que me lembrei dos germinados!

Passo número 1, como aumentar o potencial de cada alimento? Já sabemos que devemos demolhar leguminosas, nozes e sementes para reduzir o ácido fítico, promover a biodisponibilidade destes alimentos, neutralizar os anti-nutrientes… 

Todos estes processos que protegem a semente dos seus agressores podem ser contrariadas com a demolha. No caso da germinação estamos a ir mais longe. Estamos a dar a essas plantas em potência todas as condições para começarem a crescer. Estamos a dizer-lhe “podes sair, plantinha, não há predadores por perto…” e quando ela menos esperar e estiver no seu auge nutricional, comemo-la! Quem disse que o reino vegetal não era uma selva também?!

Germinar é bastante mais fácil do que parece, eu que o diga. O mais engraçado é que adquiri o meu frasco de germinação há já algum tempo e nunca o tinha utilizado com receio de correr mal. Porém, quando me encontrei com a simpática senhora que me ofereceu os grãos de kefir - lembram-se?! - estivemos imenso tempo à conversa. Um dos temas de que falámos foi da sua produção de germinados em casa. E quando cheguei à conclusão que manter o kefir vivo não era difícil, decidi arriscar nos germinados e dar uso ao frasco que tinha cá por casa. Segui as dicas à risca e comecei com o feijão mungo, mas podem experimentar com outras sementes, como o esquema abaixo demonstra:
Imagem retirada do site Weed 'Em & Reap

E como é que eu fiz? Comecei por demolhar o feijão mungo (1-2 colheres de sopa) e reservei metade para germinar. Como podem ver pelas imagens abaixo, é extremamente fácil:
  1. primeira noite: demolhar no dobro da água;
  2. segunda noite: passar por água as sementes sem retirar a tampa do frasco (quem não tiver um destes pode espreitar o vídeo onde a Natacha explica como fazer em casa e ajuda em todo este processo) e deixar a escorrer;
  3. repetir o passo anterior até começar a aparecer um rebento no feijão. 





 O feijão mungo demora entre 1 e 2 dias, conforme a vossa preferência. Eu gosto de deixar um terceiro, confesso, e depois coloco—os secar na varanda ao sol. 

Recentemente o blogue Healthy Fit Way publicou também um excelente artigo sobre as vantagens do consumo de germinados, o qual sugiro vivamente que consultem.

Como não poderia deixar de ser, deixo-vos uma receita para vos ajudar a incluir mais facilmente os germinados na vossa alimentação, embora haja 1001 maneiras de fazê-lo. Basta usarem a vossa imaginação e fazerem da vossa cozinha pequenos laboratórios de experiências!


Salada morna de cenoura e germinados

Receita adaptada de Jamie Oliver

~ Ingredientes ~

3 colheres de sopa de feijão mungo germinado
70g de avelãs com casca
170g de cenoura
2 colheres de sopa de mel
1 colher de sopa de óleo de abacate
salsa picada

molho
sumo de uma laranja pequena
1 colher de sopa de óleo de abacate
2 colheres de sopa de mel


Ligar o forno nos 180º. Quando estiver quente, colocar as avelãs num tabuleiro e tostar durante 5m no forno. À parte descascar e cortar as cenouras em palitos largos. Ferver por 4m e deixar que arrefeçam um pouco antes de as colocar num pirex de forno. Regar com 1 colher de sopa de óleo de abacate e 2 colheres de sopa de mel. Assar cerca de 25m no forno, mexendo por vezes as cenouras para que o líquido as envolva uniformemente. 
Entretanto preparar o molho misturando o sumo da laranja, o restante óleo de abacate e mais 2 colheres de sopa de mel. 
Quando as cenouras estiverem bem assadas deixá-las arrefecer um pouco antes de misturá-las com os avelãs. Salpicar com a salsa picada, juntar o feijão mungo germinado e uma dose generosa do molho, misturado com o que sobrou de assar as cenouras. 


Esta publicação surgiu primeiro n' A Montra/The Window, uma rede de curadoria sustentável com a qual colaboro mensalmente.

Comments

  1. Excelente o teu artigo!
    Nunca fiz nem comi germinados, e tenho imensa curiosidade. Vou vendo os meninos nos livros que tenho mas nunca os produzi, e parece mesmo simples de fazer. Aposto que dão um crocante bom a qualquer prato ou salada. Só me falta esse frasco maravilha!

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    1. olha mas mesmo sem frasco safavas-te que o princípio é muito simples! eu os que gosto mais são os rebentos de feijão mungo como topping em saladas ou sopas. são mesmo de experimentar!

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